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Retomada da vacinação em São Paulo tem filas e confusão sobre idade

Anahi Martinho, Leonardo Martins e Wanderley Preite Sobrinho

Colaboração para Viva Bem e do Viva Bem, em São Paulo

23/06/2021 08h24Atualizada em 23/06/2021 11h51

A retomada da vacinação contra a covid-19 hoje na cidade de São Paulo foi marcada por filas, confusão sobre faixa etária e desistências de pessoas por causa do tipo de vacina disponível nos postos.

As unidades de saúde voltaram a vacinar nesta quarta-feira após a capital paulista ficar sem doses. Hoje, o público-alvo é a população de 49 anos. Quem tem mais de 49 anos ou precisa da segunda dose também pode se vacinar.

Confusão com a idade para se vacinar

Por falta das doses, a prefeitura mudou o calendário. Quem tem 48 anos, que inicialmente poderia se vacinar hoje, ficou para amanhã. O que gerou confusão em alguns postos.

E, ao contrário do que ocorreu na semana passada, os paulistanos não irão seguir o calendário estadual, que prevê vacinação da faixa de 43 a 49 anos a partir de hoje. Na capital, apenas pessoas com 49 anos serão vacinadas nos postos.

A vacinação por faixa etária causou confusão na UBS (Unidade Básica de Saúde) Santa Cecília - Humberto Pascale, na região central. Algumas pessoas foram embora ao descobrir que só está se vacinando hoje quem tem 49 anos ou mais. Pessoas com 43, 44 ou 45 anos perderam a viagem.

Na UBS Integrada São Vicente de Paula, no Ipiranga, zona sul, a reportagem também viu pessoas com idade entre 42 e 48 anos não conseguirem ser vacinadas.

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Na UBS São Vicente de Paula, no Ipiranga, já havia fila antes da abertura nesta manhã
Imagem: Leonardo Martins/UOL

Filas de manhã

As unidades visitadas pela reportagem registram filas assim que os postos abriram às 7h, mas elas diminuíram nas primeiras horas. A prefeitura criou a ferramenta "De Olho na Fila" para monitorar as filas nos postos.

Na UBS Vila Santo Estevão, no Tatuapé, 25 pessoas esperavam na fila desde as 6h15. A doméstica Maria José Martins de Souza, 49, chegou cedo porque às 8h precisa entrar no trabalho.

"Não acho que vá faltar vacina, mas é melhor chegar cedo para garantir", afirmou. "Meu medo é ficar com o braço doendo e prejudicar o trabalho. Não gosto se agulha."

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Na UBS Vila Santo Estevão, Maria José Martins de Souza chegou cedo "para garantir" a vacina
Imagem: Wanderley Preite Sobrinho/UOL

Na UBS Santa Cecília, a que mais vacina na cidade, já tinha fila até metade do quarteirão por volta das 6h30. "Finalmente chegou o grande dia!", comemorou Eliene Miranda, 49, que chegou à UBS às 5h50 e garantiu seu lugar na fila da vacina.

miranda - Anahi Martinho/Colaboração para o UOL - Anahi Martinho/Colaboração para o UOL
Eliene Miranda chegou às 5h50 para ter lugar na fila da vacina
Imagem: Anahi Martinho/Colaboração para o UOL

"Ontem faltou vacina aqui né, e eles falaram que ia redistribuir, mas dá um pouquinho de medo de não ter", afirmou Eliene, funcionária de uma creche.

Na UBS São Vicente de Paula, no Ipiranga, zona sul, às 7h já havia quase 50 pessoas na fila para a vacinação contra a covid-19. Os funcionários chegaram às 7h05 e avisaram que iriam distribuir senhas para organizar as aplicações.

A advogada Andrea Tozo Marra, 49, levantou de madrugada e foi a primeira a chegar na porta da UBS às 5h50 da manhã. "Eu não queria perder a vacina, não sabemos se vamos ter dose suficiente. Foi o medo de ficar sem dose", conta.

