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Não ter o que falar na terapia é normal e não deve impedi-lo de ir à sessão

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Imagem: iStock

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

16/04/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Estar sem ter o que falar na terapia não significa que seja hora de parar; na verdade, é importante ir para a sessão mesmo assim
  • Isso porque é comum encontrar resistência na evolução do processo quando atingimos pontos mais complexos, mas que ainda precisam ser trabalhados
  • Os especialistas recomendam falar sobre isso na sessão e entender as razões pelas quais o levaram a esse ponto

O medo de um novo vírus, a dificuldade em lidar com o distanciamento físico, a sensação de isolamento e ainda a mudança brusca na rotina: esses foram apenas alguns dos sentimentos que a pandemia do novo coronavírus despertou em muitas pessoas desde que surgiu, há pouco mais de um ano.

Na tentativa de lidar com essas sensações, muitas pessoas buscaram o divã para falar sobre o que sentem e tentar lidar com a situação de alguma forma. Mas é bastante comum que, no processo de evolução da terapia, algumas pessoas se encontrem numa situação desconfortável: é o dia da sessão e não têm o que falar. E aí?

Spoiler: você deve ir

Se você chegou nesse ponto, fique tranquilo: isso é absolutamente normal e quase todo mundo passa ou já passou por isso e faz parte do processo terapêutico.

É importante saber disso pois muitas pessoas acham que, uma vez sem ter o que falar, é hora de parar com as sessões. E isso não é verdade. Mesmo nesse dia de aparente paz interior você deve ir ao encontro do seu terapeuta. Isso porque os dias em que o paciente chega sem assunto são geralmente os de sessões extremamente profundas e reflexivas.

A razão disso seria justamente essa liberdade em chegar para aquele momento de forma mais aberta e livre, permitindo que a discussão saia da superficialidade e entre em sentimentos mais profundos, com a percepção de novas possibilidades e interpretações para velhas questões —o que é uma das funções da terapia.

"As pessoas costumam planejar o que vão falar, o que querem trabalhar na sessão para deixá-la mais produtiva", afirma Valéria Amodio, psicanalista fundadora da Clínica Poliniza, em São Paulo (SP). "Muitas vezes, esse 'assunto' é justamente uma forma de esconder o que deve realmente ser falado", afirma.

A especialista diz que costumo comparar momentos como esses com a meditação, em que precisamos esvaziar a mente para alcançar lugares mais profundos do nosso mundo interno. "Na terapia é assim também, quando passamos por esse vazio momentâneo, surge uma riqueza emocional relevante para ser trabalhada."

O início da terapia também pode provocar momentos de "branco". Isso porque a pessoa pode se sentir constrangida em abordar certos temas ou até estar tão desconectada da própria vivência emocional que não sabe muito bem por onde começar. "Esse impasse pode durar alguns meses, mas pode ser transposto se a pessoa seguir a rotina das sessões", avalia a especialista.

Como lidar com isso?

Pode parecer desconfortável, mas o ideal é que você comece falando ao terapeuta o que está sentindo e vocês conversem sobre as razões que podem ter levado a esse sentimento de "nada para falar".

Um motivo bastante comum seria justamente uma resistência natural em trabalhar questões mais profundas e, possivelmente, mais doloridas ou complexas. "Algumas pessoas não estão prontas para trabalhar aquilo naquele momento, ou até, inconscientemente, não querem se deparar com algumas conclusões durante o processo terapêutico", afirma o psicólogo e psicanalista Ueliton Pereira, diretor técnico da Holiste Psiquiatria, em Salvador (BA).

Se for esse o caso, o ideal é que o profissional oriente a conversa para que vocês possam trabalhar isso, derrubando a resistência e conseguindo avançar no processo. "E costuma ser um momento muito rico, pois, sem estar preso a um planejamento, a pessoa consegue fazer associações livres e ir mais fundo na discussão", acredita.

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