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SP precisará acelerar vacinação em quase 3 vezes para cumprir calendário

Diretor do Butantan, Dimas Covas (esq.), e governador de São Paulo, João Doria (dir.), durante entrega de 2 milhões de doses da CoronaVac - ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Diretor do Butantan, Dimas Covas (esq.), e governador de São Paulo, João Doria (dir.), durante entrega de 2 milhões de doses da CoronaVac Imagem: ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

17/06/2021 04h00

O estado de São Paulo precisará acelerar a vacinação em quase três vezes para manter o calendário antecipado. No último domingo, o governador João Doria (PSDB) prometeu aplicar a primeira dose em toda a população adulta até 15 de setembro. Segundo estimado pelo PNI (Programa Nacional de Imunização), o estado tem 22,6% dos brasileiros acima de 18 anos, ou cerca de 36,1 milhões de pessoas.

Até ontem, o estado havia vacinado 14,2 milhões de pessoas com a primeira dose, 39% desse total —ou 2,84 milhões de pessoas por mês. Faltando outros 21,9 milhões de adultos, o governo estadual diz, com base no PNI, que não faltarão vacinas nem haverá problemas logísticos.

A vacinação no estado foi iniciada há cinco meses, em 17 de janeiro, após a liberação da CoronaVac pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Se mantiver esse ritmo, o estado precisaria de quase oito meses para concluir a população adulta, o que colocaria a previsão de imunização total para fevereiro de 2022.

Para concluir até 15 de setembro, ou seja, daqui a três meses, é preciso vacinar 7,3 milhões de pessoas por mês a partir de agora —quase o triplo do que tem acontecido mensalmente até então.

Além de São Paulo, outros dez estados pretendem completar a aplicação de primeira dose para todos os adultos até outubro.

Previsão se baseia no PNI

O governo paulista diz que consegue cumprir o cronograma, desde que o governo federal também siga o seu. Até o final do mês, contando com as duas entregas de CoronaVac feitas pelo Instituto Butantan nesta semana, ainda serão distribuídos nacionalmente 25 milhões de doses.

No terceiro trimestre, entre julho e agosto, a previsão é de mais 175 milhões de doses, o que seria o bastante para que todos completassem seus esquemas vacinais. Veja o cronograma:

Julho

  • AstraZeneca: 16.975.200 doses (15 milhões via Fiocruz/Oxford e 1,9 milhão via consórcio Covax)
  • CoronaVac: 10 milhões
  • Pfizer: 8 milhões

Total: 34.975.200 doses

Agosto e setembro

  • AstraZeneca: 26.313.500
  • CoronaVac: 37.769.672
  • Pfizer: 76.483.360

Total: 140.566.532

O estado de São Paulo fica com 22,6% deste contingente, dada a divisão populacional, o que dá quase 40 milhões de doses. Isso seria o bastante, diz o governo paulista, para aplicar a primeira dose em todos sem atrasar o cronograma de reforço dos já vacinados.

Além disso, há a ainda possibilidade da chegada de outras vacinas antecipadamente, como a Janssen, que, oficialmente, só deve entrar no Brasil no quarto trimestre.

O governo tem distribuído as doses recebidas em suas 645 cidades em, no máximo, 48 horas após a chegada ao centro de distribuição ou saída do Butantan.

De acordo com Regiane de Paula, coordenadora do PEI (Programa Estadual de Imunização), o cronograma não conta com ela, nem com os 30 milhões de doses extras de CoronaVac adquiridos pelo governo estadual nem com as vacinas que estão recebendo licenças excepcionais da Anvisa, como a russa Sputnik V.

"Nosso cálculo é todo feito com base nas estimativas que o Ministério da Saúde passa periodicamente. Não incluímos doses que não estão lá nem as vacinas que ainda estão em fase de aprovação", afirmou a coordenadora do PEI.

Ela também diz não haver grandes mudanças na logística de distribuição do estado com aumento do número de doses. "Não será necessário [fazer alterações], temos organização e capilaridade para isso", afirma.

A principal preocupação é que o contingente previsto pelo ministério atrase. Na semana passada, o governo reduziu, pela terceira semana seguida, a previsão de entrega para junho, desta vez com a diminuição das entregas por parte do consórcio Covax em pouco menos de 2 milhões de doses.

O governo paulista se diz confiante. "Vacina não vai faltar em hipótese alguma", afirmou Doria durante entrega de doses do Butantan ontem, mas o próprio Butantan passou por um período de paralisação na produção por causa dos atrasos dos insumos vindos da China.

O instituto paulista deverá encerrar amanhã a entrega de 5 milhões de vacinas, prevista para junho, com uma remessa de 2,2 milhões de doses. No final de maio, já recebeu o contingente de insumo necessário para os 10 milhões de doses previstos para julho.

Agora, faltarão ainda pelo menos 22 mil litros para a produção dos outros 38 milhões de doses contratados pelo PNI, previstos para até 30 de setembro.