Segundo colocado na fila da vacina da UBS, o operador de perfuratriz, Edmar Faustino, 55, chegou às 6h depois de dar com a cara na porta na terça-feira, quando a vacinação foi suspensa.

"Eu cheguei na terça e o segurança me avisou que não tinha mais vacina, que estava suspenso. Frustrante. Minha irmã, que mora aqui perto, me avisou que hoje teria vacina e aí eu vim de manhã cedo", disse.

Na UBS Vila Regina, em Itaquera, 20 pessoas aguardavam na fila. Por lá, a distribuição de senha começou atrasada, às 7h40.

A enfermeira que distribuía as senhas afirmou que havia poucas doses disponíveis e que não tinha certeza de que vão durar o dia todo.

A analista de implementação de sistemas Elaine Verçosa Sanches, 49, chegou às 6h45. "Cheguei cedo por medo de faltar vacina, como ontem. É melhor vir cedo porque à tarde pode não sobrar."

Ela disse que não vai rejeitar nenhuma vacina porque seu marido, infectado em dezembro, se recupera até hoje das consequências da covid-19.

Rejeição à CoronaVac

A reportagem do UOL também registrou muitas pessoas desistindo de tomar a vacina ao saber que a dose disponível era a CoronaVac, desenvolvida pelo Butantan.

A CoronaVac foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e têm eficácia comprovada contra o coronavírus. As autoridades já pediram diversas vezes que a população não escolha a vacina que quer tomar.

Na UBS Integrada São Vicente de Paula, muitas pessoas perguntaram à funcionária da unidade que distribui senhas na porta qual vacina estava disponível. Ao saberem que era a CoronaVac, alguns saíram da fila e foram embora.

Um casal que saiu da fila por causa da vacina do Instituto Butantan não quis falar com a reportagem.

Situações semelhantes de pessoas evitando tomar outra vacina que não a da Pfizer acontecem todos os dias, segundo funcionários da unidade.

Um homem questionou as funcionárias da UBS sobre a eficácia da CoronaVac, que é de 50,4% em casos leves, porcentagem adequada para proteger o corpo humano. As mulheres explicaram que a vacina é eficaz e que elas próprias tomaram duas doses do imunizante. No final, o homem cedeu, pegou a senha e entrou na fila da vacina.

A reportagem presenciou ao menos cinco carros que passaram pela porta do posto e perguntaram qual vacina estava sendo aplicada. Ao ouvirem que era CoronaVac, deram meia volta e foram embora.

Funcionários da UBS relataram que até proposta de suborno eles já receberam e negaram para informar qual posto de vacinação tinha vacina da Pfizer.

Um homem, que não quis falar com a reportagem, perguntou à funcionária que distribui as senhas qual vacina está disponível. Ao saber que era CoronaVac, disse um palavrão e foi embora.

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"Não escolho vacina. Vou tomar a que tiver", disse João Marcos Volpini, em UBS em Itaquera
Imagem: Wanderley Preite Sobrinho/UOL

Na UBS Santa Cecília, algumas pessoas também evitaram tomar CoronaVac. Mas também é comum as pessoas na fila dizerem que tomarão qualquer vacina.

Na UBS Vila Regina, uma funcionária afirmou que no último sábado (19) muitas pessoas foram embora ao descobrirem que a opção era a CoronaVac.

Na fila hoje, porém, todos diziam que tomarão o imunizante que estiver disponível.

É o caso de João Marcos Volpini, 49, chefe de uma equipe que instala esquadrias. "Acordei cedo, sou o terceiro da fila. Não escolho vacina. Vou tomar a que tiver."

Confira o calendário de vacinação na capital paulista para os próximos dias:

  • 49 anos: 23 de junho
  • 48 anos: 24 de junho
  • 47 anos: 25 de junho
  • 46 e 45 anos: 28 de junho
  • 44 e 43 anos: 29 de junho
  • 42 anos: 30 de junho
  • 41 anos: 5 de julho
  • 40 anos: 8 de julho