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Danuza Leão tinha enfisema pulmonar; entenda doença e principais sintomas

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Imagem: Reprodução

De VivaBem*, em São Paulo

23/06/2022 12h39

Morreu, na noite desta quarta-feira (22), a jornalista, escritora e ex-modelo Danuza Leão, aos 88 anos. Ela estava internada na Clínica São Vicente e, segundo a GloboNews, ela sofria de enfisema pulmonar e teve insuficiência respiratória.

A doença que afetava Danuza é considerada um tipo de DPCO (doença pulmonar obstrutiva crônica) na qual os alvéolos, as bolsinhas de ar dos pulmões, se danificam e como consequência o corpo não recebe o oxigênio necessário.

"É uma doença bastante comum, prevenível e tratável. Caracteriza-se por uma inflamação nos brônquios que leva a uma redução da passagem de ar (bronquite). Também acarreta uma destruição dos alvéolos pulmonares, substituindo os tecidos pulmonares por grandes vazios (enfisema pulmonar)", destaca Frederico Fernandes, presidente da SPPT (Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia).

É comum ocorrer períodos de "exacerbação", ou seja, uma piora aguda da condição pulmonar e dos sintomas. Isso causa grandes riscos para a pessoa com DPOC. A doença geralmente acomete pessoas acima dos 50 anos, mas também pode atingir adultos jovens.

Quais os sintomas?

Eles variam de leve a muito grave. A respiração fica cada vez mais difícil conforme a evolução da doença. "Os sintomas podem perdurar por meses ou anos. Há falta de ar e cansaço inicialmente ao realizar algum esforço. Mas é uma doença progressiva que causa crises e suscetibilidade maior no indivíduo para infecções respiratórias", afirma Mônica Corso, professora de pneumologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Muitas vezes, o cansaço é atribuído a idade, já a tosse com secreção é vista como um "pigarro normal", principalmente por quem fuma. Isso leva a um atraso no diagnóstico, o que compromete a qualidade de vida e aumenta a mortalidade. Por isso, é importante ficar atento aos sinais e sintomas.

Veja, a seguir, quais são os principais:

  • tosse frequente com ou sem catarro;
  • falta de ar;
  • respiração ofegante;
  • aperto ou chiado no peito;
  • cansaço;
  • infecções respiratórias frequentes;
  • demorar mais tempo para expirar do que inalar.

"A maioria das pessoas não tem a menor ideia do que DPOC signifique. A alta mortalidade da doença é um fator importante, mas ela leva a uma intensa perda de capacidade funcional fazendo com que ocorra uma diminuição na qualidade de vida. A pessoa passa a depender de medicações e tratamentos para recuperar sua funcionalidade, às vezes, por toda vida", explica Fernandes.

Quais são as causas do enfisema?

O principal fator de risco é o tabagismo —cerca de 85% dos casos ocorrem por causa dele. Por isso, fumantes (e também passivos) e ex-tabagistas estão entre os mais atingidos pela DPOC. Estima-se que cerca de um a cada cinco fumantes desenvolve a doença. Isso ocorre porque as partículas e os gases tóxicos do tabaco causam inflamações nos pulmões.

Mas não é apenas o cigarro que pode causar o problema. "A queima do tabaco em outros dispositivos como cachimbos, charutos ou narguilé também são prejudiciais à saúde e aumenta as chances da doença. Além disso, quem está exposto frequentemente a poluição atmosférica, fumaça tóxica e produtos químicos fica mais suscetível", diz Celso Padovesi, pneumologista da rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Há também casos de pessoas com predisposição genética para a DPOC. Acredita-se que 5% dos indivíduos com a doença tenham deficiência de uma proteína chamada alfa-1-antitripsina.

Quem tem asma ou outras condições respiratórias também está mais suscetível à doença. E algumas profissões expõem trabalhadores a fatores de risco para a DPOC —é o caso de quem trabalha com produtos químicos, gases e poeira sem proteção. Ao inalarem esses poluentes com frequência, comprometem seriamente os pulmões.

Tem tratamento?

Após a identificação da doença, recomenda-se que a pessoa pare de fumar, caso ainda use cigarro. Essa é a única forma de evitar a rápida progressão da doença e preservar o pulmão. Alguns fumantes demoram para buscar ajuda médica, pois acreditam que os sintomas como tosse e falta de ar são decorrentes do tabagismo, o que agrava ainda mais a situação.

Para quem sente falta de ar, são indicados medicamentos inalatórios (popularmente conhecidos como "bombinhas"). Eles ajudam a relaxar os músculos próximos das vias respiratórias, o que facilita a passagem de ar. Já os medicamentos como corticoides diminuem as inflamações e retardam a lesão pulmonar.

Também é preciso manter a vacinação em dia, especialmente a vacina pneumocócica (contra a pneumonia) e a influenza. Essa atitude reduz as chances de desenvolver uma DPOC devido a uma infecção pulmonar. Em alguns casos, indicam-se medicamentos especificamente para reduzir a taxa de "exacerbações" visando aumentar a qualidade de vida.

* Com informações de reportagem publicada em 30/11/2020.

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