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Medo do frio, de poeira: 9 fobias incomuns que você não sabia que existiam

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Imagem: iStock

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

28/07/2021 04h00

Todo mundo já viveu uma situação em que ficou apreensivo, com medo ou angustiado. Os sintomas são claros: sudorese, ruborização (aquele famoso "calor" nas bochechas), taquicardia e respiração acelerada. Tudo isso é normal: quando encontramos uma situação que nosso cérebro encara como ameaça, ele nos prepara para fugir ou lutar —e todas essas sensações fazem parte dessa preparação fisiológica. O "leão" que nos espera pode ser uma entrevista de emprego, uma apresentação para o chefe, um encontro amoroso ou até um encontro inesperado com uma barata, por exemplo.

O problema é que, para algumas pessoas, essa apreensão se transforma em pânico. A angústia vira um medo irracional que impede o indivíduo de sair de casa ou o faz evitar certas situações. É o que os médicos chamam de fobia, palavra que vem do grego "phobos" e que significa "medo".

Tipos de fobias

As fobias podem ser divididas em três tipos:

  • Agorafobia: é o medo de lugares ou situações que provoquem pânico ou constrangimento, provocando ataques de pânico. A pessoa acaba evitando lugares e situações em que possa se sentir sozinho e sem possibilidade de escapar de forma fácil, como locais com aglomeração e transporte público. Em muitos casos, o quadro está associado a outros transtornos, como o de ansiedade e pânico, e também à depressão.
  • Fobia social: quando o medo está relacionado às interações sociais do indivíduo e às situações do seu contexto social. Por exemplo: medo de falar em público ou de fazer contato visual com outros colegas no trabalho. Nesse caso, a angústia vem pelo receio do julgamento que os outros farão, causando grande prejuízo emocional para o indivíduo.
  • Fobias simples ou específicas: são consideradas mais "simples" pois o objeto ou situação que provoca o medo são bem delimitados. Elas também se dividem em cinco subcategorias: animais (aranha, baratas etc.); ambientes naturais e relacionados (tempestades, medo do escuro); sangue/injeção/ferimentos (cortes e ossos quebrados, por exemplo); situações específicas (dirigir ou andar de avião, por exemplo); e outros (que não se encaixam nas categorias anteriores, como vomitar, medo de palhaço etc.).

Existe uma lista oficial de fobias?

Não. Virtualmente, qualquer situação ou objeto pode provocar um medo exacerbado na pessoa —a fobia pode ser desencadeada por um trauma, mas é comum também que ela comece sem causa aparente. Mas existem algumas que são conhecidas e possuem casos relatados na literatura médica, como a hidrofobia (medo de água), aracnofobia (medo de aranhas), acrofobia (medo de altura) e ofidiofobia (medo de cobras). Outras, no entanto, são bastante inusitadas. Confira:

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Tafofobia

É o medo de ser enterrado vivo. Esse pesadelo da vida real tem fundo especialmente a partir de histórias em que pessoas que foram consideradas mortas, mas experimentavam alguma condição médica que as deixavam apenas aparentemente sem vida, acabaram sepultadas e despertando já debaixo da terra. Essa é, aliás, uma das origens presumidas da prática do velório —uma forma de garantir que o falecido estava, de fato, morto.

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Criofobia

É o nome dado ao medo do frio. Parece simples, mas é uma fobia bastante complexa. Isso porque o medo pode ser provocado tanto pela sensação ambiente de frio como ao tocar objetos gelados (como metais). Além disso, a noção do que é frio é bastante subjetiva, fazendo com que não exista um padrão claro do gatilho para uma crise.

A criofobia se encaixa nas fobias relacionadas ao ambiente natural junto com outras como astrofobia (medo de tempestades), nefofobia (medo de nuvens) e ombrofobia (medo da chuva), entre outras. De acordo com a Associação Americana de Psiquiatria, esse tipo de fobia é uma das mais comuns dentro da categoria de fobias específicas, atingindo entre 9% e 12% dos pacientes que relatam o problema.

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Numerofobia

Essa fobia acontece quando o indivíduo tem pânico em lidar com números —durante uma aula de matemática ou fazendo contas em casa, por exemplo. Há casos, inclusive, que o paciente evita ler estatísticas e até estudos científicos por não querer lidar com os números envolvidos.

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Alectorofobia

É o medo irracional de galinhas. Em 2016, um time de especialistas na Índia tratou com sucesso uma jovem de 18 anos que desenvolveu uma fobia desses animais após um encontro malsucedido na infância. O pânico era tanto que ela começou a apresentar sintomas de ansiedade ao jantar fora e ver pratos feitos com frango.

O medo de animais com pena também é descrito por quem sofre de ornitofobia —aqui, envolvendo aves no geral, especialmente pombos e patos (animais comuns nos centros urbanos e áreas rurais, respectivamente).

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Amatofobia

Medo irracional de poeira. Um estudo americano mostrou que bibliotecários —muitas vezes envolvidos com livros empoeirados —eram mais propensos a desenvolver essa fobia, além de claustrofobia (medo de espaços fechados).

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Motefobia ou lepidopterofobia

Provocada pelo medo de borboletas e mariposas. Obviamente, esses animais são inofensivos. Mas podem provocar sentimentos de ansiedade e pânico nas pessoas que tem a fobia.

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Coulrofobia

É o medo anormal de palhaços. É bastante comum em crianças, que podem considerar as cores chamativas da fantasia muito assustadoras. Ele também está associado ao medo do imprevisto, já que os intérpretes costumam criar números improvisados para fazer rir.

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Globofobia

É o medo de chegar perto de balões. Um estudo publicado no periódico britânico BMJ afirma que esse tipo de fobia pode nascer após experiências traumáticas na infância.

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Fobofobia

É o medo de sentir medo. Parece confuso? Pois o quadro cria na pessoa uma necessidade de hipervigilância para situações que podem provocar medo ou pânico, provocando uma ansiedade bastante importante.

Quando procurar ajuda?

Assim como em qualquer caso de transtorno mental, o indivíduo deve procurar ajuda especializada quando experimentar grande sofrimento emocional e psicológico ou se estiver enfrentando perdas importantes no contexto social.

Uma pessoa que evita jantar com amigos por medo de determinada comida ou que deixa de realizar atividades importantes (como ir ao médico ou fazer uma cirurgia) por medo de uma situação ou objeto deve buscar entender as razões que estão levando a despertar esses sentimentos.

Nem todo mundo, no entanto, precisa de tratamento: para algumas pessoas, é perfeitamente possível evitar a situação ou o objeto que desperta pânico e seguir vivendo de forma plena, sem nenhum prejuízo social. E não há problema nisso.

No geral, o tratamento é realizado com sessões de terapia comportamental e, em casos mais graves, há a indicação de uso de antidepressivos e ansiolíticos. Os casos mais complexos, no entanto, têm relação com a agorafobia e a fobia social, que comumente estão associados a outros transtornos (como de ansiedade e depressão) e possuem uma causa multifatorial, tornando o tratamento mais demorado.

Fontes: Álvaro Cabral Araújo, psiquiatra, pesquisador e colaborador do Programa Ansiedade do IPq (Instituto de Psiquiatria) do Hospital das Clínicas da FMUSP (faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo); Fábio Gomes, psiquiatra do Hospital Universitário Walter Cantídio (da Universidade Federal do Ceará), que faz parte da Rede Ebserh; Leonardo Majdalani, psicólogo hospitalar do Hospital Universitário da Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco), que faz parte da Rede Ebserh.

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