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Jorge Moraes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Por que Fiat Pulse pode mudar o patamar de preços de SUVs no Brasil

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Jorge Moraes

Jornalista, Jorge Moraes trabalha com o segmento automotivo desde 1994. Presente nos principais salões internacionais, é editor do caderno de Carros no Diário de Pernambuco, diretor e apresentador do programa Auto Motor na Band, e âncora do programa CBN Motor na rádio CBN Recife.

Colunista do UOL

21/10/2021 11h00

A divulgação dos preços da gama do Pulse pela Fiat surpreendeu muita gente. Diante de um mercado com acúmulo de aumentos e preços considerados exorbitantes, a chegada de um player com valores abaixo da média em todas as suas versões dá uma esperança de que podemos ter um novo patamar de preços, pelo menos entre as versões de entrada.

O que nos leva a essa suposição (ou expectativa) é o fato de que as marcas rivais não vão deixar a Fiat, com grande potencial de produção, navegar sozinha nessa fatia de oceano abaixo dos R$ 90 mil com um produto bem equipado.

Vale lembrar que o Pulse de entrada, com motor 1.3 aspirado de 109 cv e câmbio manual, sai de fábrica por R$ 79.990 com equipamentos que muitos de seus rivais não oferecem por menos de R$ 100 mil. Estamos falando de conjunto óptico em LED (frente, traseira e DRL), rodas de liga-leve, sensor de estacionamento traseiro, central multimídia de 8,4'' com espelhamento sem fio com o smartphone, monitoramento de pressão dos pneus e muito mais.

Só quem oferece uma lista de equipamentos semelhante nessa faixa de preço é a Caoa Chery com o Tiggo 2, por R$ 82.590, mas que não tem um volume expressivo de vendas no país por ser um projeto que precisa de renovação.

Entre os mais vendidos, temos como versões mais baratas valores bem superiores ao do Pulse Drive MT. Podemos citar o Volkswagen T-Cross Sense 200 TSI AT6 por R$ 97.290, Jeep Renegade STD 1.8 flex AT6 por R$ 96.990, Renault Duster Zen 1.6 MT por R$ 94.690 e Nissan Kicks 1.6 MT por R$ 99.190. É algo entre R$ 15 mil a R$ 20 mil a mais.

E, quando olhamos a lista de equipamentos dessas versões de entrada dos SUVs compactos, a vontade é de chorar. Estamos falando (na maioria deles) de rodas de aço, console sem central multimídia ou aparelho de som, para-choque traseiro sem sensores e por aí vai?

Se pegarmos uma fatia apenas com modelos turbinados, o Pulse entra nessa briga com o Drive 200 Turbo por R$ 98.990 com aqueles equipamentos que falamos antes e mais uns mimos. É praticamente o valor que a Volks cobra pelo T-Cross Sense - que tem um porte maior que o Pulse - mas é bem "pelado".

Nesse caso, pelo nível de equipamentos, os concorrentes mais próximos seriam o Chevrolet Tracker 1.0 turbo com câmbio manual de seis marchas por R$ 103.780 e o Volkswagen Nivus Comfortline 200 TSI AT6 por R$ 105.120. Mais uma vez, o Pulse tem uma boa diferença no preço e é melhor equipado.

Não espere, mesmo diante de tudo isso que apresentamos, que o Pulse será o herói responsável por uma avalanche de queda de preços no segmento dos SUV compactos. O que podemos e devemos ver são as montadoras correndo para criar produtos ou versões dos modelos existentes que possam enfrentar o Pulse de frente. Se não fizerem isso, vão ter que ver a Fiat chegar na liderança do segmento mais concorrido de nosso mercado já nos primeiros meses de 2022.

* Colaboração de Bruno Vasconcelos para a coluna

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL