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Qual é o Remédio

Um guia dos principais medicamentos que você usa


Qual é o Remédio

Ciprofloxacino: antibiótico trata infecção urinária, mas uso requer cautela

Getty Images
Imagem: Getty Images

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

11/05/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Trata-se de um antibiótico de amplo espectro do grupo das fluoroquinolonas
  • É usado para tratar infecções graves ou as que não responderam a outros antibióticos
  • Crianças só devem utilizá-lo a partir dos 5 anos e em quadros específicos
  • Interromper a terapia sem orientação médica pode levar à resistência bacteriana

Conhecido desde a década de 1980, o ciprofloxacino é um antibiótico utilizado em infecções causadas por bactérias e que acometem muitos sistemas do corpo como os tratos respiratório, urinário e reprodutor, além de ouvidos, olhos, pele, entre outros.

O que é ciprofloxacino?

Trata-se de um antibiótico da classe das fluoroquinolonas, que é considerado de amplo espectro porque pode ser utilizado no combate de diferentes bactérias. Descrito como fármaco de segunda geração, ele deu origem a outros do mesmo tipo.

Dadas as suas características, ele só deve ser vendido sob prescrição médica.

Para que ele é indicado?

Como possui ampla utilização, esse fármaco é considerado seguro. Contudo, é importante que você faça o uso racional desse remédio, ou seja, utilize-o de forma apropriada, na dose certa e pelo tempo prescrito pelo seu médico.

O ciprofloxacino, em geral, é indicado no tratamento de infecções bacterianas do trato urinário e respiratório.

Além disso, ele poderá ser utilizado quando outros antibióticos não surtiram o efeito desejado, e também nas seguintes doenças e condições:

  • IST (Infecção Sexualmente Transmissível), como a gonorreia
  • Infecções de pele, óssea, nas articulações ou no ouvido
  • Prostatite
  • Infecções gastrointestinais
  • Antraz
  • Sinusite
  • Infecções oculares (conjuntivite/blefarite)
  • Infecções generalizadas (septicemia)

Os médicos também podem indicá-lo em outros quadros, como em mordidas de animais, na doença da arranhadura do gato, câncer, cólera, endocardite, meningite etc. Esses usos não constam da bula, por isso são chamados de off-label.

Entenda como ele funciona

Ao ser usado pela via oral, ele é bem absorvido pelo trato gastrointestinal, se distribui bem pelo corpo e, depois, é excretado pela via renal. Seu efeito já tem início entre 1 e 2 horas. A explicação é de Camila Klocker Costa, professora do curso de farmácia da UFPR.

"Quanto ao seu mecanismo de ação, ele inativa uma enzima das bactérias que é fundamental para que elas se repliquem. Esse efeito bactericida atua sobre as bactérias gram-negativas [como a Escherichia coli e a Salmonella spp.], mas também sobre contra as gram-positivas [Staphylococcus saprophyticus]", esclarece a especialista.

Conheça as apresentações disponíveis

Cipro® é um exemplo de marca de referência do ciprofloxacino. Mas você também pode encontrar as versões genéricas. Confira as apresentações disponíveis:

  • Comprimidos - 250 mg e 500 mg
  • Solução injetável (uso hospitalar) - 2 mg
  • Pomada oftálmica - 3,5 mg
  • Solução otológica - 3 mg/5 mg

Algumas apresentações do medicamento constam da Rename 2020 (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais) e, portanto, ele tem distribuição gratuita em todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde). Para ter acesso à medicação, basta apresentar a receita médica.

A depender da doença, o tempo de uso do medicamento pode variar. Há casos, como na prostatite ou infecções ósseas, que a terapia pode durar de 4 a 6 semanas. De modo geral, o uso é de 5 a 7 dias.

Quais são as vantagens e desvantagens do seu uso?

Renata Carriço de Lima Menezes, especialista em clínica médica e professora da Faculdade de Medicina do UNINASSAU/CMH, considera vantajosas as diferentes apresentações. Isso permite que um paciente internado, uma vez liberado, possa seguir seu tratamento em casa.

Além disso, ela destaca a possibilidade de cobrir diferentes doenças ao mesmo tempo, como infecções de pele e intestinal.

Por outro lado, a médica comenta que a maior desvantagem é que, nos últimos tempos, tem-se evitado o uso dessa classe de medicamentos devido os possíveis efeitos colaterais.

"Ela têm sido associada a problemas no SNC (Sistema Nervoso Central), como o delirium [confusão mental] em idosos, rotura de tendões e lesões na cartilagem, principalmente na população pediátrica, sem falar nos distúrbios cardíacos", acrescenta.

Por que interromper o tratamento por conta própria é perigoso?

O medicamento deve ser ingerido na forma prescrita pelo médico, sem interrupção do esquema de doses antes do final do tratamento.

O uso de antibióticos deve ser regido pelas seguintes regras: ter prescrição médica; respeito às orientações do profissional quanto ao esquema de doses e o tempo de tratamento —mesmo quando os sintomas melhoram em poucos dias.

A eventual melhora não significa que a bactéria desapareceu. Ela continua lá, mas em menor quantidade.

Esquecer de tomar uma dose na hora certa ou interromper a terapia antes do tempo estabelecido dá oportunidade à replicação das bactérias. A consequência pode ser a resistência bacteriana, ou seja, quando você precisar usar um antibiótico novamente, ele não terá o efeito desejado.

Saiba quais são as contraindicações

O ciprofloxacino não pode ser usado por pessoas que sejam alérgicas (ou tenham conhecimento de que alguém da família tenha tido reação semelhante) ao seu princípio ativo ou a qualquer outro medicamento da mesma classe, bem como a algum componente de sua fórmula.

Fique também atento se você se identifica com alguma das seguintes situações:

Crianças e idosos podem usá-lo?

O ciprofloxacino tem indicação para crianças, mas somente a partir dos 5 anos de idade e em casos especiais, como o da fibrose cística causada por P. aeruginosa. A advertência do próprio fabricante é que ela seja usada nesse grupo somente quando não houver outra alternativa.

Os idosos também podem se beneficiar do medicamento, com a ressalva de que ele deve ser utilizado na menor dose possível. O objetivo é reduzir o risco de efeitos colaterais —como o delirium e a rotura de tendão— bem como interações medicamentosas em pessoas que já tenham a saúde debilitada seja pela idade, seja por doenças crônicas.

Estou grávida e pretendo amamentar? Posso usar o ciprofloxacino?

O fabricante contraindica o uso na gestação e durante a lactação porque não há estudos científicos que garantam segurança para o feto e o bebê.

Apesar disso, os médicos poderão utilizá-lo em situações nas quais o medicamento seja indispensável e não hajam alternativas disponíveis —sempre analisados o risco e o benefício da terapia para a paciente.

Qual é a melhor forma de consumi-lo?

A melhor forma de ingerir os comprimidos é com água, o que pode ser longe ou perto das refeições.

Existe uma melhor hora do dia para usar esse medicamento?

Você deve seguir as orientações de seu médico. Contudo, pode combinar com ele que o uso do fármaco ocorra em horários que se adaptem à sua rotina.

O que faço quando esquecer de tomar o remédio?

Tome assim que lembrar e reinicie o esquema de uso do medicamento. É desaconselhado tomar doses em dobro de uma vez para compensar a dose que foi esquecida.

Se você é daqueles que sempre se esquecem de tomar seus remédios, use algum tipo de alarme para lembrar-se.

Quais são os possíveis efeitos colaterais?

Este medicamento é considerado bem tolerado, seguro e eficaz quando utilizado com supervisão e de acordo com as orientações médicas. Apesar disso, algumas pessoas poderão observar as seguintes manifestações (estes são alguns exemplos):

Comuns

Raras

  • Inchaço nos pés, tornozelo ou abdome
  • Falta de ar
  • Mudanças na visão
  • Perda ou mudança no paladar, olfato e audição
  • Arritmia
  • Zumbido
  • Ansiedade
  • Insônia
  • Fadiga
  • Dor ou formigamento (especialmente nas pernas e nos braços)
  • Dor ou inchaço nas articulações ou tendões

Interações medicamentosas

Alguns medicamentos não combinam com o ciprofloxacino e podem alterar, reduzir ou potencializar efeitos, mesmo os colaterais. Avise seu médico se estiver consumindo algum dos seguintes fármacos (esta lista são apenas alguns exemplos):

  • Inibidores da bomba de prótons (como o omeprazol)
  • Anticoagulantes (varfarina)
  • Antimetabólico de folato (metotrexato)
  • Antiepilépticos/Anticonvulsivantes (fenitoína, gabapentina)
  • Esteroides (prednisolona)
  • Broncodilatadores (aminofilina, albuterol)
  • Analgésicos (paracetamol)
  • Antidepressivos (trazodona)
  • Opioides (tramadol)
  • Hormônios sintéticos (levotiroxina)
  • Antidiabéticos (metformina)
  • Inibidor da enzima de conversão da angiotensina (lisinopril)
  • Estatinas (atorvastatina)
  • Diurético (furosemida)
  • AINEs - Anti-inflamatórios não Esteroidais (ibuprofeno)
  • Antimicrobiano (metronidazol)
  • Anti-hipertensivo (amlodipina)

Fale também com um médico, farmacêutico ou até o cirurgião antes de usar esse medicamento se você faz uso contínuo de algum fitoterápico, suplemento ou vitaminas.

