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Azeite faz bem para o coração; veja mais 8 benefícios dessa gordura boa

Quanto mais puro o azeite, mais antioxidantes ele contém e mais benefícios entrega à saúde - iStock
Quanto mais puro o azeite, mais antioxidantes ele contém e mais benefícios entrega à saúde Imagem: iStock

Samantha Cerquetani

Colaboração para o VivaBem

25/10/2019 04h00

Resumo da notícia

  • O azeite é o óleo extraído da azeitona e possui diversas propriedades benéficas ao organismo
  • Há diferentes versões de azeite próprias para o consumo: extravirgem, virgem, de oliva e refinado
  • O azeite previne doenças cardíacas, diabetes, protege o cérebro e retarda o envelhecimento
  • Na hora da compra, opte pelo produto que venha em embalagem escura ou de vidro

O azeite é o óleo extraído da azeitona, o fruto da oliveira. Essa árvore é uma das mais antigas conhecidas do mundo, sendo cultivada antes da invenção da escrita. Por isso, sabe-se que o consumo do azeite é milenar, mas não se tem conhecimento desde quando ele passou a fazer parte das refeições.

Já foi usado também para aliviar dores e curar feridas em guerras. E o azeite é o melhor exemplo de que nem toda gordura faz mal. Devido às propriedades benéficas ao organismo, os mediterrâneos o apelidaram de "ouro líquido".

Há diferentes versões de azeite próprias para o consumo. O azeite extravirgem é considerado o mais saudável e tem sabor e aroma bem definidos. O virgem possui os mesmos benefícios que o extravirgem, porém, o teor mais alto de acidez resulta em gosto e aroma inferiores. O refinado apresenta baixa qualidade, mas ainda mantém ácidos graxos na composição. E o azeite de oliva é a mistura do refinado com o virgem ou óleo de soja.

O azeite possui gorduras monoinsaturadas, ômega 9, vitaminas E, A e K, ferro, cálcio, magnésio, potássio e aminoácidos. Além de propriedades antioxidantes que proporcionam vários benefícios à saúde. No Brasil, o azeite é usado com frequência para temperar saladas e em carnes, pois realça o sabor dos alimentos. Conheça os benefícios desse óleo.

1. Possui propriedades anti-inflamatórias

Uma pesquisa publicada na revista científica Nature mostrou que o azeite extravirgem possui um composto anti-inflamatório natural que inibe a atividade de enzimas envolvidas na inflamação e na dor do mesmo modo que o ibuprofeno, medicamento anti-inflamatório frequentemente usado para aliviar dores de cabeça, garganta e musculares. O consumo regular do ingrediente ofereceria conforto para quem sofre dessas e outras dores crônicas, como nas articulações e nas costas.

2. Previne doenças cardíacas

Por ser rico em ácidos graxos monoinsaturados (ômega 9), o consumo regular de azeite contribui para a redução do colesterol ruim (LDL) e elevação do bom (HDL). Ele também é rico em polifenóis, compostos que respondem pelo sabor característico, além de terem ação antioxidante e preventiva de doenças cardiovasculares.

Sabe-se que taxas elevadas de LDL contribuem para a formação de placas de gordura que bloqueiam o fluxo sanguíneo e podem levar a infartos e ao AVC (acidente vascular cerebral). Uma revisão de estudos que contou com mais de 840 mil pessoas comprovou que o azeite era a única fonte de gordura monoinsaturada que contribuía para a diminuição do risco de AVCs e doenças cardíacas.

3. Reduz o risco de diabetes

Um estudo publicado na revista científica Diabetes Care concluiu, após quatro anos de acompanhamento, que uma dieta suplementada com azeite de oliva diminuiu a incidência de diabetes tipo 2 em pessoas com alto risco de problemas cardiovasculares. A incidência de diabetes foi reduzida em 51% naquelas pessoas que consumiram o azeite em comparação com quem teve uma dieta com baixa ingestão desse tipo de óleo. Sabe-se que o azeite proporciona efeitos benéficos no açúcar no sangue e na sensibilidade à insulina.

4. Protege o cérebro

O azeite contém antioxidantes que estão relacionados ao bom funcionamento e preservação do cérebro. Essas substâncias são eficazes na prevenção de danos causados pela oclusão de artérias cerebrais, como AVCs. Ainda estão sendo realizadas pesquisas que investigam a possibilidade de o azeite contribuir na melhora de funções cognitivas. A explicação para esse benefício seria um composto presente no óleo, o hidroxitirosol, capaz de impedir a degeneração dos neurônios e, com isso, retardar o processo de envelhecimento cerebral.

5. Melhora os sintomas de artrite reumatoide

A artrite reumatoide é uma doença inflamatória crônica, autoimune, que afeta as articulações. O consumo de alimentos como frutas e cereais integrais e gorduras benéficas, como o azeite, pode minimizar os sintomas da inflamação. O azeite de oliva extravirgem está relacionado à redução de dor crônica. Um trabalho da Universidade Estadual de Londrina mostrou que o azeite e o óleo de peixe melhoraram a dor e a rigidez nas articulações em pessoas com artrite reumatoide.

