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Por que algumas vacinas imunizam para sempre e outras precisam de reforço?

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Imagem: iStock

Renata Turbiani

Colaboração para VivaBem

19/07/2021 04h00

Pelo calendário nacional de vacinação proposto pelo PNI (Programa Nacional de Imunização), do Ministério da Saúde, estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde) cerca de 15 tipos de vacinas para mais de 20 doenças. Dessas, algumas são de dose única e outras precisam de várias aplicações, separadas por semanas ou meses, e até reforços ao longo da vida.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), "isso, por vezes, é necessário para permitir a produção de anticorpos de longa vida e o desenvolvimento de células de memória". Dessa forma, o corpo fica preparado para combater o patógeno causador da doença e lutar contra ele em uma eventual exposição.

Mas o que explica o fato de que alguns imunizantes têm uma cobertura prolongada e outros não? Akira Homma, assessor científico sênior do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), diz que a resposta está nos componentes da formulação e na técnica utilizada na fabricação do produto.

"Tudo depende da qualidade da vacina, do antígeno que se coloca e de como ela é produzida. Essa combinação pode deixá-la mais ou menos potente e proteger por mais ou menos tempo", explica.

O especialista acrescenta que, de modo geral, as vacinas que conferem uma resposta imunológica mais forte e duradoura são as atenuadas, como a da poliomielite e febre amarela, e as conjugadas mais recentes (por exemplo, a indicada para a prevenção de doenças causadas por bactérias do sorogrupo meningococo C, incluindo meningite e meningococcemia).

No caso das primeiras, elas possuem uma pequena quantidade do agente infeccioso vivo —mas extremamente enfraquecido, de forma que ele não tem capacidade para produzir a enfermidade— e estimulam o sistema imune a produzir anticorpos de forma semelhante ao que acontece quando há exposição natural ao patógeno.

Já as vacinas conjugadas são turbinadas com polissacarídeos e proteínas, formando uma combinação que promete aumentar a resposta imune do organismo.

Nível de anticorpos diminui ao longo do tempo

Representação de anticorpos, sistema imune - iStock - iStock
Imagem: iStock

Alguns imunizantes também precisam de uma espécie de "renovação" para funcionarem bem, como no caso das vacinas contra o tétano e a difteria.

Nesses casos, com o passar do tempo, é normal que ocorra uma queda na proteção imunológica. É como se as nossas células de defesa perdessem a memória adquirida anteriormente e precisassem ser relembradas de como combater aquele invasor.

"Por meio das vacinas, buscamos justamente expor o organismo a um pedaço do patógeno do qual se quer proteger, para que ele aprenda como combater a infecção. Mas essa memória pode ser enfraquecida", diz o infectologista André Giglio Bueno, professor da disciplina de infectologia da Faculdade de Medicina da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Campinas, titular do Hospital e Maternidade Celso Pierro e coordenador da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar da Santa Casa de Vinhedo, no interior de São Paulo.

De acordo com o médico, que ainda acumula a função de curador da plataforma científica HubCovid, é natural que haja uma queda no nível de anticorpos ou na capacidade de resposta do corpo com o avanço da idade.

"Conforme envelhecemos, o nosso sistema imunológico também envelhece. Apesar de faltarem estudos, é bem provável que os idosos tenham nível de proteção menor do que os mais jovens", acredita.

E há mais duas explicações sobre os porquês de certos imunizantes exigirem mais de uma dose. A primeira é que existem agentes infecciosos que passam por mudanças estruturais. É o que acontece com o vírus da gripe (influenza). Como ele tem a capacidade de se modificar com frequência, novas vacinas precisam ser produzidas todos os anos com as cepas mais prevalentes no período.

A segunda é por conta de eventuais necessidades epidemiológicas, ou seja, quando surgem surtos de alguma enfermidade que possa ser prevenida com as vacinas, como os que aconteceram no Brasil com a caxumba, em 2016, e o sarampo, em 2018.

Bueno aponta que os esquemas de vacinação são abertos e passíveis de ajustes, sujeitos ao padrão de circulação das doenças e da distribuição delas nas populações. Por isso, é fundamental que os órgãos de saúde nacionais e internacionais mantenham uma observação contínua e intensa.

Covid-19: sobram dúvidas e faltam respostas

No momento, todas as atenções estão voltadas para as vacinas contra a covid-19. Mas, por enquanto, pouco se sabe sobre a duração da proteção oferecida pelas vacinas disponíveis e se há ou não a necessidade de mais doses do que as já previstas.

Afinal, o processo de vacinação contra a doença ainda é muito recente e os cientistas não tiveram tempo de observar, no longo prazo, os efeitos e a eficácia dos imunizantes desenvolvidos de forma emergencial.

Diante desse cenário, os especialistas consultados por VivaBem afirmam que ainda é cedo para fazer projeções, considerando que tudo vai depender da intensidade de circulação do vírus nos próximos meses e se novas cepas continuarão aparecendo pelo caminho.

Ainda assim, Jorge Luiz Nobre Rodrigues, infectologista do Hospital Universitário Walter Cantídio da rede Ebserh, de Fortaleza, e professor titular da Famed-UFC (Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará), pondera que a possibilidade de precisamos de reforços é grande.

"Contra o Sars-CoV-2 não temos uma vacina de vírus atenuado, que é a que promove uma imunidade mais prolongada. As disponíveis, e é preciso deixar claro que todas elas são eficientes e importantes, são desenvolvidas com a tecnologia de RNA mensageiro, fragmentos de proteínas ou vírus inativado. Sendo assim, é provável que tenhamos de receber novas doses, talvez anualmente", indica.

"Essa pergunta só será respondida conforme estudos mais detalhados forem realizados", complementa.

Mais uma dúvida que será elucidada com o tempo, relata Homma, da Bio-Manguinhos/Fiocruz, é, caso se confirme a necessidade de campanhas periódicas contra o novo coronavírus, se serão utilizadas as mesmas vacinas ou desenvolvidas novas, levando em conta as variantes que venham a surgir —como acontece com a vacina da gripe.

"Enquanto não conseguirmos vacinar uma porcentagem grande da população, o vírus vai continuar a circular e, com ele circulando, vai continuar tendo mutação. Sendo assim, certamente, será preciso atualizar as fórmulas. Mas precisaremos de mais tempo para saber", afirma.

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