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Conheça 6 doenças perigosas que foram controladas com vacinas

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Alexandre Raith

Colaboração para VivaBem

26/07/2021 04h00

Há alguns séculos, diversas doenças que hoje estão controladas eram consideradas um problema de saúde pública. Surtos de sarampo, rubéola e coqueluche, por exemplo, eram comuns e desafiavam os governos e a comunidade médica, que buscavam estratégias para conter a transmissão das enfermidades.

Mas a realidade atual é outra, e a maioria dessas doenças está controlada. O ponto de virada foi a imunização massiva da população —que reduziu o número de indivíduos vulneráveis aos patógenos e, com isso, fez com que as doenças fossem, aos poucos, desaparecendo ou ao menos com número de infectados bastante reduzido.

Só que conseguir a adesão da população não é e nunca foi tarefa fácil. Você já deve ter ouvido falar de uma tal Revolta da Vacina, certo? O conflito aconteceu no Brasil em 1904 e, naquela época, foi incitado por pessoas que acreditavam que a vacina deixaria as pessoas com feições bovinas. Tudo porque o imunizante era feito a partir de pústulas de vacas doentes.

Felizmente, isso não foi suficiente para impedir a vacinação e a varíola foi erradicada no Brasil em 1971 (mais tarde, no mundo também). Quatro anos depois, iniciaram-se as atividades do PNI (Programa Nacional de Imunizações), com o intuito de estimular e avançar a cobertura vacinal para diversas doenças importantes como a poliomielite (paralisia infantil), eliminada em 1989 depois de uma intensiva campanha iniciada no início da década.

O plano de monitorar, combater e controlar outras doenças seguiu-se nos anos seguintes. Até hoje, o calendário básico de vacinação contempla a proteção contra diversas doenças para as quais as vacinas são oferecidas de forma gratuita nos postos de saúde do SUS (Sistema Único de Saúde).

Mesmo assim, a cobertura vacinal no Brasil tem deixado a desejar e se tornado perigosamente baixa. Segundo o Ministério da Saúde, 88,40% da população indicada foi vacinada contra a hepatite B em 2018. Em 2020, no entanto, a taxa caiu para 62,97%.

O mesmo aconteceu com a BCG, que previne tuberculose: a taxa de imunização foi de 99,72%, em 2018, para 73,38% em 2020. Ambas devem ser administradas até o primeiro mês de vida da criança.

Lembre-se: a vacina ajuda o sistema imunológico a estabelecer meios de defesa contra agentes infecciosos. Portanto, a queda vacinal pode provocar o retorno de surtos antes controlados. Conheça a seguir algumas doenças que foram controladas no Brasil graças à vacinação.

sarampo - iStock - iStock
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Sarampo

Na década de 1970, o sarampo figurava entre as principais causas de óbito dentre as doenças infectocontagiosas em menores de cinco anos. Considerada altamente contagiosa, a doença é transmitida por um vírus que se propaga pelo contato direto ou pelas vias aéreas —basta que a pessoa infectada respire, tussa ou espirre. A doença evolui de forma rápida e pode ter complicações graves, principalmente entre crianças pequenas.

Em 1986, a taxa de incidência do sarampo chegou à elevada marca de 97,7 casos por 100 mil habitantes, devido ao registro de 129.942 contágios confirmados. Mas o aumento da cobertura vacinal com as vacinas tríplice e tetra viral gerou uma queda brusca no número de casos e óbitos nas décadas seguintes e ainda alterou a faixa etária mais atingida pelo sarampo, que passou a ser os menores de 15 anos, na década de 1990.

Até 2016, a doença era considerada sob controle no Brasil. Contudo, em 2017, países da América do Sul começaram a registrar surtos da doença e, em 2018, o Brasil teve mais de 10 mil casos confirmados. Com a cobertura vacinal em baixa, o sistema de vigilância epidemiológica segue acompanhando a situação e adotando medidas de prevenção. Até maio de 2021, o país registrou 456 casos.

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Rubéola

A eliminação da rubéola no Brasil foi confirmada em 2015, depois de décadas de esforços para combater a doença. Em 1997, por exemplo, foram notificados cerca de 30 mil casos, e os surtos seguiram até 2001. Com o aumento da circulação do vírus, o plano de vacinação (feito também com a tríplice ou tetra viral) se intensificou e, em 2002, houve uma queda de 95%.

