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Com casca ou sem? Entenda por que aproveitar todas as partes dos alimentos

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Imagem: lucentius/iStock

Do Saúde Brasil

20/10/2019 12h57

Já é automático na hora de cozinhar: descasca, corta o talo, retira as sementes. Parece que esse hábito representa o ritual de higienização e preparo dos alimentos. Normalmente, essas partes não parecem ter alguma função ou sabor, e raramente são servidas à mesa.

Mas não se engane pelas aparências! Quase tudo que é descartado no começo do preparo das refeições não só pode ser aproveitado nas receitas, como também apresenta tantos nutrientes quanto as partes consideradas convencionais.

Segundo o livro "Na cozinha com frutas, legumes e verduras", elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), consumir integralmente um determinado alimento representa o aproveitamento dele como um todo, sem desprezar nada. Ou seja: está liberado comer da semente até o talo.

Mas o que eu ganho com isso?

Provavelmente você está se perguntando quais são as reais vantagens disso, e os especialistas respondem: as cascas, os talos e até as sementes concentram grandes quantidades de vitaminas, minerais, fibras e nutrientes essenciais para a saúde e para a prevenção de doenças.

No caso das fibras, elas são superimportantes para o funcionamento de todo o trato gastrointestinal, que são os órgãos que compõem o sistema digestivo. Faz sentido agora ter ouvido durante tanto tempo que era importante tomar suco sem coar?

Essa mudança de hábito ainda faz bem para o planeta, pois não deixa de ser uma forma barata e eficiente de reduzir o lixo produzido diariamente. A conclusão final de tudo isso é que todo mundo sai ganhando!

Afinal, quem são as cascas, os talos e as sementes na tabela nutricional?

A nutricionista do Ministério da Saúde, Nadia Amore, explica que as cascas e sementes, em geral, são grandes fontes de fibra e costumam conter os mesmos nutrientes que o alimento em si.

Ela afirma que a casca de banana, por exemplo, contém triptofano, que é parte componente do hormônio serotonina, responsável pela sensação de prazer e bem-estar. Já a casca e semente da melancia fornecem licopeno, que está associado à prevenção do câncer de próstata.

A casca e o bagaço da laranja são fontes de vitamina C, um poderoso antioxidante. Já a casca do abacaxi, além das fibras e da vitamina C, contém a enzina bromelina, que auxilia a digestão de proteínas.

Nadia complementa ainda que a casca da abóbora contém betacaroteno, antioxidante que reduz o risco para doenças cardiovasculares e câncer. Já as sementes contêm zinco, magnésio, potássio, ferro e outros nutrientes, que em alguns estudos têm sido associados à proteção da próstata, alívio dos sintomas da menopausa e diminuição da ansiedade e insônia.

E que tal uma batata rústica? A casca de batata inglesa contém fibras, potássio, ferro, zinco e vitamina C, sendo estes dois últimos relacionados ao bom funcionamento do sistema imunológico.

Por fim, a nutricionista comenta que os talos de hortaliças como couve, brócolis e agrião são ricos em fibras, vitaminas e minerais, em especial cálcio e magnésio, associados à boa manutenção de ossos e dentes.

Na prática, o que dá para fazer com esses ingredientes?

Agora que você já conheceu os benefícios de cozinhar integralmente os alimentos, é hora de usar a criatividade. As sementes, quando torradas, podem virar farinha para preparos diversos ou serem consumidas em lanches intermediários.

As cascas das frutas têm tudo a ver com as compotas, geleias, licores e doces. Já os talos dão todo o sabor que o caldo de legumes precisa, além de ter espaço também nos sucos e refogados.

A nossa entrevistada ainda traz mais algumas sugestões: "os talos e cascas são ótimas opções para serem utilizados em farofas, omeletes, purês, ensopados, panquecas, em massas de bolo e pães. É só utilizar a criatividade e as diversas receitas disponíveis na internet para preparar deliciosas receitas", afirma Nadia.

Quando um alimento não pode ser reaproveitado?

Se ele estiver com aparência de podre ou sinal de mofo, pode jogar no lixo sem medo. O consumo nesse caso pode ser bastante perigoso, já que existe o risco de contaminação. Além disso, o consumo de cascas e talos requer uma higienização caprichada para redução de sujeiras e pesticidas. Sempre que for possível, prefira produtos orgânicos.

Outra situação que merece atenção é em relação a toxidade dos alimentos. A mandioca-brava, por exemplo, apresenta alto teor de ácido cianídrico, que é tóxico e a torna inadequada para o consumo humano sem o devido processamento em altas temperaturas, conforme ensina Nadia.

Já as sementes de maçã são tóxicas quando ingeridas em grandes quantidades. Nadia lembra que, quando mastigadas, elas dão origem a um composto tóxico chamado cianeto. Porém, a ingestão ocasional de algumas sementes não causa danos ao organismo.

Já em relação ao espinafre e aos feijões, ela reforça que eles não devem ser consumidos na forma crua. Isso porque, quando crus, esses alimentos contêm compostos antinutricionais, que não são tóxicos ao nosso organismo, mas impedem a absorção de alguns nutrientes.

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