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Além da covid-19: vacinas protegem contra doenças de inverno e salvam vidas

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Imagem: iStock

Samantha Cerquetani

Colaboração para VivaBem

21/07/2021 04h00Atualizada em 21/07/2021 10h21

Você está com todas as vacinas em dia? Nunca falamos tanto em vacinação quanto no último ano e receber a imunização contra o novo coronavírus passou a ser o sonho da população. No entanto, com as baixas temperaturas do inverno, algumas doenças contagiosas como gripe, pneumonia, sarampo e meningite também podem aparecer.

"No inverno ocorre um aumento das doenças respiratórias. Ficamos mais tempo aglomerados dentro de casa, em ambientes fechados por causa do frio. O ar fica mais seco, o que facilita a inflamação das vias aéreas e o processo de adesão de vírus e bactérias na mucosa", destaca Giovanna Sapienza, infectologista do Hospital Emílio Ribas (SP).

Vale destacar que essas doenças são transmitidas, na maioria das vezes, da mesma forma que a covid-19, por meio do contato com secreções e gotículas de tosse e espirro de pessoas contaminadas. Por isso, a vacinação é a melhor forma de prevenir a circulação dos vírus, além de medidas como lavar as mãos e o uso de máscaras.

Apesar da gravidade da covid-19, é fundamental redobrar os cuidados com essas doenças e se prevenir com a vacinação.

"Com a pandemia, muitas pessoas se esqueceram de que ainda existem outras doenças graves, que precisam de imunização. Estar com o calendário vacinal em dia previne complicações e até mortes", explica Thallyta Tavares, infectologista do HU-UFPI (Hospital Universitário do Piauí).

Doenças respiratórias: vacinação diminui mortes

É só diminuir a temperatura que aumentam os casos de doenças respiratórias. Além das gripes e resfriados, outros problemas de saúde comprometem a qualidade de vida e, em situações mais graves, levam a internações e até óbitos. Veja detalhes a seguir.

  • Influenza
Vacina H1N1, influenza, vacinação, gripe suína - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Conhecida como gripe, é uma infecção respiratória aguda provocada por um vírus. É uma doença altamente contagiosa.

"Afeta indivíduos de todas as idades, mas os idosos e crianças são mais suscetíveis. Além de gestantes, puérperas e pessoas com comorbidades. Por isso, essas pessoas costumam ser o foco das campanhas", destaca Flávia Bravo, diretora da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

O SUS (Sistema Único de Saúde) oferece gratuitamente a vacina contra influenza, principalmente para quem está no grupo de risco. E essa medida, contribui para diminuir os casos graves e mortes em decorrência da doença. A vacina contra influenza precisa ser aplicada anualmente, pois o vírus tem a capacidade de se modificar com frequência.

  • Pneumonia

A doença pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos. No entanto, na maioria das vezes, a pneumonia ocorre devido à bactéria Streptococcus pneumoniae (ou pneumococo). Os sintomas englobam tosse, febre e aumento da frequência respiratória.

A vacinação de rotina é indicada para crianças com dois meses até cinco anos e idosos a partir de 60 anos. "Essas faixas etárias são mais atingidas, já que a doença costuma ser mais invasiva, levando ao óbito, em alguns casos. Além disso, pessoas com doenças crônicas como diabetes, cardíacas ou pulmonares precisam se atentar para não ter complicações", destaca Bravo.

  • Meningite bacteriana

A doença pode ser transmitida por várias bactérias e também é mais comum surgir no inverno. Um dos principais agentes que causam meningite é a bactéria Neisseria meningitidis. As crianças já são imunizadas com dois meses de idade e recebem um reforço na adolescência. Também causa sequelas graves como danos cerebrais e amputações, além de levar a morte.

"Em idosos, a vacinação deve ser considerada quando há riscos epidemiológicos: aumento de casos ou ao viajar para um país com alta incidência da doença", afirma a diretora da SBIm.

  • Sarampo
Sarampo - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

A doença é causada por um vírus da família paramyxoviridae e é transmitido por meio de contato direto e pelo ar. É bastante grave e contagiosa. A partir de 2015, ocorreu uma queda da cobertura vacinal, o que aumentou os casos de sarampo no Brasil. Em 2019, surgiu um surto da doença, com mais de 18 mil casos.

Muitos adultos não foram vacinados quando crianças contra sarampo, caxumba e rubéola com a tríplice viral e não estão protegidos. Segundo os especialistas consultados por VivaBem, é fundamental procurar os serviços de saúde e se imunizar com as duas doses.

"A volta de casos de sarampo comprovou que, se pararmos com a imunização, as doenças que estavam controladas podem retornar e ameaçar a vida novamente", afirma Tavares.

  • Coqueluche

A doença infecciosa aguda é bastante transmissível e atinge a traqueia e os brônquios. Os sintomas são leves, podendo ser confundidos com uma gripe: surgem febre, coriza, mal-estar e tosse seca.

