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Jeep Renegade 2022: o que líder dos SUVs tem de pior e de melhor

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Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

11/04/2022 04h00

Quando o Jeep Compass chegou à linha 2022, a marca resolveu praticamente todas as falhas que o modelo tinha até a gama 2021. No início deste ano, chegou a vez de o Renegade receber importantes atualizações. O SUV compacto mais vendido do Brasil no ano passado evoluiu bastante, mas manteve mais vícios que o irmão maior.

O Renegade 2022 perdeu o motor a diesel, deixando as versões 4x4 mais baratas. Agora, as opções 4x2 e as com tração integral vêm com o 1.3 turbo flex, de 185 cv.

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Se isso foi um ganho na tabela de preços das versões 4x4, as 4x2 ficaram bem mais caras. Agora, a mais em conta se aproxima dos R$ 130 mil. A alta não é fruto apenas da chegada do motor mais forte.

Ela também tem o objetivo de abrir espaço na base do segmento para o Pulse, da Fiat, que assim como a Jeep faz parte do Grupo Stellantis. Ou seja: estratégia. Até por isso, todas as versões do Renegade agora são muito bem equipadas.

E por falar em versões, houve simplificação na gama. Antes, o Renegade tinha diversas configurações. Agora, são apenas duas 4x2 e duas 4x4.

É consenso que o Renegade é um dos melhores SUVs compactos do Brasil, e seus números de vendas estão aí para mostrar essa preferência. Falar sobre seus pontos positivos, o que faremos mais adiante, é fácil.

Mas quais são as piores coisas do novo Renegade 2022? Aí vai um spoiler: não há nada muito grave. Porém, como em quase todo carro, há alguns pontos negativos.

Pontos negativos

Para listar as coisas ruins do Renegade em ordem de prioridade, a ausência de saída para o ar-condicionado atrás em todas as versões é o ponto mais crítico. Muitos vão argumentar que alguns concorrentes não têm também, o que é verdade - embora alguns a ofereçam.

Porém, os SUVs compactos estão cada vez mais caros, e o Renegade já chega a quase R$ 180 mil na opção topo de linha. Foi falha da Jeep não ter aproveitado a renovação e o reposicionamento para resolver esse defeito. Não era difícil. A plataforma permite essa solução, pois o Compass, que usa a mesma base, a oferece.

Mas não seria o consumo o ponto mais crítico? De fato, eu não obtive médias boas com a versão S, que é 4x4 e usa câmbio automático de nove marchas. Com etanol, na cidade, ficaram entre 6,4 a 7 km/l.

Poderia melhorar? Talvez. Mas acho que, aqui, o principal problema foi a expectativa do consumidor. O antigo motor 1.8 aspirado tinha consumo tão criticado que muitos aguardavam números bem melhores com o moderno 1.3 turbo.

E essas médias de fato melhoraram, mas não muito. Só que, com o 1.8, o Renegade tinha problemas de agilidade. Com o 1.3 turbo, é sério candidato a SUV compacto mais rápido do Brasil.

O desempenho tem seu preço. Não adianta esperar consumo de 1.0 de entrada em um veículo que anda como carro premium. Quem quiser um SUV econômico encontrará boas opções em modelos com desempenhos inferiores: Creta, Nivus, Tracker e T-Cross 1.0 turbo, além do Kicks 1.6.

O acabamento está acima da média do segmento, mas a coluna de direção traz algumas rebarbas próximas ao botão de partida. Outro ponto negativo é o espaço interno inferior ao dos principais concorrentes.

Corrigir esse problema era mais complicado na linha 2022, já que não houve mudanças na estrutura, apenas atualizações de estilo, motor e tecnologia. Até por isso, chama a atenção a boa e velha central multimídia.

Houve atualizações no sistema operacional - leia abaixo. Porém, a Jeep manteve a mesma moldura de antes. Em outros modelos da plataforma, houve mudanças.

A da Toro agora é vertical, como a dos Volvo. A do Compass é suspensa e passa a impressão de ser bem maior. Aliás, o Pulse, mais simples, traz a mesma solução do SUV médio da Jeep.

Ao manter a mesma aparência no Renegade, a marca perdeu a oportunidade de dar um aspecto mais moderno para o interior. A cabine, aliás, ficou bem parecida com a de antes - enquanto a do Compass trouxe atualizações bem profundas.

Pontos positivos

O destaque do Renegade na categoria de SUVs compactos, mesmo na versão 4x2, é a dirigibilidade e o conforto. O carro tem suspensão independente nas quatro rodas. É o único da categoria com esse recurso. Os demais usam eixo de torção atrás.

O componente contribui para o rodar macio do Renegade, que absorve muito bem as imperfeições do piso. Isso sem prejudicar a dinâmica: a carroceria é firme em qualquer circunstância e as respostas da direção, precisas.

Agora, se une a essas ótimas características o poder de acelerar. Não vou dizer que o desempenho do Renegade surpreende, pois ele é o esperado para um carro de 185 cv e 27,5 mkgf a baixa rotação. Na prática, o SUV passou a ser muito rápido, transmitindo segurança em ultrapassagens e passando sem sofrimento por subidas íngremes.

Outra coisa boa - e praticamente exclusiva na categoria - da linha 2021 mantida na 2022 é o freio de estacionamento elétrico. No caso do multimídia, se o formato não mudou, o sistema operacional é outro.

O recurso tem os mesmos componentes do Compass, inclusive a câmera de ré com ótima imagem e o Wi-Fi a bordo. Outro destaque é o mapa nativo com função pinça e conexão com informações de trânsito.

Aqui, um porém apenas. Pode ter sido um problema do exemplar avaliado, mas achei o mapa um pouco mais lento para carregar que no Compass. O multimídia traz ainda possibilidade de personalização. O motorista pode adicionar várias páginas com as informações que preferir.

O painel de instrumentos passa a ser virtual, o que já não é novidade no segmento, mas não deixa de ser ponto positivo. Das quatro versões, apenas a Sport não tem esse componente - e esta é a melhor notícia. Outros destaques são o ar-condicionado com duas zonas de temperatura e o porta-copos, que se adapta a diversos tipos de garrafas e latas.

E o porta-malas?

O porta-malas do Renegade sempre causou polêmica e foi muito criticado no decorrer dos anos. A verdade, no entanto, é que ele não é tão pequeno quanto se fala por aí. A capacidade divulgada nesta linha 2022 é de 385 litros, ante os 320 litros da gama 2021.

O que mudou, no entanto, foi a metodologia de medir, algo que o Grupo Stellantis vem fazendo com todos os seus carros renovadas. Na prática, a capacidade do compartimento é a mesma de antes. E ela já foi melhorada algumas linhas atrás, quando a Jeep passou a adotar na maioria das versões o estepe temporário, em vez da quinta roda.

No teste que fiz, consegui colocar toda a bagagem que sempre acomodo em outros SUVs compactos: duas malas médias, de 23 kg, duas pequenas, de 15 kg, e uma mochila. O compartimento do Renegade se mostrou superior ao do Tracker e ao do Pulse, para citar alguns dos modelos mais importantes da categoria.

Ele é semelhante ao do Nivus. Ante o do T-Cross, coube a mesma bagagem, mas sobrou um pouco menos de espaço. Já os de Kicks, Creta, HR-V e Captur são superiores, mas não com tanta vantagem. O único que é bem melhor que o do Jeep é o do Duster.

Por isso, não coloquei o porta-malas entre os pontos negativos. Na prática, ele está na média da categoria.

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