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Triatleta biamputada diz que desfilar pela Vai-Vai será realização de sonho

Adriele da Silva teve as duas pernas amputadas após sofrer septicemia  - Instagram/Reprodução
Adriele da Silva teve as duas pernas amputadas após sofrer septicemia Imagem: Instagram/Reprodução

Janaína Nunes

Colaboração para o UOL

05/01/2018 15h13

A triatleta Adriele Silva, 30 anos, vai realizar neste ano um sonho antigo: desfilar em uma escola de samba. A escolhida foi a Vai-Vai, por quem sentiu amor à primeira vista. No final de ano passado, ela esteve em um ensaio, sambou e recebeu o convite para desfilar. Seu retorno à quadra para acertar detalhes será neste domingo (7). Tudo perfeito se não fosse um dilema: não sabe se irá de tênis ou de salto alto. Se para quem tem experiência na arte de sambar essa dúvida é cruel, tente imaginar para a atleta que usa próteses nas duas pernas.

Adriele será a primeira biamputada a desfilar numa escola de samba de São Paulo e está ansiosa, claro. “Prefiro acreditar que fui escolhida não só para estar na Vai-Vai como também pela vida. Tive uma septicemia (infecção generalizada) grave, que evoluiu rapidamente por conta de negligência médica em 2012. Quase morri e precisei amputar as duas pernas. Foram 64 dias na UTI. Em 2013, coloquei as próteses, tive de reaprender a andar, comecei a praticar esportes para me reabilitar”, conta.

Adriele da Silva triatleta biamputada de biquíni - Instagram/Reprodução - Instagram/Reprodução
Triatleta passou 64 dias na UTI para se recuperar de infecção
Imagem: Instagram/Reprodução

Dois anos depois, a jovem entrou para o triatlo (esporte que combina ciclismo, natação e corrida) e passou a viajar para lugares que não esperava. “Minha vida mudou completamente. Claro que se pudesse escolher estaria com minhas pernas, mas tive muita sorte”, lembra a jovem.

Em 2017, Adriele se tornou a primeira mulher com duas próteses a disputar o Ironman, competição do triatlo de longa distância. “Foi o primeiro sonho que realizei no ano passado. O outro era voltar a andar de salto alto. Consegui usá-lo justamente quando fui até a quadra da Vai-Vai. Amei e até sambei, mas não foi fácil porque a sandália é de madeira. A prótese que uso no dia a dia (com tênis) é feita de fibra de carbono, é muito mais confortável. Agora estou na dúvida de qual modelo usar domingo”, diz.

Adriele da Silva triatleta biamputada correndo na praia - Instagram/Reprodução - Instagram/Reprodução
Em 2017, Adriele se tornou a primeira mulher com duas próteses a disputar o Ironman
Imagem: Instagram/Reprodução

Assim que ganhou a sandália, a atleta foi ao Bixiga a convite de um programa de TV para mostrar sua desenvoltura e acabou chamando a atenção dos integrantes e da direção da escola, que logo lhe fez o convite. “Na verdade, foi uma convocação”, diverte-se.

Será a estreia da paulista no sambódromo e ela nem hesitou ao aceitar porque, segundo ela, o enredo da escola, "Sambar com Fé Eu Vou", que vai homenagear o cantor Gilberto Gil, lhe caiu como uma luva.

“Só voltei a andar novamente porque tive muita fé e força de vontade. Comprei minha primeira prótese com o seguro de vida. Logo depois que virei atleta, consegui patrocínio e ganhei mais duas. Tenho uma vida adaptada a minha condição física e posso dizer que sou muito feliz. A fé, como diz a letra do Gil, não costuma falhar mesmo, por isso vou desfilar. O homenageado é ele, mas a música é para mim”, finaliza.

A Vai-Vai ainda não revelou em que setor da escola a triatleta irá desfilar nem o tipo de fantasia que ela deverá usar. Segundo a assessoria da agremiação, o segredo será revelado no próximo domingo.