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Jorge Moraes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Por que Ecosport deu adeus ao Brasil, mas ainda é vendido na Argentina

Jorge Moraes

Jornalista, Jorge Moraes trabalha com o segmento automotivo desde 1994. Presente nos principais salões internacionais, é editor do caderno de Carros no Diário de Pernambuco, diretor e apresentador do programa Auto Motor na Band, e âncora do programa CBN Motor na rádio CBN Recife.

Colunista do UOL

16/06/2021 13h25

O fechamento das fábricas da Ford no Brasil tirou de nosso mercado o Ecosport e as variantes hatch e sedã do Ka. As plantas também abasteciam outros mercados sul-americanos, como o argentino.

Mas, se por aqui a marca não cogita mais trabalhar com modelos compactos de entrada por ter mudado seu posicionamento no mercado nacional, no país vizinho o Ecosport continua sendo vendido, só que agora importado da distante Índia.

O Ecosport indiano para exportação é praticamente igual ao que era produzido na fábrica de Camaçari, na Bahia. O modelo que chega aos hermanos não tem, entretanto, a versão com motor 2.0 e tração 4x4, vendida aqui como Storm.

A Ford Argentina oferece três versões do Ecosport apenas com motor 1.5 de três cilindros com 123 cv de potência e 15,1 kgfm de torque com opções de câmbio manual ou automático. A tração é sempre dianteira. Só lembrando que o Ecosport indiano para o mercado interno tem o volante no lado direito.

O Ecosport que saía de Camaçari para Buenos Aires não pagava imposto de importação devido ao acordo comercial entre os dois países integrantes do Mercosul. Para trazer o SUV da Índia, entretanto, a Ford precisa pagar 35% de tarifa alfandegária, o que deixou o modelo, em média, 5% mais caro que o brasileiro.

Os preços variam de 2.195.000 pesos, ou R$ 116 mil na versão SE manual, a assustadores 2.736.000 pesos, ou R$ 145 mil na cotação desta terça-feira (15). Imagina vender um SUV compacto com câmbio manual por R$ 116 mil? Claro que a conversão direta das moedas não dá o real sentido de valor para os bolsos dos hermanos, mas mesmo assim assusta.

Diante desses preços, será que valeria a pena a Ford trazer o Ecosport indiano para o Brasil? Definitivamente, não. A montadora não conseguiria volume para fazer valer a importação taxada, muito menos equiparar os preços com seus principais rivais (que já estão bem caros). Seria impossível manter, por exemplo, os valores da linha 2021 do Ecosport brasileiro nas unidades vindas do continente asiático.

É importante ressaltar que o Ecosport é muito querido pelos argentinos. O compacto da Ford foi o segundo colocado entre os SUVs no ano de 2020, perdendo apenas para o Volkswagen T-Cross. Isso também justifica o esforço da Ford para transportar o carro lá da Índia para seguir vendendo aos hermanos.

* Colaborou Bruno Vasconcelos

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL