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Covid-19: Fiocruz testará diferentes tratamentos em 12 estados brasileiros

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Imagem: iStock

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

27/03/2020 13h04

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) anunciou que será responsável por coordenar o ensaio clínico Solidariedade (Solidarity), da OMS (Organização Mundial da Saúde) no Brasil. A informação foi dada em entrevista online à imprensa hoje (26).

A iniciativa testará a eficácia de alguns tratamentos para a covid-19, doença causada pelo coronavírus, a pesquisa incluirá somente pacientes hospitalizados, para atender à demanda mais urgente, que é a de oferecer tratamento para pacientes com quadro mais grave em 18 hospitais de 12 estados, com o apoio do Decit (Departamento de Ciência e Tecnologia) do Ministério da Saúde.

Pela necessidade de respostas rápidas, o estudo acontecerá simultaneamente em diversos países do mundo e deve começar nos próximos dias no território brasileiro.

Os tratamentos testados em cerca de 1.200 pacientes serão com as seguintes drogas:

  • Remdesivir
  • Lopinavir + ritonavir
  • Cloroquina
  • Hidroxicloroquina
  • Lopinavir com ritonavir e interferon 1A

"Devemos ter calma e aguardar evidência científica sobre quais medicamentos são eficazes para tratar essa doença. Se usarmos de forma aleatória, sem comprovação da eficiência, podemos ter muitas mortes", afirmou Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz.

De acordo com Valdiléa Veloso, diretora do INI (Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas), os ensaios clínicos vão começar assim que o ministério enviar os medicamentos. "Os resultados serão trazidos no menor tempo possível, teremos respostas ao longo do tempo", explicou.

Apesar de ter linhas de tratamento definidas, uma das premissas do estudo é que ele seja adaptável, ou seja, caso surjam novas evidências as linhas podem ser adequadas, com descontinuação de drogas que se mostrem ineficazes e incorporação de medicamentos que venham a se mostrar promissores. Nesse tipo de estudo, uma comissão central tem acesso a todos os dados e faz análises durante todo o processo, evitando que os pacientes sejam expostos a drogas ineficazes ou com toxicidade elevada.

"O Ministério da Saúde nos orientou a incluir centros de pesquisa em todas as regiões do país e a contribuir com o maior número possível de pacientes. Colabora-se assim com o esforço global de ter uma resposta rápida e aplicável a população brasileira", afirmou Veloso.

De acordo com os pesquisadores da Fiocruz, o custo da pesquisa, por volta de R$ 4 milhões, será arcado pelo Ministério da Saúde.

Estados e hospitais que participarão da pesquisa

Amazonas

Hospital Delphina Aziz

Bahia

Instituto Couto Maia/SES

Ceará

Hospital São José e Doenças Infecciosas

Mato Grosso do Sul

Hospital universitário Maria Aparecida Pedrossian

Minas Gerais

Hospital Universitário da Universidade Federal de Minas Gerais

Pará

Hospital Universitário João de Barros Barreto-UFPA

Paraná

Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná

Pernambuco

Hospital Universitário Oswaldo Cruz - Universidade de Pernambuco

Rio de Janeiro

  • Hospital Universitário Faculdade de Medicina
  • Hospital Federal dos Servidores do Estado
  • Hospital Universitário Clementino Fraga Filho
  • Hospital Universitário Gaffree e Guinle
  • Hospital Universitário Pedro Ernesto
  • Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas

Rio Grande do Sul

Hospital Nossa Senhora da Conceição

Santa Catarina

Hospital Regional de São José

São Paulo

  • Hospital de Clínicas da Unicamp
  • Instituto de Infectologia Emílio Ribas

Uso da hidroxicloroquina

A presidente da Fiocruz disse que a hidroxicloroquina é um medicamento já bem conhecido pela comunidade médica (é usado amplamente para tratamento de lúpus e artrite reumatoide) e, por isso, alguns profissionais tomaram a decisão de fazer o uso off-label, fora do que está prescrito originalmente.

"É uma prática que é feita para casos que chamamos de uso humanitário: quando há doenças com consequências graves para um grupo específico de pacientes, os médicos podem decidir, especificamente para em cada caso, se vale aplicar o medicamento", esclarece Nísia Lima.

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