É mais grave em bebês menores de seis meses, sendo fatal, em alguns casos. Geralmente, a vacina tríplice bacteriana (dTpa) é aplicada aos 2, 4 e 6 meses de idade para combater tétano, difteria e coqueluche. No entanto, é indicada para todas as crianças até sete anos, mesmo as que já tiveram as doenças.

De acordo com a OMS, pelo menos 90% dos bebês devem ser vacinados com três doses contra a coqueluche. As gestantes também devem ser vacinadas, pois os anticorpos passam para a criança e a protegem da doença.

Baixa adesão da vacinação da gripe

Atualmente, ocorrem simultaneamente as campanhas de vacinação contra a gripe (influenza) e covid-19. No entanto, neste ano, ocorreu uma baixa adesão da vacinação da gripe, ou seja, as pessoas deixaram de se imunizar por conta da pandemia.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a previsão era vacinar cerca de 80 milhões de brasileiros, mas até hoje, 21 de julho, apenas cerca de 46,5 milhões foram imunizados —o que corresponde a 49% da meta.

Por isso, a Campanha Nacional de Vacinação foi ampliada para toda a população. De acordo com Bravo, o intuito é reduzir os casos e complicações naqueles pacientes que são mais suscetíveis.

"Tudo o que a gente menos precisa no momento é aumentar a quantidade de pessoas com gripe nos hospitais, já que a doença pode evoluir para algo grave. Se temos uma população com alta cobertura vacinal, reduzimos a circulação do vírus, há menos casos da doença e ocorre uma melhora no atendimento até de quem apresenta covid-19".

Vale destacar que a recomendação é dar um intervalo de pelo menos 14 dias entre a vacina contra o novo coronavírus e a de influenza.

Por que você deve se vacinar?

vacina pfizer - Jack Guez/AFP - Jack Guez/AFP
Imagem: Jack Guez/AFP

A vacina fornece ao organismo o poder de estruturar uma resposta mais rápida a doenças. Sem essa imunização, esses problemas de saúde podem trazer sequelas graves ou ser fatal. A vacinação de rotina, principalmente contra as doenças de inverno, deve ser mantida. De acordo com os especialistas, se a caderneta de vacinação estiver atrasada, é fundamental atualizá-la.

Para Bravo, a população deve se imunizar pensando que não é apenas uma proteção individual, já que reduz a circulação do vírus de forma geral. "A baixa cobertura aumenta o número de casos de doenças respiratórias graves. Como consequência, há maior mortalidade", completa.

Para diminuir os óbitos e as complicações, a população precisa se informar quais vacinas estão disponíveis nos postos de saúde e na rede privada. E sempre é importante lembrar: as vacinas são seguras! Nenhuma vacina é aplicada antes que sejam realizados diversos estudos científicos que comprovem a sua eficácia e segurança, além de terem o aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Podem surgir pequenas reações adversas, mas são casos raros. A maioria dos efeitos colaterais varia de leve a moderado e com curta duração, como inchaços ou vermelhidão no local de aplicação.

"Há muita desinformação sobre os efeitos colaterais das imunizações. Mas nada se compara aos benefícios que elas proporcionam. Qualquer dúvida, é importante buscar fontes seguras de informação ou consultar um médico", completa Sapienza.

Onde encontrar as vacinas: SUS ou rede privada

Planos de saúde privados devem cerca de R$ 2,9 bilhões ao SUS - Marcello Casal Jr/Agência Brasil - Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A maioria das vacinas é fornecida pelo SUS. Ao todo, o MS oferece imunização gratuitamente para diversas faixas etárias, de recém-nascidos a idosos.

Para adultos, a vacinação inclui hepatite B, dT (difteria e tétano), febre amarela e influenza (gripe) para grupos prioritários. Há também imunização para sarampo, caxumba e rubéola e pneumocócica para idosos com comorbidades. As gestantes também devem ser vacinadas com dTpa, além de hepatite B e influenza.

Todas essas vacinas são fornecidas gratuitamente nos postos de saúde, pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações), mas também são encontradas na rede privada de vacinação.

A infectologista do Hospital Emílio Ribas destaca que o calendário vacinal do SUS é bastante completo e um dos melhores do mundo. "São poucas as vacinas que não são contempladas pelo sistema público. Na rede privada, há algumas vacinas integradas. No caso do vírus influenza, no SUS a vacina é trivalente; já nas clínicas privadas é quadrivalente, ou seja, contempla uma cepa a mais. É uma opção para quem quer uma cobertura a mais", finaliza Sapienza.

Porém, há casos de vacinas que não são ofertadas pelo SUS para toda a população adulta sem comorbidades e só são encontradas em clínicas particulares: é o que ocorre com herpes zoster, pneumocócica 23 valente, meningocócica B e HPV para adultos.

Nessas situações, vale a pena conversar com o médico para saber se é recomendado realizar a imunização na rede privada para prevenir essas doenças.

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