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Toscana de carro: tudo o que você precisa saber para explorar a região

Rafaela Borges/UOL
Imagem: Rafaela Borges/UOL
Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colaboração para o UOL

05/02/2020 04h00

Toscana é um dos principais destinos europeus para os fãs de viagens de carro. A região tem belas paisagens, que alternam plantações de girassóis, dependendo da época do ano, e vinhedos. Em um raio de cerca de 400 km, há diversas cidades para conhecer, além de boa alternância entre estradas secundárias e rápidas.

Está aí a fórmula perfeita para alugar um automóvel e passar dias percorrendo uma das regiões mais bonitas e românticas da Itália, com uma forte herança histórica e cardápio extenso de arte e cultura.

Nessa reportagem, você confere tudo o que precisa saber para fazer um bom roteiro sobre rodas pela Toscana - inclusive como evitar roubadas e perrengues.

Que tipo de carro alugar

San Gimnigano - Rafaela Borges/UOL - Rafaela Borges/UOL
Imagem: Rafaela Borges/UOL

Fiz essa viagem em agosto, durante o verão europeu. O carro escolhido foi um Mercedes-Benz C 200 Cabrio com motor a diesel. Escolher um modelo que usa esse tipo de combustível é uma boa aposta. Com boa autonomia, reduz o número de paradas para reabastecer.

E, em uma região quente e bela como a Toscana, rodar com o teto aberto é uma ótima pedida. Mas cuidado: modelos conversíveis não funcionam bem se a viagem incluir mais de duas pessoas.

Muitos têm quatro lugares, mas capacidade reduzida do porta-malas, principalmente na hora de abrir o teto.

Seja o automóvel conversível ou não, para quem gosta de dirigir, a recomendação é evitar os SUVs. As curvas das estradas secundárias da Toscana são um prato cheio para a tocada esportiva que os utilitários não costumam oferecer.

Mas evite também os carros muito esportivos, com suspensão dura. Algumas estradas secundárias são mal conservadas, e um modelo com ajuste apimentado demais pode causar desconforto.

As estradas da Toscana

Existe uma rodovia de pista dupla e trânsito rápido que percorre toda a Toscana. Bem conservada, tem 90 km/h de velocidade máxima e não cobra pedágios.

Não a evite, principalmente à noite. Nas vias secundárias, 40 km podem significar até uma hora de viagem. Isso pode ser muito legal principalmente no início do dia, pois, no verão, você poderá ver girassóis aos montes.

As estradas também dão acesso a belas cidades medievais, e têm trechos com pequenas montanhas. A paisagem é linda.

Porém, alguns trechos são extremamente estreitos, e de duas mãos. Outros, mal pavimentados. À noite, isso não é nada atraente. Pelo contrário: é perigoso.

A Via Chiantigiana, entre Siena e Florença, é a estrada mais famosa da Toscana. Sem acostamento, é repleta de belas vistas e passa pela região de Chianti, uma das áreas famosas pela produção de vinhos.

Evite perrengues à noite e tenha sempre GPS

Montepulciano - Rafaela Borges/UOL - Rafaela Borges/UOL
Imagem: Rafaela Borges/UOL

Estude bem seus caminhos. É desesperador decidir jantar em uma cidade e descobrir, apenas na hora de ir embora, que ela está a mais de uma hora de sua base, apesar de a distância ser de apenas 40 km.

Os tempos de viagem na Toscana são mais longos do que a quilometragem dá a entender. Como já expliquei, à noite é sempre ideal a rodovia principal, de pista dupla.

Porém, dependendo do local em que você estiver, chegar a essa rodovia pode levar um tempo que não vale a pena. Nesse caso, o jeito é ir pela pista simples.

Daí a importância de estudar o caminho antes de tomar decisões. Está hospedado em Cortona, mas quer jantar em Montalcino? Esqueça: a viagem vai levar mais de uma hora. Algo horrível à noite, quando já bate a exaustão de um dia de passeios.

Use o GPS do carro e o do celular. Eles podem mostrar caminhos diferentes. Por isso, tenha sempre internet. Não compre aqui no Brasil. Na Itália, você paga 25 euros na Tim por um plano de 20 GB. Dá e sobra, mesmo que sua viagem seja de mais de 15 dias.

Estacionamentos

Na Toscana, a estrutura de estacionamentos é boa, dependendo do local. Mas é preciso saber o que se está fazendo, porque na maioria dos centros históricos, há restrição para circulação de carros.

