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Renault e Nissan garantem futuro da aliança, mas evitam falar em novo CEO

Novo CEO da Renault, Jean-Dominique Senard (esq.) se encontrou com japoneses - Eric Piermont/AFP
Novo CEO da Renault, Jean-Dominique Senard (esq.) se encontrou com japoneses
Imagem: Eric Piermont/AFP

Naomi Tajitsu, Maki Shiraki

Da Reuters

15/02/2019 07h00

Resumo da notícia

  • Representantes das marcas reafirmaram a importância da aliança
  • Partes evitaram falar sobre sucessor de Ghosn
  • Reunião ocorreu para resolver "problemas operacionais"

Executivos de alto escalão das marcas Renault e Nissan reafirmaram a importância da aliança entre as empresas. A parceria vem sofrendo constantes pressões desde a demissão do ex-CEO Carlos Ghosn. Mesmo assim, nenhuma das partes quis comentar sobre a escolha do próximo presidente.

Jean-Dominique Senard, recém-escolhido como presidente da Renault SA, desembarcou no Japão nesta quinta-feira (14) para dois dias de reuniões com a Nissan. Logo surgiram boatos sobre o futuro da aliança e sobre as chances de Senard também assumir o comando da empresa japonesa.

Algumas pessoas no Japão enxergam a aliança como desigual. Mas analistas do mercado afirmam que a parceria das três empresas (já que a Mitsubishi também faz parte do acordo) é necessária para competir em pé de igualdade com rivais como Volkswagen e Toyota.

Clima tenso no ar

A visita de Senard é a primeira de um líder da Renault desde a prisão de Ghosn em novembro sob a acusação de fraude financeira. A derrocada de um dos mais conhecidos líderes do planeta chocou a indústria automotiva global e elevou o nível de tensão entre Renault e Nissan.

Senard se reuniu com os CEOs da Nissan, Hiroto Saikawa, e Mitsubishi, Osamu Masuko, por aproximadamente duas horas. A informação foi revelada pelo próprio Masuko. Segundo ele, os três executivos reafirmaram a importância da aliança.

Já Saikawa afirmou a repórteres que eles não discutiram sobre eventuais problemas ligados à presidência da Nissan e nem sobre uma possível fusão entre Nissan e Renault. As conversas teriam sido apenas superficiais.

"Havia alguns problemas operacionais que precisávamos discutir, então esse foi o tema da nossa conversa", disse.

Há tempos alguns executivos da Nissan manifestam descontentamento com a influência desproporcional da Renault na aliança, em comparação com o poder da Nissan. A Renault possui 43% das ações da Nissan, enquanto a marca japonesa detém 15% das ações francesas, mas sem direito de voto nas decisões.

Logo após chegar no Japão, Senard tentou colocar panos quentes na aliança, afirmando à imprensa que ainda não era o momento de discutir se ele assumiria o comando da Nissan.

Fontes ligadas às empresas confirmaram que a visita seria mera cordialidade, uma forma de apresentar o novo CEO aos japoneses. Mesmo assim, o clima de tensão não foi esquecido pela tensão criada entre as fabricantes, algo que piorou após a Renault ter sido "forçada" a demitir Ghosn do comando da empresa.