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Como se tornar piloto profissional de corridas em 1 dia - e R$ 10 mil

Curso para se tornar piloto de corridas profissional custa R$ 8.900 - Divulgação
Curso para se tornar piloto de corridas profissional custa R$ 8.900 Imagem: Divulgação
Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

02/07/2020 04h00

Quase todo apaixonado por velocidade já sonhou em ser um piloto de Fórmula 1 - a temporada 2020, aliás, começa nesta semana. Pouquíssimas pessoas conseguiram chegar lá. Dessas, a maioria começou sua carreira ainda na infância, no kart. Mas você sabia que dá para ser piloto de corridas com apenas um dia de treinamento?

Provavelmente, com essa formação ninguém chegará à Fórmula 1. Mas a licença obtida nesse treinamento já permite correr em qualquer categoria do automobilismo nacional, com exceção da Stock Car. Além disso, dá para disputar até a 24 Horas de Le Mans, na França (leia detalhes abaixo).

Na prática, o treinamento ministrado pelo centro de pilotagem Roberto Manzini atrai bastante os adeptos dos chamados "track days" - experiências com carros de rua em pistas fechadas de competição.

Como é o treinamento para se tornar piloto profissional

O treinamento é chamado de "Pilotagem Esportiva" e custa R$ 8.900. A má notícia é que ele não garante a carteira de piloto. O aluno interessado em obtê-la terá de passar por uma avaliação.

Mas antes de chegar a essa etapa, há um dia inteiro de treinamento na pista do Autódromo de Interlagos - e também de diversão. O curso começa, na verdade, na noite anterior. Durante três horas, alunos recebem instruções sobre a pista e a maneira correta de guiar em um circuito.

Além disso, há lições sobre o comportamento dos sistemas do carro e como eles interferem em suas reações. Com isso, o aluno fica conhecendo ainda mais os detalhes dos automóveis - a maioria dos que fizeram o curso comigo já sabia bastante.

Pilotagem esportiva 3 - Divulgação - Divulgação
Treinamento é feito com exemplares do Volvo C30
Imagem: Divulgação

Essa sessão ocorre no Centro de Pilotagem Roberto Manzini, em frente ao Autódromo de Interlagos. No segundo dia, o programa tem início às 7h30, já na pista. São cinco aulas, cada uma com cerca de dez minutos. Nas três primeiras, o aluno é acompanhado por um instrutor, que diz o que ele tem de fazer.

Muitos instrutores, aliás, são pilotos que competem ou já competiram em categorias do automobilismo no Brasil e no mundo. Ao fim de cada aula, o participante recebe feedback sobre seus erros, acertos e como é possível evoluir. A partir da quarta aula, dependendo do desempenho, o aluno vai para a pista sozinho.

Pilotagem esportiva 2 - Divulgação - Divulgação
Nas primeiras voltas, aluno é acompanhado por piloto profissional
Imagem: Divulgação
O mesmo ocorre na quinta aula, quando são aferidos os tempos. A cada parte do treinamento, a velocidade vai aumentando. A rotação do motor começa limitada a 4 mil rpm, vai para 5 mil e, no fim, não há limites.

Fundamentos para fazer bons tempos

O principal segredo de se dirigir em um circuito no menor tempo possível é manter o volante reto. Direção virando é sinal de perda de tempo.

Assim, em uma curva, é primordial conhecer bem os pontos de ataque e tangência. Ao atingir esse ponto, geralmente, tem início a aceleração, e o volante deve ser apontado para o lado de fora, para se manter reto. É o famoso sair da curva acelerando.

Pilotagem esportiva 5 - Divulgação - Divulgação
Cones na pista mostram pontos de frenagem e tangência
Imagem: Divulgação
Mas para conseguir isso, é preciso dominar diversos outros fundamentos. Onde é o ponto ideal de frenagem? Qual é o momento certo de fazer trocas de marcha (bem diferente da execução dessa função em carros de rua)? Quando se deve voltar a acelerar?

