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Lavar sutiã todos os dias não evita câncer de mama; como realmente prevenir

Usar sutiã preto durante o verão não aumenta o risco e câncer de mama - Istock
Usar sutiã preto durante o verão não aumenta o risco e câncer de mama Imagem: Istock

Priscila Carvalho

Do VivaBem, em São Paulo

23/09/2019 19h08

Se você está no grupo da família ou recebeu de alguém a mensagem no WhatsApp dizendo "Evite o câncer de mama", saiba que o texto é uma fake news. O post dá várias "dicas" de como prevenir a doença, no entanto, nenhuma tem respaldo científico.

De acordo com a mensagem, evitar o uso de sutiãs pretos durante o verão e não aplicar o desodorante antes de dormir podem evitar o problema.

Divulgação
Imagem: Divulgação

Segundo Idam de Oliveira Júnior, mastologista do Hospital de Amor Barretos, instituição especializada no tratamento do câncer, todos os itens são falsos e a publicação é desserviço.

Lavar sutiã, evitar sutiãs preto e os com arame

O especialista ressalta que o mito sobre o uso do sutiã já é falado há anos, mas não existe nenhuma comprovação na literatura médica que mostre que cor ou materiais com que ele é feito influenciem no desenvolvimento da doença, bem como a frequência da lavagem.

Cubra o peito com algum lenço ou se estiver exposta ao sol

Diferentemente da mensagem, alguns estudos já mostraram que a vitamina D em baixa está associada a aumento no risco de desenvolver câncer de mama. Segundo Júnior, tomar sol é até bom, desde que seja feito adequadamente. Os especialistas indicam expor pernas e braços ao sol, diariamente, no período das 10 às 15 horas, mas somente por 10 a 15 minutos, sem proteção solar. Expor ou não os seios é uma escolha pessoal, já que a incidência prolongada de sol em alguma região do corpo, sem proteção, está mais ligada ao câncer de pele do que de mama.

Uso de desodorante antes de dormir e antitranspirantes

É comum associarem o problema ao uso do cosmético, mas o desenvolvimento do tumor não tem nenhuma relação com os desodorantes. O especialista explica que a mama tem divisões anatômicas: a maior parte da glândula mamária está localizada no quadrante superior lateral e prolongamento axilar. Como a doença ocorre nesse local, muitas pessoas a associam ao uso de desodorante. No entanto, não há evidência científica que comprove a relação entre as substâncias desses produtos com o surgimento do tumor.

Prevenção feita de forma eficiente

Diferentemente do que foi informado na mensagem, existem maneiras efetivas e verdadeiras para evitar o surgimento da doença. Elas podem ser divididas em duas maneiras:

- Primária: Ter hábitos saudáveis, praticar atividade física e ter uma alimentação balanceada. De acordo com OMS (Organização Mundial da Saúde), estima-se que seguindo essas recomendações é possível reduzir em até 28% a chance de a mulher desenvolver o câncer de mama.

- Secundária: É fundamental realizar o diagnóstico precoce nas áreas assintomáticas. Isso é, fazer exames de forma regular na fase sem sintomas. A SBM (Sociedade Brasileira de Mastologia) recomenda que a mamografia seja feita regularmente a partir dos 40 anos. Já o Ministério da Saúde indica que o exame seja feito ao menos de dois em dois anos após os 50. "Se a mulher tem o diagnóstico precoce garante uma taxa de cura e diminui as sequelas do tratamento", ressalta Júnior.

Surgimento da doença

O câncer de mama pode se desenvolver por diversas razões e não existe um fator isolado. Normalmente, ele pode ser esporádico ou hereditário.

Hereditário

Ocorre por mutação genética e alguém na família precisa ter o problema. Ele é o menos comum e representa 10% dos casos.

Esporádico

Existem diversos fatores que aumentam o risco do problema, como situações em que a exposição ao estrogênio é maior: menstruação precoce, primeira gravidez após os 30 anos e menopausa tardia. Hábitos ruins, como sedentarismo, alcoolismo e má alimentação também elevam a possibilidade do problema. Fatores esporádicos representam cerca de 85% dos casos.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, não é a amamentação do primeiro filho em idade avançada que aumenta o risco de câncer de mama e, sim, a primeira gestação tardia (após os 30 anos), pois a exposição da mulher ao estrogênio é maior.

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