Sempre há lugar para parar nas cidades da Toscana. E sempre é preciso pagar. No geral, as tarifas são baixas - entre 1 e 4 euros, dependendo do local e tempo de permanência.

Ao chegar às cidades, procure sempre a placa azul com a sigla "P". Siga-a. Há áreas abertas, áreas fechadas sem catraca e com catraca.

Nas sem catraca, há sempre um totem para pagamento antecipado. Procure-o, calcule o tempo que pretende ficar na cidade ou vilarejo, faça o pagamento (com dinheiro ou moeda) e deixe o comprovante sobre o painel, à vista. Você não quer ter a surpresa de, após o passeio, notar que seu carro foi guinchado.

Pedágios

Se você for ficar só na região de Toscana, alugando um carro em Florença (leia mais abaixo), não precisará se preocupar com pedágios. Mas se a viagem for mais longa, como a minha, que partiu de Roma, fique atento às dicas abaixo.

De Roma até Cortona, minha primeira base na Toscana, são cerca de duas horas pela A1, rodovia com pedágio. Paga-se por km rodados.

Para isso, retira-se um ticket na saída de Roma. Ele será pago quando você deixar a rodovia. Paguei 12 euros por pouco menos de 200 km na rodovia.

Fique atento: há geralmente apenas uma (ou nenhuma) cabine com atendimento humano. Uma ou duas são dedicadas a pagamento eletrônico com moedas e notas de dinheiro. As demais são para Telepass (equivalentes a serviços como nosso Sem Parar) e cartões de crédito.

Evite as cabines dedicadas só a cartões. É bem comum o brasileiro, com chip e necessidade de inserir senha, não ser aceito. Aí, é uma tremenda confusão.

Reabastecimento

Abastecendo na Toscana - Rafaela Borges/UOL - Rafaela Borges/UOL
Imagem: Rafaela Borges/UOL

Cuidado também na hora de reabastecer. Muitos postos não têm nenhum ser humano para atender. Aconteceu um problema comigo: paguei antecipadamente (obrigatório), mas o combustível não foi liberado na bomba.

Recebi um ticket de reembolso. Porém, descobri que o reembolso só podia ser recolhido no mesmo posto, que só tem atendimento humano duas horas por dia. Isso inviabilizou o processo e fiquei no prejuízo.

E quem trabalha nos postos de mesma rede não quer nem saber, nem se interessa em ajudar. Aliás, cuidado: a comunicação em qualquer idioma que não seja o italiano em qualquer cidade da Toscana, inclusive Florença, é praticamente impossível fora dos hotéis (e de vez em quando, até neles).

A dica: priorize os postos com frentistas. São mais comuns na Itália que em outros destinos da Europa, como a França, em que praticamente não existem.

Para os apreciadores de vinhos, fica uma dica de ouro. Quase todas as grandes lojas de postos de rodovia têm garrafas de Brunello di Montalcino, um dos mais apreciados tipos da Itália, entre 15 euros e 20 euros. Impossível encontrar esses preços em outros locais, mesmo nas vinícolas e supermercados. O preço mínimo será sempre de 30 euros.

E na hora de fazer degustação de vinhos?

E por falar em vinhos, como aliar uma boa degustação à direção? Se você for apreciador, evidentemente vai visitar vinícolas em Montalcino, Montepulciano e na região de Chianti.

Se for fazer degustação, a dica é contratar um motorista - pergunte na recepção do hotel, que terá sugestões. As leis italianas são rígidas quanto à combinação entre álcool e direção.

Porém, há sempre a chance de você querer ir a vinícolas todos os dias. Nesse caso, vale investir no sistema motorista da rodada. Cada pessoa do grupo fica sem degustar vinhos um dia. Problema resolvido.

Onde alugar um carro

Meu ponto de chegada e partida da Itália foi Roma. E cometi um grande erro: decidi ir de carro da capital da Itália até a Toscana. Por isso, precisei ficar com ele em Florença.

Florença merece no mínimo quatro dias de estadia e é base obrigatória em uma viagem pela Toscana (leia mais abaixo). Porém, tudo o que você não quer enquanto estiver na cidade é um carro.

Não é permitido circular de automóvel no centro, o melhor lugar para se hospedar para curtir a cidade ao máximo. Há exceções: se seu hotel for na região, é possível usar um automóvel apenas para entrar e sair do centro.

Mas a missão é complicada. Há muitas pessoas rodando nas ruas. Além disso, os estacionamentos são caríssimos. O mais barato que encontrei custava 37 euros a diária. Em um dos hotéis em que me hospedei, saía por 60 euros.