Mas novos surtos aconteceram nos anos seguintes. Entre 2006 e 2007, houve um aumento de 80% das notificações, com quase 7.000 casos. Novo reforço da campanha de vacinação resultou em nova redução: 73,6%, quando comparado a 2007. O último registro confirmado é de 2008, ano em que foram vacinadas 67,9 milhões de pessoas.

Assim como o sarampo, a rubéola causa febre, mal-estar e lesões avermelhadas pelo corpo, mas de forma mais leve. O problema é que o vírus é responsável por causar a SRC (síndrome da rubéola congênita), condição que acomete recém-nascidos de mães que contraíram o vírus durante a gestação e pode acarretar em surdez, cegueira e atraso no desenvolvimento da criança, entre outras sequelas.

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Meningite

Trata-se de uma inflamação provocada principalmente por bactérias e vírus nas meninges, membranas de tecido conjuntivo que envolvem o cérebro e a medula espinhal. A doença é bastante contagiosa e pode deixar sequelas como surdez, dificuldade de aprendizagem, crises de epilepsia e comprometimento cerebral.

No período de 2007 a 2020, foram confirmados 265.644 casos, com taxa de letalidade de 21%. Mas a introdução da vacina meningocócica C fez o coeficiente de incidência da doença cair de 1,5 caso por 100 mil habitantes para 0,4 entre 2017 e 2020.

A influência da imunização é constatada também em relação à meningite pneumocócica: antes da vacina pneumocócica 10-valente (2007-2009), menores de cinco anos de idade representavam 34% do total de contágios.

Este índice baixou para 17% entre 2011 e 2020. O SUS oferece a imunização contra a meningite C para crianças; e a vacina contra os tipos A, C, W e Y está disponível para adolescentes de 11 e 12 anos. A ACWY pode ser aplicada em crianças na rede particular, assim como a vacina da meningite B.

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Tuberculose

A doença é um grave problema de saúde pública desde o século 18, quando a Europa registrou milhares de mortes, situação que também era a do Brasil nos 1900. A produção da vacina e o início da imunização ocorreram em 1930.

Na década seguinte, surgiram os medicamentos para o tratamento da doença, considerada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) a doença infecciosa mais mortal no mundo. São 10 milhões de casos por ano e mais de um milhão de óbitos.

No Brasil, em 2020, 4.500 pessoas morreram e 66.819 foram infectadas, o que representa uma queda de 16% na notificação de casos novos, em comparação a 2019. Já o número de óbitos caiu de 4.881 em 2008 para 4.490 em 2018. Uma redução de 8% na taxa de mortalidade, graças ao plano nacional de imunização contra a tuberculose iniciado em 2017 e que usa a vacina BCG.

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Febre amarela

O último surto da doença no Brasil começou em dezembro de 2016 e se alongou pelo ano seguinte. Segundo a OMS, foram confirmados 778 casos e 262 mortes. Já entre 2017 e 2018, outras 1.376 infecções e 483 óbitos. Comum na floresta amazônica, o vírus dessa vez se alastrou pelas regiões sul e sudeste, em áreas de Mata Atlântica.

Com o agravamento da doença, o Ministério da Saúde iniciou em 2018 uma campanha para vacinar 80 milhões de pessoas. Deu certo: entre julho de 2020 e janeiro de 2021, segundo o Ministério da Saúde, nenhum caso foi registrado.

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Hepatite

Depois de uma década de queda, o número de casos de hepatite A voltou a crescer no Brasil em 2017. São Paulo (694) e Rio de Janeiro (119) apresentaram os maiores números de infecções. No entanto, houve uma relevante redução de 83% no período. A taxa de incidência passou de 6,2 casos em 2008 para 1 por 100 mil habitantes em 2018. No ano seguinte, caiu ainda mais, para 0,4.

No entanto, a adesão à vacina se mostra baixa em relação à hepatite B, que ainda apresenta um alto nível de infecções. No período de 1999 a 2018, foram 233.027, com média de 6,7 casos para cada 100 mil habitantes, bem acima da registrada pela hepatite A.

Em 2019, pessoas de 60 anos ou mais registraram o maior percentual de casos de hepatite B (14,6%) e a maior taxa de incidência (7,3). A vacina previne contra os tipos A, B e D —exceto para a C.

Fontes: Sônia Maria de Faria, membra do Departamento Científico de Imunizações da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria); Gisele Zuvanov Casado, membra do Departamento Científico de Imunização da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), com atuação em Maceió (AL); Raquel Stucchi, consultora da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia); SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações); Ministério da Saúde e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

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