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Coisa de Meninos Nada

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Airbag: como saber que carro seminovo não carrega uma 'bomba-relógio'

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Thais Roland

Thais Roland é técnica em Manutenção Automotiva e apaixonada pela graxa. Com seu canal no YouTube 'Coisa de Meninos Nada', busca informar, orientar e dar suporte em relação a dúvidas e neuras sobre o mundo dos carros

Colunista do UOL

05/07/2022 04h00

Tem muitas coisas que precisamos olhar em um carro seminovo antes de fechar negócio. Uma delas é o airbag, e não é tão simples essa verificação, dependendo do veículo que você está comprando.

O airbag passou a ser obrigatório no Brasil em 2014 e não existe uma regra, mas o consenso é que um carro pode ser considerado seminovo se tem até três anos e se a quilometragem está por volta dos 30 mil km. Sendo assim, qualquer carro seminovo que vocês resolvam comprar hoje já terá airbag.

Só que tem uma questão: se o carro já sofreu uma colisão que abriu as bolsas do sistema de segurança, isso pode ser um problemão. É possível reestabelecer o sistema trocando as bolsas, os cintos com os tensionadores e o módulo. Porém, pode ser que essa substituição seja tão custosa que não valha a pena e o carro é condenado, especialmente por seguradoras, que preferem dar perda total nele.

O destino desse carro deveria ser o desmonte (ou desmanche, como preferirem) e as peças em ordem voltariam ao mercado como itens de reposição, mas sabemos que nem sempre é assim. Às vezes esses veículos são recuperados e vendidos como seminovos - e quem compra pode não ter nem ideia de que está adquirindo uma "bomba-relógio".

A documentação aqui é o de menos. O problema maior é esse carro vir sem os itens do sistema de segurança e ter sido manipulado para ocultar essa informação. Isso é possível através de diversos recursos que as pessoas andaram inventando por aí. Coisas que enganam até o módulo do carro e um scanner, por exemplo, que vai conversar com o carro e não reportará nenhuma falha.

E aí? O que fazer?

Como eu disse, não é simples. Para ter certeza de que o sistema está em ordem é necessário levar o carro à oficina e conferir se as bolsas estão no lugar. Infelizmente, com todos os "esquemas" que usam para esconder o problema, não existe outro meio confiável de conferir, a não ser olhando mesmo e vendo as bolsas no lugar.

E o "não é simples" não acaba por aí. Tem que escolher bem quem fará essa verificação, pois desmontar o sistema sem saber o que está fazendo pode causar um sério acidente. Tirar o miolo do volante, por exemplo, sem tomar os cuidados para desativar o sistema de SRS, pode fazer a bolsa ser acionada e até matar o mecânico. Sim, pode matar quem está desmontando.

Pode não ser simples, mas é um cuidado extremamente importante no momento da compra, já que não será nada agradável descobrir que comprou um carro sinistrado quando sofrer um acidente e precisar da proteção dos airbags.

Quando um carro colide, mesmo não abrindo as bolsas, pode precisar de substituições, como os tensionadores e os próprios cintos de segurança, que sofrem avarias em alguns casos - como eu já tinha comentado com vocês por aqui.

É mais uma coisa para nos preocuparmos. Sei que é chato, mas ter um automóvel é um prazer e uma responsabilidade. O fato de ter tanta gente que não dá a devida importância para esta segunda parte é o que faz vermos tanta tragédia por aí. E eu não quero que vocês, que me acompanham por aqui, façam parte das estatísticas.

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