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Isolamento social intensifica depressão e ansiedade durante a gravidez

Pesquisas canadenses indicam aumento desses transtornos em gestantes por conta do novo coronavírus - iStock
Pesquisas canadenses indicam aumento desses transtornos em gestantes por conta do novo coronavírus Imagem: iStock

Nicola Ferreira

Agência Einstein

17/06/2020 10h57

Resultados preliminares de um estudo conduzido pela Universidade de Calgary, no Canadá, indicam níveis acima do normal de sintomas de depressão e ansiedade em gestantes. Batizado de Gestação Durante a Pandemia (Pregnancy During the Pandemic, em inglês), o programa de pesquisa está examinando, além desses sintomas, como andam o sono das mulheres grávidas e o suporte social para elas naquele país por meio de um questionário online.

Os dados ainda não foram publicados em uma revista científica nem passaram por uma avaliação de outros especialistas, mas preocupam. Segundo a líder do trabalho, Catherine Lebel, taxas mais altas desses transtornos mentais na gravidez impactam não só a futura mãe, mas seu bebê também.

Outro trabalho canadense, dessa vez realizado pela Universidade de Manitoba, está avaliando como as grávidas e as mulheres que têm crianças até 8 anos de idade estão lidando com a pandemia. Os achados iniciais sugerem um aumento dos sintomas de ansiedade e depressão em mães com meninos e meninas em todas as faixas etárias abrangidas. "Eventos estressantes ao longo da gravidez ou no pós-parto podem ser os grandes responsáveis pelo desenvolvimento desses problemas", informa a psiquiatra Maila Castro, que integra a Comissão de Estudos e Pesquisa da Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Daí a necessidade de a grávida sempre conversar com seu médico e manter os exames em dia. Ele pode avaliar se é o caso de um apoio psicológico ou psiquiátrico.

"As gestantes têm medo de pegar o novo coronavírus. Além disso, quando elas são diagnosticadas com a covid-19, temos todo um processo para proteger o bebê no parto", explica a ginecologista Rita Sanchez, do Hospital Israelita Albert Einstein. Isso faz com que a mãe leve um tempo maior, por exemplo, para ser apresentada ao recém-nascido. No final das contas, ela acaba ficando mais ansiosa.

"O nascimento é uma festa. O isolamento físico e a ausência dessa comemoração com toda a família podem ser prejudiciais para a saúde da gestante", explica a especialista. Estudos já mostraram que aquelas com pouco apoio, especializado ou familiar, ao longo e depois da gravidez tendem a ter depressão pós-parto.

Em uma pesquisa feita antes do surdo do Sars-Cov-2, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estimou que 25% das gestantes brasileiras desenvolviam o transtorno mental. A doença é caracterizada pelo desinteresse em atividades diárias ou que envolvam o bebê. Tristeza, falta ou excesso de apetite são alguns de seus sinalizadores. O problema pode afetar mulheres que tiveram uma gravidez de alto risco e crianças com malformação.

Além disso, o sentimento de solidão, especialmente relativo à família, pode contribuir para que o transtorno venha à tona. "O convívio social é fundamental para a saúde, já que é um importante fator de proteção para nossa mente", explica a psiquiatra Maila Castro.

Feito por meio da parceria de um ginecologista com um psicoterapeuta, o tratamento da depressão pós-parto é mediado por conversas com ambos os profissionais e o uso de medicamentos que não vão prejudicar a amamentação. Dependendo do nível da depressão, a reintrodução do convívio com o recém-nascido deve ser feita cautelosamente sob aprovação do terapeuta.

Pré-natal sempre em dia

"Nosso maior medo é que, devido à quarentena, as gestantes deixem de ir ao pré-natal", diz Rita Sanchez. "Continuamos com o mínimo de seis exames porque eles são fundamentais para o acompanhamento da gravidez e para observarmos se não há o aparecimento de doenças." Além de se atentar ao surgimento de enfermidades, eles são essenciais para o ginecologista recomendar atividades saudáveis para mãe e para o bebê e ajudam a monitorar o ganho de peso durante o período gestacional.

A principal preocupação de muitas das gestantes é contrair a covid-19 dentro dos hospitais, segundo os especialistas. Contudo, diversas maternidades já estão tomando as precauções necessárias para não colocar nenhuma futura mamãe em risco. Atualmente, elas estão contando com dois fluxos de movimentação: um só com grávidas assintomáticas e outro com sintomáticas, evitando que haja interação entre elas, prevenindo, assim, o risco de contágio.

No âmbito da psiquiatria, os profissionais estão conseguindo plidar com esse temor graças ao auxílio da tecnologia. "É importante esse suporte que temos da telemedicina para conseguirmos estabelecer o contato e prevenirmos o agravamento de diversos casos. É um momento em que o médico tem que estar mais próximo da paciente", ressalta Maila.

Nova etiqueta

O advento do novo coronavírus também mudou as formas de contato entre mãe e filho. Hoje, devido à pandemia, os ginecologistas sugerem que, antes de tocar ou amamentar o pequeno, ela troque de roupa e faça a higienização das mãos. Em muitos casos, principalmente daquelas que contraíram a covid-19, é recomendado o uso de máscaras enquanto dão de mamar.

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