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Kalache ironiza drive-thru de vacinação e fala em 'genocídio' de idosos

Do UOL, em São Paulo

27/03/2020 17h50Atualizada em 27/03/2020 22h26

O Ministério de Saúde anunciou no final de fevereiro a antecipação da campanha nacional de vacinação contra a gripe, em um esforço no combate contra a pandemia do novo coronavírus no Brasil. Dessa forma, no dia 23 de março, gestantes, crianças até seis anos, mulheres até 45 dias após o parto, idosos e profissionais da área da saúde começaram a receber vacina.

Mas o drive-thru disponibilizado em diversos pontos do país como uma alternativa para acelerar as aplicações expôs graves diferenças sociais, especialmente entre idosos. É o que afirmou hoje Alexandre Kalache, gerontólogo que dirigiu o programa de envelhecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) durante mais de uma década, no UOL Debate de tema "A classe médica reage ao coronavírus".

"Drive-thru para quem? Para a classe média? Aqui no Rio de Janeiro, estamos vendo milhares de idosos que se aglomeraram para tomar vacina. Será que não devíamos começar com os profissionais de saúde, para saber como organizar isso? Ninguém está perguntando a voz do idoso", questionou.

Ainda segundo Kalache, é importante lembrar que 83% dos idosos dependem única e exclusivamente do SUS. "Vamos nos ater a esses 83% que não tomam vacina no drive-thru porque não têm essa hipótese de pegar um Uber ou possuem um carro para isso."

Em sua argumentação, o gerontólogo pediu mais atenção às populações de idade mais avançada, especialmente de baixa renda.

"Há um preconceito imenso de declaração em cima de declaração, começando pelo presidente (da República, Jair Bolsonaro). Isso equivale a um genocídio. A minha opinião, representando os idosos: nós vamos gritar, sim, da mesma forma que gritamos quando éramos jovens contra a ditadura. Não é só para nos proteger, mas para proteger a sociedade brasileira", explicou.

O debate ainda apresentou a necessidade de diferentes métodos para vacinar as pessoas em massa em curto prazo. Para Kalache, o cuidado com as vacinas e, em especial, com o SUS, "não é para proteger os velhinhos, mas nossa saúde".

"Os Estados Unidos são incapazes de ter um sistema de saúde universal. Nós tínhamos e agora está sendo desmantelado. Em qual sistema de saúde vou me vacinar se fecharam o posto da Rocinha?", perguntou.

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