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Jovem viaja para ver Fla e morre por alergia a camarão, uma das mais fatais

Diego Fernandes (2º da esq. para dir.) morreu após ingerir camarão pela primeira vez - Reprodução
Diego Fernandes (2º da esq. para dir.) morreu após ingerir camarão pela primeira vez Imagem: Reprodução

Gabriela Ingrid

Do VivaBem, em São Paulo

24/10/2019 13h53

Resumo da notícia

  • Diego Fernandes morreu após ingerir camarão pela primeira vez. A alergia está entre as que têm reações mais fatais, assim como gergelim e amendoim.
  • As reações imediatas são urticária, manchas vermelhas, inchaços nos olhos e boca, diarreia e vômitos. Quadros graves levam até ao choque anafilático.
  • Assim que os sintomas são notados é necessário correr a algum hospital, para receber o tratamento imediatamente.

Um torcedor do Flamengo morreu após comer camarão na praia, horas antes de ver a semifinal da Copa Libertadores. Diego Fernandes, 26, havia viajado de Mogi Mirim (SP) ao Rio de Janeiro para conhecer o Maracanã e decidiu experimentar o fruto do mar pela primeira vez, em Copacabana.

Após sentir a garganta formigando, ele decidiu procurar uma farmácia, mas desmaiou antes de chegar ao local. Os amigos o levaram ao hospital, mas o torcedor não resistiu.

Casos como o de Fernandes são atípicos, segundo Ariana Campos Yang, diretora da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia). O mais comum é que a alergia avise que está iniciando, com sintomas leves, como coceira, quando o alimento ainda está na boca ou minutos depois do consumo. "Muita gente tem os sintomas na primeira vez que come e só tem a reação mais grave na segunda ou terceira", diz.

Segundo ela, a gravidade depende do sistema imune no momento do contato. Quanto mais debilitado, mais rápida é a progressão da reação. Mas as alergias a frutos do mar, gergelim, amendoim e castanha são as mais envolvidas em reações fatais, justamente por acometer mais os adultos. "O adulto tende a ter autocuidado menor, tende a não valorizar sintomas leves, por isso sofre mais dessas alergias", diz Yang.

Quais são os sintomas:

  • Tosse, chiado, falta de ar;
  • Dor abdominal, náusea, vômito, diarreia;
  • Urticária e placas vermelhas na pele;
  • Inchaço nas partes moles, como boca e olhos.

O que fazer?

A única forma de ter ciência de uma alergia é ingerir o alimento. Se ela existir, os sintomas aparecerão e a indicação é correr para o hospital. "É coisa de segundos e minutos. É preciso ir ao hospital mais próximo assim que perceber os sintomas", sugere Yang. Se for anafilaxia (reação alérgica grave e possivelmente fatal), é feita uma aplicação intramuscular de adrenalina, que tem uma ação muito rápida.

Diego sonhava em conhecer o Maracanã - Reprodução - Reprodução
Diego sonhava em conhecer o Maracanã
Imagem: Reprodução
De acordo com a médica, isso deve ter sido feito no caso de Fernandes, mas a pressão do sangue devia estar tão baixa que ele nem levou o remédio para atuar onde deveria. "A alergia faz com que os vasos sanguíneos se dilatem, diminuindo a pressão do sangue. Quando ela cai muito, ela tem o que chamamos de choque. O anafilático é quando ele é causado por alguma alergia", explica ela.

A adrenalina, quando injetada, bloqueia os receptores das moléculas que estão dilatando os vasos e causando broncoconstrição (fechamento dos brônquios que causa a dificuldade para respirar). "Só que ela precisa chegar nesses lugares. O atraso no tratamento impede isso".

Geralmente, quando o indivíduo é tratado a tempo, ele recebe um plano de ação do médico, que contém todas as diretrizes caso o contato com o alimento volte a acontecer. Além disso, é indicado que o paciente ande com uma nécessaire contendo um antialérgico, um broncodilatador e a caneta de adrenalina.

Mas depois que a alergia é diagnosticada, provavelmente terá que tirar o alimento do cardápio para sempre. Em casos específicos pode até ser que o quadro se resolva com o tempo, como quando existe alergia na infância ao leite, ao ovo, à soja e ao trigo. Porém, alergia a alimentos como amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar são tipicamente persistentes.

Quais alimentos mais causam alergia?

A alergia alimentar, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, atinge cerca de 5% da população adulta e aproximadamente 8% das crianças. Existe uma predisposição genética à alergia em geral, ou seja, se alguém da sua família tem ou teve, as chances de você ter também são maiores. Mas mesmo quem não tenha familiares com o problema pode desenvolvê-lo.

Ele pode aparecer por causa de diversos fatores, como antibióticos ou quando comemos mal, por exemplo. "Eles modificam nosso sistema imune, que, para aprender a defender o corpo, recebe informações de todo o ambiente, principalmente no intestino. Quando mudamos essa comunicação devido a fatores alimentares ou por medicação, o sistema imune começa a se atrapalhar", diz Yang.

Os alimentos que desencadeiam alergias frequentemente são: leite, ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas, crustáceos e peixes. Mas o ranking de comidas com maior potencial alergênico pode variar de acordo com os hábitos alimentares de cada local. No Brasil, por exemplo, kiwi e gergelim também têm apresentado prevalência nas reações alérgicas. "Na verdade, a gente pode ter alergia a tudo, menos à água", diz Yang.

A gravidade da alergia não tem nada a ver com a quantidade ingerida. "Você pode comer de um talher que encostou no camarão e ter alguma reação".

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