Ao longo do dia, o aluno vai aprendendo, evoluindo, conhecendo cada cantinho do autódromo de Interlagos. Os tempos vão baixando, enquanto a satisfação e a adrenalina aumentam.

O carro

O programa de pilotagem é feito com um Volvo C30 totalmente modificado. O câmbio é manual de cinco marchas. No treinamento, são usadas apenas a terceira (em quase todo o miolo de Interlagos), a quarta e a quinta.

A medida que a rotação vai sendo liberada, no decorrer das aulas, as trocas de marcha passam a ser feitas em pontos diferentes.

O motor também foi modificado. E, como não há nenhuma proteção acústica, o barulho é empolgante nas acelerações, reduções de marcha, etc.

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Interior do C30 foi adaptado e é de carro de competição
Imagem: Divulgação
Há ainda célula de sobrevivência, bancos de competição e cinto de quatro pontos. O painel foi todo modificado. Em evidência, fica o conta-giros, já que a rotação é o que realmente importa para se obter um bom desempenho (ela deve ser mantida cada vez mais próxima do limite de corte).

Os pneus são do tipo slick. Os freios ABS e o controle de estabilidade foram retirados. Com o C30 do programa de pilotagem, é no braço. Porém, há assistência à direção, que também pode ser desligada.

Não é incomum o aluno rodar durante o trajeto. Acontece bastante. Afinal, ali a ordem é conseguir levar o carro ao limite. E claro que haverá alguns percalços nessa trajetória.


Como obter a carteira de piloto

Os alunos que estiverem interessados em se tornarem pilotos profissionais serão avaliados na quinta aula, e terão de pagar uma taxa extra. Quando fiz o curso, a avaliação foi feita pelo ex-piloto de Stock Car Paulo Gomes. Representante da CBA, a confederação brasileira de automobilismo, ele definiu quem estava apto a receber ou não a carteira de piloto.

Para passar na avaliação, é preciso virar voltas no Autódromo de Interlagos em um tempo máximo estipulado pela coordenação do centro de pilotagem. Esse tempo pode variar conforme as condições de pista e clima, por exemplo.

Pilotagem esportiva  - Divulgação - Divulgação
A cada aula, aluno recebe orientações sobre seus erros e acertos
Imagem: Divulgação
De acordo com Gomes, a maioria dos participantes é aprovada. Todo o processo de filiação, já com a carteirinha (tem de ser providenciada junto à CBA), sai por cerca de R$ 2 mil. Aí, você já será piloto da categoria "B". Dá para correr, por exemplo, em categorias como Porsche Cup e Sprint Race.

Lá fora, é possível disputar o Mundial de Endurance, que inclui a 24 Horas de Le Mans, na categoria GT-AM.

Já para chegar à categoria "A", a da Stock Car, é necessário experiência. O piloto tem de conquistar bons resultados em um campeonato brasileiro.

Curioso é que a maioria dos participantes não tem verdadeira intenção de competir. Ainda assim, trata-se de um público formado por entusiastas da velocidade. Quase todo mundo opta por ter a carteirinha. Isso apesar de ela não ser necessárias nos "track days".


Outros detalhes e serviço

Estão incluídos no programa os equipamentos de segurança que o piloto deve usar. Há macacão, capacete, balaclava e luva.

Alimentação também faz parte do pacote. Durante todo o programa estão disponíveis snacks, frutas, sucos, água e refrigerante. O almoço é servido no centro de pilotagem, em frente ao autódromo.

Ao fim das atividades de pista, há uma aula de despedida, onde são entregues certificado e pen drive com as voltas da quarta e da quinta aulas.

Após participar desse treinamento, fica difícil tirar Interlagos e a sensação de velocidade de dentro de você. Para saber as próximas datas do curso é preciso entrar em contato com o centro de pilotagem por meio do e-mail curso@robertomanzini.com.br.