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Testamos: Porsche Taycan desafia lógica até no gelo da terra de Papai Noel

Ricardo Ribeiro

Colaboração para o UOL, na Lapônia (Finlândia)*

10/12/2019 20h00

Um esportivo elétrico. Um elétrico da Porsche. O Taycan tem características únicas e promete desempenho extremo. Em busca de um teste igualmente único e extremo, UOL Carros embarcou para a região da Lapônia, na Finlândia.

No rigoroso inverno finlândes, dirigimos a nova versão de entrada do Taycan, a 4S. A configuração é oferecida com uma bateria de menor capacidade, que entrega 435 cv, ou na opção Plus, como a unidade testada, que chega a 490 cv.

Com overboost ligado, o modo de arrancada, a potência sobe para 530 cv e 571 cv, respectivamente. O toque atinge 66 kgfm.

Segundo a Porsche, o Taycan 4S tem velocidade máxima de 250 km/h e vai de zero a 100 km/h em apenas 4 segundos. Para se ter uma ideia, um Toyota Corolla precisa de 13 segundos. Em 13 segundos, o elétrico da Porsche atinge 200 km/h.

Para conseguir esse números elevados, o Taycan tem uma configuração bastante exclusiva. O sistema é de 800 Volts e com cabos de circulam mais energia, enquanto a maioria dos elétricos usa 400. O modelo adota dois motores, um no eixo dianteiro e um no traseiro, que atuam em sincronia e sem perda de torque.

Elétricos não costumam ter câmbio e trabalham com conversão de torque continua, mas a Porsche acoplou um caixa especial de duas marchas no motor traseiro. Sem intervenção do motorista, ela garante força extra nas saídas e uma marcha overdrive para altas velocidades.

Ao volante

Ao contrário de esportivos à combustão, que precisam estar com motores cheios e giros elevados, os elétricos entregam 100% da sua força o tempo todo. E isso se aplica ao Taycan e seus números generosos. Ou seja, pisou, ele responde vigorosamente a qualquer momento.

O modelo é dinâmico nas respostas e firme nas curvas, mesmo nas rodovias congeladas da terra do Papai Noel. O Taycan desafia a física ao acelerar grudado no chão. Por 150 km de nevasca, pinheiros e renas, o modelo entregou esportividade sempre que exigido e manteve ótima estabilidade.

A bateria no assoalho ajuda a assentar o carro, mas há também uma eletrônica complexa, que monitora o chassi o tempo todo e integra suspensão a ar adaptativa, controles eletrônicos de estabilidade e tração e vetorização de torque. O eixo traseiro é esterçante em até 2,8 graus.

Ice drive

Com os termômetros marcando oito graus negativos, também levamos o Taycan para um teste em lagos congelados. Baixíssima aderência, sistemas de assistência desligados e sem pneus especiais. As manobras são feitas em ambientes controlados e não devem ser reproduzidas em vias públicas.

A tração do Taycan é distribuída conforme a condição do piso e o estilo de condução. Em situações mais dinâmicas, funciona com a esportividade do 911 tração traseira. Quando necessário, pode concentrar quase toda a força no eixo dianteiro ou em 50-50, buscando mais estabilidade.

Mesmo nesta condição mais extrema, a tração foi distribuída com eficiência e velocidade. Motores e câmbio trabalharam em harmonia e a direção foi precisa. É necessário se acostumar com a resposta mais ágil dos elétricos. Não há o mínimo intervalo entre as respostas do carro e correções do volante ou pisadas no acelerador. No entanto, com um pouco de prática, as longas derrapagens no gelo logo se tornam um balé.

E o ronco? Para compensar a falta de ruído dos elétricos, a Porsche introduziu um som próprio no modo Sport Plus que lembra as naves do desenho Jetsons.

No fim do dia, o Taycan prova que é possível ser divertido, esportivo e ecológico.

Autonomia

Com a bateria de 79,2 kWh, o 4S promete uma autonomia entre 333 km e 407 km. O 4S Plus, com bateria de 93,4 kWh, roda entre 386 km e 463 km com uma carga.

Uma recarga leva 28 minutos em uma estação de alta voltagem ou nove horas em uma rede de baixa corrente.

A temperatura ideal de funcionamento da bateria é cerca de 25. É nesta faixa que ela armazena e transmite o máximo de carga. O frio da Lapônia, porém, não representou problema para o Taycan.

Além de um sistema de resfriamento, para a bateria não superaquecer durante uma condução mais esportiva, o modelo conta com um sistema de aquecimento da bateria. Ele também pré-aquece antes das recargas.

O frio finlandês não é comum no Brasil, mas o bom funcionamento indica que facilmente o elétrico da Porsche encara o inverno em cidades como São Paulo ou no Sul do Brasil. Resta saber no verão de 40C do Rio de Janeiro.

Vendas no Brasil

O Taycan pode começar a ser encomendado por clientes brasileiros no início do ano que vem. As primeiras entregas estão previstas para o segundo semestre.

O preço oficial ainda não está definido, mas, considerando que o Taycan ficara entre o Cayenne e o Panamera, é esperado algo na faixa dos R$ 600 mil para o 4S, R$ 700 mil para o Turbo e R$ 800 mil para o Turbo S.

Ficha Técnica

Porsche Taycan 4S Battery Plus
Motor: elétrico (um na dianteira e um na traseira)
Potência: 490 cv
Torque: 66 kgfm
Câmbio: duas velocidades, no motor traseiro
Dimensões: 4,96 m (comprimento), 2,90 m (entre-eixos), 1,96 m (largura), 1,38 (altura)
Porta-malas: 407 litros (+ 81 litros na dianteira)
Preço: estimado na faixa de R$ 600 mil

* Viagem a convite da Porsche

Tabela Fipe

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Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi informado, o Porsche Taycan não desafia a gramática, e sim a gravidade. A informação foi corrigida.

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