6. Faz bem para os ossos

O consumo regular de azeite também favorece a saúde dos ossos. A presença da oleuropeína colabora para aumentar a quantidade de osteoblastos, as células que formam o tecido ósseo. Além disso, a presença da vitamina K ajuda a manter os ossos resistentes a fraturas.

7. Pode diminuir o risco de depressão

As pessoas que consomem mais gorduras mono e poli-insaturadas, como as presentes no azeite, têm risco menor de depressão, de acordo com uma pesquisa publicada no PLoS ONE. Foram avaliados 12 mil voluntários durante seis anos. Os pesquisadores mostraram que quem comeu mais gorduras trans, em vez de uma dieta com uso de azeite, teve risco 48% maior de desenvolver depressão.

8. Previne a colite ulcerativa

A colite ulcerativa é uma doença inflamatória intestinal (DII) que afeta o intestino grosso. De acordo com uma pesquisa realizada no Reino Unido com 25 mil pessoas com idades entre 40 e 65 anos, o consumo de azeite pode ajudar a diminuir o risco da doença. Isso ocorre devido ao ácido oleico, um componente do azeite. Os voluntários tiveram um risco 90% menor de desenvolver colite.

9. Retarda o envelhecimento

O azeite de oliva possui uma série de compostos antioxidantes que reduzem a formação de radicais livres. O consumo regular previne o estresse oxidativo, que é responsável pelo envelhecimento precoce das células de todas as partes do corpo.

Benefícios em estudo

- Pode evitar o Alzheimer: a doença neurodegenerativa causa deterioração das funções cerebrais e prejudica a memória e a linguagem. Uma das suas características é o acúmulo de placas beta-amilóides nas células do cérebro. Um estudo realizado com cobaias mostrou que uma substância presente no azeite (oleocanthal) pode remover essas placas e prevenir a doença. Mas ainda faltam estudos com humanos que comprovem a relação do azeite com a diminuição do risco de Alzheimer.

- Protege contra câncer: os antioxidantes presentes no azeite ajudam a reduzir o dano oxidativo provocado pelos radicais livres ao organismo, que é o principal fator de risco para diferentes tipos de câncer. Há diversos estudos realizados em todo o mundo que mostram que alguns compostos do azeite combatem as células malignas. De acordo com um estudo, os polifenois do azeite destroem uma proteína que aciona o gene HER2, responsável pelo surgimento do câncer de mama. Há também trabalhos que relacionam o consumo do alimento com a diminuição do câncer colorretal.

- Combate bactérias: uma pesquisa realizada em tubos de ensaio mostrou que o azeite extravirgem combate algumas bactérias no organismo. Um outro estudo realizado em humanos comprovou que 30 g por dia do óleo ajudam a combater a Helicobacter pylori, uma bactéria que se encontra no estômago e causa úlceras e até câncer.

- Coadjuvante no controle do peso: o consumo de azeite pode ajudar a baixar o ponteiro da balança. Algumas pesquisas relacionam a dieta mediterrânea, rica em azeite, com o controle do peso. Mas não se deve abusar: cada grama do alimento apresenta 9 calorias, e a ingestão em excesso pode prejudicar quem está querendo emagrecer. Vale destacar que nenhum alimento isolado consegue fazer a pessoa emagrecer. O segredo para a perda e o controle de peso é consumir menos calorias do que se gasta, priorizar alimentos saudáveis e frescos e praticar atividade física regularmente.

Formas de consumo

A ingestão recomendada de azeite é de, no máximo, duas colheres de sopa por dia (o equivalente a 30 g). A orientação dos especialistas é evitar usar o óleo para refogar ou fritar os alimentos. Isso porque, ao aquecê-lo, perdem-se suas propriedades antioxidantes e o efeito anti-inflamatório, ainda que não haja malefícios à saúde.

O azeite pode ser consumido in natura para finalizar preparações como saladas, legumes cozidos e pratos quentes com peixe, carne e aves. Pode-se consumi-lo também com pão como substituto saudável para margarina ou manteiga. Não há contraindicações para o consumo, desde que seja com moderação.

Na hora da compra, opte pelo produto que venha em embalagem escura ou de vidro. Ela impede a entrada da luz e não compromete as propriedades do alimento. Prefira os azeites puros, sem mistura com outros óleos. Por isso, não se esqueça de olhar o rótulo na hora da compra.

Fontes: Edson Credidio, nutrólogo e pesquisador em Ciências de Alimentos da Unicamp; Pérola Ribeiro, doutora em Ciências dos Alimentos e professora do curso de Nutrição da Universidade Nove de Julho (UNINOVE); e Ana Beatriz Brandão Giuntoli, nutricionista clínica do Hospital Sepaco.

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Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, o segredo para a perda e o controle de peso é consumir menos calorias do que se gasta.
Diferentemente do informado, é o colesterol "ruim" (LDL) o responsável pela formação de placas de gordura que bloqueiam o fluxo sanguíneo.

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