"Isso porque produtos que contêm magnésio, alumínio, cálcio e ferro podem interferir na absorção do ciprofloxacino na corrente sanguínea, reduzindo sua eficácia", adverte Danyelle Cristine Marini, diretora do CRF-SP. A especialista sugere ainda evitar o uso de multivitamínicos com minerais durante o tratamento com ciprofloxacino.

Interação alimentar

Os alimentos, em geral, não interferem na absorção do ciprofloxacino. Quando são usados comprimidos, a exceção são os laticínios (leite, queijo, iogurte) e bebidas enriquecidas com cálcio. A razão para isso é que eles impedem a circulação do medicamento na corrente sanguínea a partir do estômago.

Como são considerados essenciais em uma dieta equilibrada, você pode evitar esse efeito ingerindo-os com uma distância de 2 horas antes ou depois do uso do fármaco.

Há interação com exames laboratoriais?

Em geral, a terapia com esse medicamento é curta. Contudo, caso você se submeta a exames nesse período, podem ser observadas alterações em parâmetros de normalidade.

Sugere-se que você comunique ao médico solicitante ou ao pessoal do laboratório o uso do antibiótico. Veja alguns exemplos:

  • Fosfotase alcalina
  • LDH (Desidrogenase láctica)
  • Bilirrubina
  • Hemograma
  • Creatinina
  • Ureia
  • Glicose

Em casa, coloque em prática as seguintes dicas:

  • Fique atento à validade do medicamento, que é de 24 meses. Considere que, após aberto, essa validade é ainda menor;
  • Mantenha o medicamento sempre dentro da própria embalagem e nunca descarte a bula até terminar o tratamento;
  • Leia atentamente a bula ou as instruções de consumo do medicamento;
  • Utilize o medicamento na posologia indicada;
  • Ingira os comprimidos inteiros. Evite esmagá-los ou cortá-los ao meio --eles podem ferir sua boca ou garganta. A exceção é a indicação médica;
  • Escolha um local protegido da luz e da umidade para armazenamento. Cozinhas e banheiros não são a melhor opção. A temperatura ambiente deve estar entre 15°C e 30°C;
  • Guarde seus remédios em compartimentos altos ou trancados. A ideia é dificultar o acesso das crianças;
  • Procure saber quais locais próximos da sua casa aceitam o descarte de remédios. Algumas farmácias e indústrias farmacêuticas já têm projetos de coleta;
  • Evite o descarte no lixo caseiro ou no vaso sanitário. Frascos vazios de vidro e plástico, bem como caixas e cartelas vazias podem ir para a reciclagem comum.

O Ministério da Saúde mantém uma cartilha (em pdf) para o Uso Racional de Medicamentos, mas você pode complementar a leitura com a Cartilha do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos - Fiocruz) (em pdf) ou do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (também em pdf). Quanto mais você se educa em saúde, menos riscos você corre.

Fontes: Renata Carriço de Lima Menezes, médica especialista em clínica médica e cuidados paliativos, professora da Faculdade de Medicina do UNINASSAU/CMH (Centro Universitário Maurício de Nassau/Centro Médico Hospitalar da Polícia Militar de Pernambuco). Integra o corpo clínico do HSE-PE (Hospital dos Servidores do Estado de Pernambuco), Hospital Maria Lucinda e Hospital Memorial São José (Rede D'Or); Camila Klocker Costa, professora do curso de farmácia da UFPR (Universidade Federal do Paraná), com mestrado e doutorado em ciências farmacêuticas pela mesma instituição; Danyelle Cristine Marini, diretora do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia de São Paulo), professora do curso de medicina na Unifae (Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino/São João da Boa Vista) e nas Faculdades Integradas Maria Imaculada (Mogi Guaçu/SP); Amouni Mourad, farmacêutica, professora do curso de Farmácia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e assessora técnica do CRF-SP. Revisão técnica: Amouni Mourad.

Referências: Thai T, Salisbury BH, Zito PM. Ciprofloxacin. [Updated 2020 Sep 29]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535454/.

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