A dica é chegar à Toscana pelo aeroporto de Florença, conhecer a cidade e depois, de carro alugado, partir rumo aos demais destinos da região. Ou deixar Florença para os dias finais, devolvendo o automóvel ao chegar na cidade.

Se estiver em Roma, vá de trem até Florença. Utilize a mesma estratégia do parágrafo acima para a viagem de carro.

Mas, e se estiver fazendo uma viagem mais longa pela Itália? Opte por alugar o automóvel em um local e devolvê-lo em outro. Florença deve ficar sempre para o início ou fim, para que você não tenha de se preocupar com um automóvel por lá.

Para verificar aluguel de carros, dá para pesquisar em reservar em sites como Rent Cars e Auto Europe, com opções de diversas locadoras.

Dicas importantes

Outro ponto importante é escolher bem o roteiro. Ele deve ser de duas cidades por dia, no máximo três, para uma viagem calma e relaxada. Privilegie as próximas umas das outras para conhecer em um dia.

Oito dias é o tempo mínimo para conhecer a Toscana - pelo menos quatro deles para Florença. Escolha uma outra base, para a parte em que a viagem será feita de carro.

Se quiser uma base apenas, então a opção é ficar fora (um pouco distante) do centro de Florença. Nesse caso, há alguns hotéis com estacionamento gratuito. Mas você terá de usar transporte coletivo nos dias de visita às principais atrações do centro do Renascimento.

Escolher um hotel do estilo agriturismo para a base da "road trip" é uma ótima opção. Há muitos nos arredores de Siena, o que pode ser a melhor pedida, pois a cidade concentra muitos bons restaurantes para o jantar - deixe para almoçar nos demais locais visitados.

Quando ir

Visitar a Toscana no verão pode ser incrível. É a época em que os girassóis são mais belos. Mas cuidado: grande parte da região é muito quente.

É bem cansativo subir as ladeiras das diversas cidades medievais com os termômetros acima dos 30 graus. A primavera, com temperaturas um pouco mais amenas, pode ser mais atraente.

Mas se você quiser insistir no verão - o que eu fiz, e não me arrependi -, a pressa deve ser ainda mais ignorada. Nesse caso, escolha um bom hotel agriturismo como base e curta as manhãs na piscina.

Deixe para sair mais tarde. Nessa época, os dias na Itália são muito longos. Em julho, por exemplo, escurece depois das 21h.

No passeio, faça paradas frequentes nos charmosos cafés presentes em qualquer cidade da região. Hidrate-se bem. Esbalde-se na deliciosa gastronomia italiana. Não economize nos "gelatos". Você vai conseguir compensar as calorias subindo as ladeiras das cidades medievais.

Roteiro

Palazzo Vecchio - Rafaela Borges/UOL - Rafaela Borges/UOL
Imagem: Rafaela Borges/UOL

Apesar de recomendar um agriturismo nos arredores de Siena, me hospedei em um nas imediações de Cortona (leia mais abaixo). Então, meu primeiro dia foi dedicado aos clássicos do cinema.

Cortona foi cenário do filme "Sob o sol de Toscana". A 20 km, Arezzo emprestou suas ruas para um dos mais famosos filmes da história do cinema italiano, "A Vida é Bela. A cada locação, há placas explicando o papel do local na história.

Vale ficar em Arezzo à noite, se sua base for na cidade ou não muito longe. A cidade é agitada, cheia de bares, alguns com música ao vivo. Tem também ótimos restaurantes.

As medievais Montepulciano e Montalcino foram os destinos do dia seguinte, após uma manhã na piscina do hotel. Entre elas, são cerca de 40 minutos de lindas estradinhas, com vinhedos, girassóis, muita arquitetura toscana e pontes.

Em Montepulciano, você vai se deliciar com queijos e lojas de trufas, visitar palácios e conferir mirantes com vistas inesquecíveis.

Montalcino também tem um lindo centro de estilo medieval. Fora dele, estão cerca de 200 produtoras de um dos vinhos mais famosos do mundo, o Brunello di Montalcino.

No dia seguinte, não houve piscina no hotel. Saí cedo para explorar Siena junto com as medievais medievais San Gemignano e Volterra. Os tempos de deslocamento entre uma e outra - e também de Cortona a Siena - variaram de 30 a 40 minutos.

