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Creche no interior de SP é acusada de dar Rivotril a bebês; veja riscos

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Giulia Granchi

Do UOL VivaBem, em São Paulo

29/05/2019 18h25Atualizada em 30/05/2019 12h09

Resumo da notícia

  • Uma creche em Votuporanga, no interior de São Paulo, está sendo acusada por mães de dopar crianças com clonazepam, também conhecido como Rivotril
  • Após realizar boletim de ocorrência e submeter o filho a exame toxicológico, uma das mães alegou descoberta da substância na urina e sangue da criança
  • O remédio não deve ser usado para acalmar crianças; quando tomado com frequência, sua falta pode causar taquicardia, sudorese e problemas intestinais
  • De acordo com a advogada responsável, o caso ainda está em fase de investigação

Algumas mães da cidade de Votuporanga, no interior de São Paulo, estão acusando o Cemei (Centro Municipal de Educação Infantil) Prof. Valter Peresi de dopar seus filhos com Rivotril.

Uma delas, Fernanda Oliveira, de 33 anos, inscreveu seu bebê Nicolas em 2017, deixando aos cuidados dos funcionários por períodos curtos. A criança tinha, então, 7 meses, e chorava bastante. Um dia, após deixar o bebê na creche por uma hora, a professora o trouxe em um carrinho, dormindo. Após pegar a criança no colo, ela relata notar que havia algo errado e não conseguiu acordá-lo. De acordo com ela, Nicolas ficou dois dias internado na unidade semi-intensiva, mas mesmo após uma bateria de exames, os médicos não conseguiram descobrir qual era o problema.

Já Keli Nascimento foi acionada em 2018 com a notícia de que seu filho de 11 meses estava passando mal -- apresentava vômitos, corpo mole, estava pálido e chegou a ficar desacordado. Desconfiada de que pudesse ser algo relacionado com a creche, Keli registrou um BO (boletim de ocorrência) e realizou um exame toxicológico, que compartilhou com a reportagem do UOL VivaBem. O resultado do documento mostrado por ela apontou a presença da substância clonazepam no sangue e na urina.

"Mesmo antes da confirmação, que demorou alguns meses, pois o exame precisou ser realizado em São Paulo, outras mães já haviam procurado assistência jurídica. Hoje, cerca de 10 relatam os mesmos sintomas para crianças que compartilham a sala de aula", aponta Bruna Nunes Carvalho, advogada responsável pelo caso.

Quais riscos o remédio oferece a bebês?

A administração de qualquer medicamento em crianças sem recomendação médica é perigosa. "A substância fica no organismo por até 18 horas e tem seu tempo de pico, no qual a criança pode apresentar problemas respiratórios, vômitos, extrema moleza no corpo, apneia, dificuldade na fala quando se trata de crianças maiores...", explica Cirilo Tissot, médico psiquiatra mestre pelo IPq (Instituto de Psiquiatria) da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e diretor técnico da Clínica Greenwood.

No entanto, o medicamento não tem o poder de causar a morte de uma criança. De acordo com o médico, um dos principais problemas está na resistência que o remédio causa. Se é administrado com frequência, o corpo se acostuma com a substância e a falta dela pode causar crises de abstinência nas quais o paciente enfrenta sintomas como taquicardia, sudorese e problemas intestinais.

Quando administrado de forma correta e controlada, o Rivotril é um medicamento seguro, inclusive para crianças. "É recomendado para pequenos que sofram com epilepsia e geralmente, para adultos diagnosticados com ansiedade patológica", aponta o especialista.

Como está o caso

Carvalho aponta que a suspeita é que a substância tenha sido usada para acalmar os pequenos. "Em geral, notamos que as creches abrigam um número muito grande de crianças, e os educadores acabavam ficando sobrecarregados", comenta.

O processo, de acordo com Carvalho, ainda está em fase de investigação pela polícia, e a prefeitura da cidade abriu sindicância, processo administrativo pelo qual servidores são incumbidos de realizar uma investigação. A Comissão de Sindicância irá averiguar documentos, colher depoimentos e, principalmente, acompanhar o andamento do inquérito policial.

"É importante ressaltar que no final do ano passado, quando procurada pelos pais, a Secretaria Municipal da Educação relatou o caso à Procuradoria Geral do Município, no entanto, na época, não haviam exames médicos ou qualquer outro material com embasamento legal que determinasse providências administrativas. Mesmo assim, a equipe gestora realizou orientações diversas sobre o tema com educadores, técnicos e profissionais das escolas municipais", afirmou a Prefeitura de Votuporanga ao UOL VivaBem.

Até o momento de publicação desta reportagem, não obtivemos sucesso em contatar o Cemei Prof. Valter Peresi por telefone ou email.

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