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"Micro-ondas podem salvar motor a combustão", diz ex-chefão da Porsche

Fernando Miragaya/UOL
Novo 911 chega em 2019 e usa só motor a gasolina, para alegria dos puristas. Mas até quando será viável? Imagem: Fernando Miragaya/UOL

Do UOL, em São Paulo (SP)

2018-12-14T11:48:58

14/12/2018 11h48

Tecnologia similar àquela que você usa para esquentar comida faria motor beber 30% menos e poluir quase nada

Pressão por carros mais eficientes e limpos levam a indústria automotiva a anunciar cada vez mais projetos de modelos híbridos e elétricos, inclusive no Brasil, com modelos que gastam e poluem pouco e praticamente não fazem barulho. Mas isso não serve a todo tipo de carro, nem agrada a todo comprador de carro. Qual a saída?

Para um ex-executivo da Porsche, a salvação pode estar na tecnologia de micro-ondas.  

Caminho sem volta?

Temperaturas cada vez mais altas, poluição do ar e de rios, fraudes em testes (como o "dieselgate") e escândalos de conduta (como o caso dos carros "pré-série" vendidos pela VW alemã ou a prisão de Carlos Ghosn, da Renault-Nissan-Mitsubishi) não apenas mancham a reputação da indústria automotiva, como mexem diretamente com a forma como carros são feitos. Um dos principais desafios em todo o planeta, neste momento, é fazer carros que poluam menos, consumam menos combustível.

A China já vende elétricos como nenhum outro mercado, diversos países da Europa já definiram datas limites para que nenhum carro com motor a combustão seja fabricado (embora isso ainda pareça impossível de cumprir) e mesmo os Estados Unidos estão mirando elétricos e híbridos (com GM, FCA e Ford aposentando modelos comuns). Até o Brasil já fala seriamente em construir eletrovias, produzir e vender modelos eletrificados (a rede Rio-SP da BMW e o projeto Toyota Híbrido Flex ganharam o Prêmio UOL Carros 2018 de "Mobilidade" e "Sustentabilidade").

Mas e como ficam projetos mais "puristas", como o de modelos superesportivos ou de marcas voltadas para carros que andam forte e dependem de motor a combustão? A Porsche acaba de apresentar a nova geração do icônico 911, que chega ao Brasil no fim de 2019. Embora ele ainda aposte em fortes motores a gasolina, a marca já avisou que a nova plataforma já prevê uma eletrificação para uma próxima geração.

Só que isso pode desagradar os compradores deste tipo de modelo, focados no cheiro de gasolina, no ruído do motor ao queimar combustível fóssil. E perder vendas é inviável no mercado atual -- tanto quanto não ter responsabilidade ambiental. Arapuca, não?  

Ignição por micro-ondas

Wendelin Wiedeking liderou a própria Porsche entre 1993 e 2009 e atualmente atua como investidor. Entre outros negócios, é acionista da start-up alemã MWI (que tira o nome justamente da tecnologia de ignição por micro-ondas, ou Micro Wave Ignition).

Em entrevista à imprensa norte-americana, Wiedeking afirmou que esta tecnologia pode revolucionar a indústria nos próximos anos e com isso "salvar" os motores a combustão.

Chave para tudo seria aposentar o atual sistema de ignição por velas: com elas, o motor comum gera faíscas para queimar o combustível no interior dos pistões, obtendo energia de forma bem... arcaica. No total, apenas 35%, 40% do combustível gasto gera energia de fato, o resto se perde em calor e poluição. (Nos elétricos, a eficiência é de 80%, em média.)

No lugar das velas, um emissor de micro-ondas poderia realizar a queima do combustível a temperaturas mais baixas e com ciclos mais rápidos e, teoricamente, ampliar a eficiência em 30%, chegando mais perto do patamar de modelos elétricos. Ainda melhor: como queima melhor o combustível, as emissões poderiam cair em até 80%, segundo o executivo.

Vantagem também na pronta adaptação da tecnologia, que poderia ser acoplada a qualquer projeto atual de motor a combustão. Isso reduziria sensivelmente o custo, permitindo a aplicação tanto em modelos de luxo, quanto em carros de volume. Seria mais um ponto favorável, principalmente, frente aos modelos eletrificados, cuja tecnologia continua tendo entraves financeiros.

"Estou convencido de que a MWI é uma inovação que quebra paradigmas e tem um potencial enorme de mercado", disse Wiedeking em um documento compartilhado pela MWI à imprensa americana.

Por ora, nem a Porsche, nem a própria MWI deram mais detalhes sobre reais uso da tecnologia e se ela pode mesmo mudar o mercado de carros.

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