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Jorge Moraes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Honda HR-V: nova versão do SUV será capaz de fazer rivais comerem poeira?

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Jorge Moraes

Jornalista, Jorge Moraes trabalha com o segmento automotivo desde 1994. Presente nos principais salões internacionais, é editor do caderno de Carros no Diário de Pernambuco, diretor e apresentador do programa Auto Motor na Band, e âncora do programa CBN Motor na rádio CBN Recife.

Colunista do UOL

05/07/2022 11h00

Muita coisa mudou no segmento dos SUVs compactos desde 2015, quando a Honda apresentou no Brasil o HR-V. O mercado era dominado praticamente por Ford Ecosport e Renault Duster, enquanto de Goiana (PE) saíam as primeiras unidades do Jeep Renegade - todos com apelo aventureiro no design e com opções de tração 4x4.

Eis que vêm os japoneses da Honda com um SUV de visual futurista (para a época) e essencialmente urbano. Foi uma revolução no segmento, que nunca mais foi o mesmo. Desde então, os SUVs compactos praticamente abandonaram o off-road e se dedicaram ao asfalto da cidade.

A Honda não espera uma revolução com a nova geração do HR-V que chega às ruas em agosto, afinal, a montadora usa a mesma fórmula de sete anos atrás, mas com um recheio de tecnologia e busca pela economia de combustível.

A questão é que, diferentemente do cenário de 2015, os rivais do HR-V se multiplicaram e evoluíram muito rápido, algo que a Honda demorou para fazer. Os sete anos de espera para mudar de geração podem ter custado caro para os japoneses.

Os seis SUVs compactos mais vendidos hoje no Brasil têm opção turbo: Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta, Chevrolet Tracker, Jeep Renegade, Fiat Pulse e Volkswagen Nivus (nessa ordem).

Só o Jeep não tem 1.0 e sim o 1.3 turbo. O apelo da eficiência no consumo de combustível ganhou muita força e isso está diretamente associado ao downsizing: redução do volume dos motores com tecnologias que garantem o menor consumo sem prejudicar (ou até melhorar) o desempenho do propulsor.

Além do turbo, outra tecnologia usada para essa fórmula é a injeção direta de combustível. Isso a Honda tem no motor 1.5 flex aspirado que puxa as unidades de entrada (EX e EXL) do novo HR-V. Com 126 cv, o motor está na média de potência do segmento se comparado com os propulsores de mil cilindradas. Ele perde para todos em relação ao torque com seus 15,8 kgfm no etanol e 15,5 kgfm com gasolina. E isso nós sentimos no primeiro contato com o HR-V EXL na pista de testes da Honda no Sumaré (SP).

Não estamos dizendo que o novo HR-V é manco e vai fazer feio na cidade. Mas as saídas e retomadas são menos ágeis no Honda e o grito do motor invade a cabine quando elevamos a rotação para gerar força. Esperamos o teste na cidade, no trânsito, para ver o real desempenho do HR-V no dia a dia.

O que já sabemos é que o motor que já puxa o novo City é muito econômico. Faz fácil uma média de 13 km/l na cidade quando abastecido com gasolina no sedã e não deverá ser muito diferente no SUV, um pouco mais pesado.

A vantagem da Honda em relação a alguns de seus rivais é que ela vai oferecer a opção de motor turbo que deverá deixar a turma do 1.0 comendo poeira. As versões Advance e Touring do HR-V serão puxadas pelo 1.5 de injeção direta, mas que agora será turboflex. A chegada está marcada para outubro

A Honda ainda não revelou os detalhes de desempenho da motorização renovada, mas levando em consideração que antes de ser flex ele entregava 173 cv de potência e 22,4 kgfm torque, pode apostar na melhora de todos os números, passando dos 180 cv.

Quando tiver com a gama completa sendo vendida, poderemos ter uma ideia melhor do desempenho do novo HR-V nas concessionárias. Haverá uma explosão de procura nesse primeiro momento pelo efeito novidade e por quem estava aguardando o lançamento para trocar de geração.

E não aposte em um HR-V barato. Isso ele nunca foi. Até mesmo em 2015 ele já era acima da média do segmento. As versões aspiradas, repletas de tecnologia de segurança e conectividade, devem ficar no patamar de valor das versões intermediárias ou topo de linha dos rivais.

Já a Touring deve chegar perto até mesmo do preço de alguns SUVs médios. Essa versão fará a transição entre o HR-V e o ZR-V, que chega no ano que vem para completar a gama de SUVs da Honda no Brasil.

O que é certo é que a vida do novo HR-V não será fácil no segmento mais disputado mercado automotivo brasileiro. A turma da Honda está otimista e deixou isso claro durante o pré-lançamento que participamos na fábrica. Produto para justificar esse otimismo eles têm. Basta saber como ele será posicionado na tabela de preços do segmento.

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* colaborou Bruno Vasconcelos para a coluna