Siena é um espetáculo de história, beleza e boa gastronomia. Ali, no centro histórico, não há só lojas de produtos típicos, como queijos, trufas e vinhos, mas também de famosas marcas de roupas, sapatos, maquiagens, etc.

A Praça Ill Campo é palco do famoso Palio di Siena - o nome dos dois carros da Fiat veio daí. A catedral já tentou competir com o famoso Duomo de Firenze. Renascentista, é magnífica.

Na manhã seguinte, foi a vez de explorar a via Chiantigiana, em direção à Florença. Se houver mais tempo, vá também a Luca. Já a Pisa merece ser visitada por causa da torre torta, espetacular.

Como a cidade fica fora de mão para quem vai de Siena a Florença, a melhor opção é usar o trem a partir da primeira, em bate e volta. Até porque, além da Torre de Pisa, não há muito mais para ver por lá.

Onde ficar

É quase um pecado visitar a Toscana em uma "road trip" e não se hospedar em um agriturismo. São hotéis rurais que produzem muito do que neles se consome. Alguns têm vinícolas. Outros fazem queijos e pães. Quase todos têm hortas.

São hotéis pequenos, de administração familiar, na maioria. Quase todos têm café da manhã e (importantíssimo) estacionamento gratuitos. Se for verão, nem pense em reservar um sem piscina.

Muitos agriturismos estão em prédios históricos e têm decoração clássica. Escolhi o Borgo Syrah, próximo a Cortona. Ele fica em uma vinícola e, além dos vinhedos, é rodeado por campos de girassol. Tem piscina de borda infinita, além de café da manhã e estacionamento gratuitos.

A propriedade é belíssima, com muitas áreas verdes, academia, spa e prédios de arquitetura toscana, inspirada em construções da Idade Média. As diárias partem de 170 euros em maio.

Nem pense em se hospedar em um agriturismo se não estiver de carro. Nesse caso, a locomoção será dificílima. Esse tipo de hotel é para quem está em uma "road trip".

Florença

Hotel Rocco Forte - Rafaela Borges/UOL - Rafaela Borges/UOL
Imagem: Rafaela Borges/UOL

Em Florença, me hospedei em dois hotéis. Um, de extremo luxo, é também um dos mais tradicionais da cidade, o Rocco Forte Savoy (diárias a partir de 520 euros em maio). Renovado em 2018, ganhou decoração no lobby e em outros ambientes com a colaboração da renomada casa de alta costura Emilio Pucci, que surgiu em Florença.

O hotel é ao lado da famosa Praça da República, vista de parte dos quartos e suítes (a partir de 50 metros quadrados). A decoração dos apartamentos é clássica e luxuosa, com imensos banheiros de mármore.

O ótimo restaurante Irene investe na gastronomia da região, e tem entre os destaques a famosa bisteca a florentina. Outro destaque do hotel é a bem equipada e grande academia.

Bem mais acessível (diárias a partir de 220 euros na mesma época), mas também com acesso rápido, a pé, às principais atrações de Florença, o Hotel Roma fica na praça Santa Maria Novella, região boêmia do centro da cidade. O lobby tem estilo antigão, mas os quatros são moderninhos e funcionais.

Fora do centro há opções mais em conta e com estacionamento gratuito. Entre eles estão os bem conceituados Starhotels Tuscany (170 euros em maio) e Nilhotel (111 euros). Os quatro-estrelas ficam a cerca de 4 km da região central.

Em relação às atrações de Florença, sua catedral mais importante, o Duomo, é considerada uma das mais belas e imponentes do mundo. E há diversas outras, como a que abriga os túmulos de Michelangelo e Galileu.

No quesito museus, a Galeria Uffizi é uma das mais visitadas do planeta. A Galeria da Academia é a morada de obras importantes como a famosa estátua de Davi, de Michelangelo. Há ainda museus e catedrais dedicadas aos mecenas de Florença, os Médici.

A cidade é um importante centro de compras, reunindo lojas das mais importantes e badaladas grifes do mundo. Há ainda o Mercado de San Lorenzo, especializado em artigos de couro italiano. Muitas peças têm belíssimo design, alta qualidade e ótimos preços.

Quanto à gastronomia, é riquíssima. Massas e sorvetes existem aos montes, mas o clássico da gastronomia é a bisteca a florentina. Aqui, você encontra uma Itália onde a carne é muito valorizada.

Só tome cuidado com as pegadinhas turísticas quando o assunto é gastronomia. Há muitas, pois Florença é uma das cidades mais visitadas do mundo. Fuja das opções no entorno do Duomo, por exemplo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.