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O que levou 3 SUVs que passam dos R$ 100 mil ao topo das vendas

Chevrolet Tracker e VW T-Cross - Divulgação
Chevrolet Tracker e VW T-Cross Imagem: Divulgação
Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

08/07/2020 04h00

T-Cross, Tracker e Renegade. Esses modelos, cujas versões mais vendidas têm preços que ultrapassam os R$ 100 mil, conseguiram em junho um feito inédito no mercado brasileiro. Os três ocuparam posições na lista dos cinco carros mais emplacados do País.

Para isso, deixaram para trás modelos com apelo mais popular que costumam ocupar essas posições. Entre eles estão o Volswagen Gol, o Renault Kwid e o Ford Ka.

Outro fenômeno a se observar é que os SUVs compactos registraram números de vendas semelhantes, ou até superioroes aos que tinham antes da pandemia. Carro mais vendido da categoria em junho, o Volkswagen T-Cross obteve 5.463 emplacamentos.

Em janeiro, último mês sem influência de fatores como carnaval e a pandemia de coronavírus, o SUV mais vendido foi o Renegade. Naquele mês, ele teve 4.325 unidades emplacadas. Ou seja: bem menos do que o T-Cross registrou agora.

Na contramão, o Chevrolet Onix, carro mais vendido do Brasil, somou 17.463 emplacamentos no primeiro mês de 2020. Em junho, ele manteve o primeiro lugar, mas com um resultado bem mais humilde: 6.234 exemplares vendidos.

O segundo mais vendido em junho foi o Hyundai HB20, com 5.792 emplacamentos. O T-Cross doi terceiro colocado no mercado geral, seguido por Renegade (4.092). O Tracker (4.075) completou a lista dos cinco mais emplacados.

Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Por que os SUVs se destacaram em junho

Vamos primeiro analisar o fenômeno de os SUVs terem voltado aos patamares, ou a números até melhores, que os obtidos antes da crise. Nesse caso, os resultados estão distorcidos, e podem cair a partir do segundo semestre de julho e agosto.

Isso porque junho marcou a reabertura dos Detrans. Então, havia uma grande demanda para emplacamentos de carros já comprados. Por outro lado, fica claro que, no período, o cliente adquiriu mais veículos de maior valor agregado.

Tanto que, mesmo com a retomada dos emplacamentos, Onix e outros carros de segmentos mais populares ainda ficaram muito distante dos números pré-pandemia. Isso indica que, no período em que a maior parte dos Detrans

Jeep Renegade 2019 - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
Liderança da Jeep é celebrada, mas Fiat também terá SUV em 2021
Imagem: Murilo Góes/UOL
ficou fechada, não houve ampla demanda por esses modelos.

E essa é a principal explicação para termos T-Cross, Renegade e Tracker no "top 5" do ranking de vendas. A pandemia vem sendo também um período de profunda crise econômica, com redução de renda, desemprego e insegurança causada pela falta de perspectivas sobre a data de retomada.

Em situações como esta, os segmentos de modelos mais populares sofrem mais. Isso porque atendem um consumidor mais afetado pela crise. Quando o assunto é carro acima de R$ 100 mil, pode até haver queda. Porém, ela é menos acentuada.

Também vale ressaltar que, no período de pandemia, as vendas diretas foram bastante afetadas. Segmentos de carros mais populares são muito dependentes dessa modalidade.

T-Cross lidera mercado em julho

Um fenômeno inusitado desses tempos de pandemia vem sendo observado em julho. Nesse momento, o carro mais vendido do Brasil é o Volkswagen T-Cross.

De 1º a 6 de julho, ele teve 150 emplacamentos a mais que o Onix, de acordo com dados da Fenabrave. A tendência, porém, é que o Volkswagen não segure essa posição até o fim do mês.

Principalmente por causa de um dos fatores listados acima. No momento, ainda há muita demanda por emplacamentos de carros comprados antes da reabertura dos Detrans. Esse fenômeno deverá ser amenizado no decorrer do mês de julho.