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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Carros com itens esquisitos: veja modelos que mudam seus hábitos ao volante

Nos Mercedes-Benz, alavanca do câmbio fica na coluna de direção, do lado direito, onde normalmente está a do limpador de para-brisa  - Divulgação
Nos Mercedes-Benz, alavanca do câmbio fica na coluna de direção, do lado direito, onde normalmente está a do limpador de para-brisa Imagem: Divulgação
Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

03/05/2021 04h00

Nos últimos meses, testei alguns carros que chamaram a atenção por soluções um tanto inusitadas, diferentes do convencional. Elas podem causar estranheza num primeiro momento, ou até durante bastante tempo. Mas, para quem tem o automóvel, a tendência é acabar se acostumando.

Em alguns casos, porém, antes de o dono do carro se acostumar, essas soluções podem gerar certo risco. Por isso, requerem precaução. Desse grupo, listei três itens esquisitos.

Posição da alavanca de câmbio dos Mercedes

A maioria dos carros da atualidade tem alavanca do câmbio no console central. Não os Mercedes-Benz. No caso dos modelos da marca alemã, o recurso está posicionado na coluna de direção. Hoje em dia, até os esportivos da montadora trazem essa solução.

Guiei pela primeira vez um Mercedes com alavanca na coluna em 2011. Era o lançamento do Classe E, em Madri, e eu estava testando o carro na rodovia. A haste fica do lado direito, onde normalmente é posicionado o acionamento do limpador de para-brisas.

Durante meu teste, começou a chover, e eu liguei o limpador de para-brisa automaticamente. Só que, em vez de acionar o sistema, mudei o câmbio automático da posição D (drive, ou dirigir) para N (neutro).

Eu acelerava, a rotação subia, mas o Classe E não respondia. Se movia pelo impulso, e ia perdendo velocidade. Demorou alguns segundos para eu entender o que havia acontecido, corrigir meu erro e voltar a alavanca para D.

Dez anos se passaram, mas até hoje, quando eu avalio um Mercedes, tenho de tomar cuidado para não confundir a alavanca do câmbio com a do limpador de para-brisas. E é fácil se acostumar? É.

No início do ano, testei dois carros da Mercedes em seguida. Passei 14 dias com modelos da montadora. Ao final do período, ao guiar meu carro, que tem alavanca no console, diversas vezes me vi tentando acionar o câmbio na coluna de direção. Ou seja: questão de costume.

Acionamento da ré no Caoa Chery Tiggo 8

A esquisitice do Caoa Chery Tiggo 8 também está relacionada à alavanca do câmbio. Sua posição é convencional, no console central. De cima para baixo, temos P (posição de estacionamento), R (ré) e D.

Ao sair da garagem, de ré, é preciso então mudar apenas uma posição da alavanca, de P para R, certo? Errado. O primeiro toque "pula" a ré, e coloca o câmbio diretamente em D. Então, é preciso fazer mais um movimento, para a frente, para finalmente engatar a ré.

Se você não estiver olhando o painel, que sinaliza a posição correta em que o câmbio está, tem toda a chance de, acreditando ter acionado a ré, pisar no acelerador e ver o carro se movimentar para a frente.

Imagine se a garagem for apertada, com área restrita à frente. Ou se o carro estiver estacionado na rua, atrás de outro. Nem preciso dizer o que pode acontecer, né?

Conversei com alguns proprietários do Tiggo 8 que me garantiram: se acostumaram com a solução em dias. Porém, sempre que vão emprestar o carro a alguém, seja filho, irmão ou amigo, explicam para o motorista de primeira viagem do Caoa Chery sobre essa característica inusitada do câmbio do carro.

Retrovisor virtual dos Audi

Item que melhora a aerodinâmica e tem o objetivo de tornar as manobras de estacionamento e mudanças de faixa mais seguras, o retrovisor virtual é item opcional nos modelos elétricos da Audi. Por enquanto, no País, estão disponíveis para o e-tron e o e-tron Sportback.

No lugar dos retrovisores convencionais, com espelhos, são posicionadas câmeras. As imagens captadas por elas são projetadas em duas telas, uma em cada porta dianteira. Olhar para um lugar diferente do habitual para ver as imagens atrás já é esquisito, mas algo com que se acostuma depois de pouquíssimo tempo dirigindo o carro.

O principal problema é a distância dos objetos. Eles parecem muito, mas muito mais distantes, do que realmente estão. Minha primeira experiência com a tecnologia foi em abril do ano passado. Alguns meses depois, voltei a testá-la e, nas mudanças de faixas, já fiquei totalmente habituada ao retrovisor virtual.

Até porque, nesse caso, ele tem luzes verdes, amarelas e vermelhas, indicando se a ultrapassagem pode ou não ser feita com segurança. Mas, na hora de estacionar, a coisa fica mais complicada.

O retrovisor constantemente mostra que o carro está quase batendo em uma pilastra de garagem (e os sinais dos sensores de estacionamento corroboram essa impressão). Porém, ao olhar para trás, ou descer do carro, nota-se que o obstáculo está, na verdade, a muitos centímetros.

Como e-tron e e-tron Sportback são carros grandes, essa discrepância de informações é um problema e tanto nas manobras de estacionamento, especialmente nas vagas mais apertadas. Questão de hábito? Sim. Quem tem o carro aos poucos vai se acostumando com as orientações do retrovisor virtual.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL