PUBLICIDADE
Topo

Renault Duster 2021: o que a nova versão do SUV tem de pior e de melhor

Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

01/06/2020 04h00

Antes de março, eu não recomendaria a compra do Duster. Mas algo mudou naquele mês, o que fez o carro se transformar em uma das melhores opções do segmento de SUVs compactos. Especialmente na versão topo de linha, Iconic.

O novo Duster é uma versão reestilizada e com atualização mecânica, mas sem mudança de geração. Ainda assim, a troca da direção com assistência hidráulica pela elétrica resultou na solução daquele que era o maior problema do Renault, a dirigibilidade.

Antes um carro com direção barulhenta e muito imprecisa, o novo Duster se tornou - e eu jamais imaginei que fosse escrever isso - um SUV muito gostoso de guiar. Está mais confortável e estável.

Mas, voltando ao segundo parágrafo, o fato de não haver uma mudança de geração deixou como herança alguns problemas para o SUV de entrada da Renault (me recuso a chamar o Kwid de utilitário-esportivo, por mais que o Inmetro o classifique como um carro do segmento). Aqui, você confere o que o novo Duster tem de melhor e de pior.

O que o novo Duster tem de pior

Vamos começar pelos problemas, e por aquela que é a principal falha. O novo Duster, agora apenas com motor 1.6, simplesmente não anda em algumas situações. Tente fazer uma subida íngreme com o carro, de preferência a partir da imobilidade ou de baixas rotações, para entender o que estou dizendo.

No início da aceleração, a impressão é de que o SUV tem dificuldades tremendas de sair do lugar. Parece até que vai andar para trás, ladeira abaixo, e não acima. O conjunto motor-câmbio precisa melhorar.

O motor 1.6 aspirado tem 120 cv com etanol, e baixos 16,2 mkgf a 4.000 rpm. São números fracos, mesmo para um carro que nem é assim tão pesado - são 1.279 quilos. Mas o motor nem é o problema principal, e sim o seu desastroso casamento com o câmbio CVT ruim.

Essa transmissão, em vez de ajudar o carro a embalar, parece atrapalhar sua vida. Isso acontece com todo CVT? Nem sempre. As transmissões continuamente variáveis têm um ajuste mais confortável e uma dificuldade maior que as automáticas convencionais para ajudar o motor a entregar agilidade.

Novo Renault Duster (interior) - Divulgação - Divulgação
Cabine ficou mais bonita e mais bem acabada
Imagem: Divulgação
Porém, hoje já há ótimos câmbios CVT, como os das linhas Civic e Corolla. O novo Duster também traz algumas esquisitices que parecem coisa de carro dos anos 90, como o suporte do cinto de segurança (que não tem ajuste de altura).

Atrás, falta saídas de ar-condicionado na versão de topo, que custa R$ 90.690. O acabamento melhorou, mas poderia ter dado um salto maior se optasse por plásticos emborrachados. O material é muito duro. A favor do Duster, nesse quesito ele não destoa da média do segmento.

A Renault, durante o lançamento do carro, ressaltou que ele passava a trazer mais porta-objetos. O que vi foi compartimentos pequenos e inúteis no console central, além de um porta-copos único na frente (há dois para os passageiros de trás). Raso e mal posicionado (fica à frente da alavanca do câmbio), não tem grande utilidade para fixar garrafas de água ou latinhas.

O que o carro tem de melhor

Além de melhorar a experiência ao volante, o novo Duster ficou mais fácil de estacionar. A ergonomia evoluiu demais, com bancos mais confortáveis e fáceis de ajustar. O revestimento de couro é um dos únicos opcionais da versão Iconic.

O carro tem agora um painel mais bonito, com tela central de TFT. O multimídia é muito interessante. Fácil de usar e sensível ao toque, oferece perfil para até seis usuários e tem uma interface limpa e intuitiva.

Outro destaque fica por conta das quatro câmeras - uma traseira, uma dianteira e uma em cada lateral. Isso ajuda na hora de fazer manobras e melhora também a segurança no trânsito. O carro perdeu as saídas de ar redondas e esquisitas que o conectavam muito ao Sandero.

Novo Renault Duster 2 - Divulgação - Divulgação
Lanternas quadradas: semelhança com Jeep Renegade é inegável
Imagem: Divulgação
E, se manteve algumas coisas ruins do modelo anterior, herdou também as boas. Não há porta-malas mais funcional e amplo no segmento de SUVs compactos que o do novo Duster. Talvez, só o do irmão Captur. O compartimento tem 475 litros.

O espaço para pernas e cabeça dos ocupantes no banco de trás também é destaque na categoria. São 2,67 metros de entre-eixos e assoalho quase plano. Além disso, por ser mais largo que a concorrência, permite coisa rara no segmento: levar com conforto três pessoas no banco de trás.

Por que o novo Duster pode ser uma ótima compra

Avaliando apenas o produto, sem levar em conta fatores como facilidade de revenda, manutenção e seguro, o Duster tem quase tudo o que os SUVs compactos mais vendidos oferecem. É lento sim, mas não é o único. Há outros modelos da categoria que andam mal, e vendem bem melhor.

E, levando vantagem em dois itens que são essenciais no segmento, porta-malas e espaço interno, o carro da Renault custa muito menos que a concorrência. Na versão Iconic, são cerca de R$ 17 mil a menos que o Kicks de topo.

A vantagem para Creta e Renegade fica em torno de R$ 18 mil. O HR-V EXL custa cerca de R$ 22 mil a mais e o T-Cross, R$ 28 mil.

Mas é claro que, aqui, estamos falando de uma escolha racional. Apesar da vantagem de preço, há características que podem tornar o novo Duster um carro não aceitável para quem prefere os rivais. Especialmente a falta de agilidade. No entanto, com o problema de dirigibilidade resolvido, o carro da Renault passa a ser uma opção a se considerar.