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Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


MMS não só não cura autismo como causa diarreia e danos no trato digestivo

Divulgação/ Arquivo pessoal Andrea Werner
Imagem: Divulgação/ Arquivo pessoal Andrea Werner

Priscila Carvalho

Do UOL VivaBem, em São Paulo

27/05/2019 10h55

"Bom dia, qual a dosagem para uma criança autista de 3 anos de idade, pesando 17 kg". Essa é uma das perguntas feitas por um internauta que assiste a um vídeo no YouTube do médico Lair Ribeiro, um dos defensores do MMS (sigla em inglês para Solução Mineral Milagrosa).

O produto é composto por dióxido de cloro e é vendido na internet com a promessa de curar o autismo e outras doenças. No entanto, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), trata-se apenas de um alvejante altamente corrosivo e sem nenhuma comprovação científica para ingestão em seres humanos.

Em junho de 2018, o órgão proibiu a comercialização e fabricação do MMS, mas ainda sim é fácil encontrá-lo em anúncios da internet e sites como Mercado Livre. Além disso, grupos de WhatsApp que reúnem pais de crianças autistas estão sendo bombardeados constantemente com mensagens falsas que induzem a compra do produto.

No entanto, além de não alterar o quadro de quem tem autismo, Alzheimer e qualquer outra condição de saúde, o uso desse produto pode levar ao desenvolvimento de mais problemas de saúde no sistema digestivo.

MMS provoca diarreia e sobrecarrega rins

Por ser altamente corrosivo, o MMS provoca diversos danos ao organismo quando ingerido. Os sintomas mais comuns são vômito e diarreia. Porém, em casos mais graves, ele pode machucar o tubo digestivo, prejudicando os tecidos e células da região, principalmente se aplicado pelo reto, umas das formas de uso indicadas na internet. Há até mesmo relatos de descamação das paredes do intestino e reto, mas isso é indicado como um sinal de melhora, pois os tecidos são confundidos com vermes que causariam o autismo --e não existem evidências científicas que relacionem verminoses a este quadro.

O MMS é extremamente nocivo à saúde e pode provocar até uma parada respiratória na criança. Não há nada que comprove sua eficácia Simone Sudbrack, pediatra do Hospital São Leopoldo da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)

O problema pode ser ainda pior se o uso for feito de maneira contínua. "Ele pode provocar desidratação e sobrecarregar os rins", afirma Alexandre de Sousa Carlos, gastroenterologista e médico assistente do departamento de gastroenterologia do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). O especialista ressalta ainda que o uso pode deixar o indivíduo extremamente fraco, provocando picos de anemia.

O que diz a Anvisa

Por meio de nota, o órgão reiterou que o dióxido de cloro não tem aprovação como medicamento em nenhum lugar do mundo e que, de fato, sua ingestão traz riscos imediatos e a longo prazo para os pacientes, principalmente às crianças.

O órgão alegou ainda que, desde o ano passado, fiscaliza e retira anúncios de venda do produto e até o momento foram derrubados mais de 200 propagandas.

Sobre os sites de comércio que ainda disponibilizam o produto para venda, a Anvisa disse ainda que mantém um acordo de cooperação com o Mercado Livre para coibir a venda desses produtos irregulares e que, desde abril, o volume de anúncios da substância reduziu. No entanto, ainda estão trabalhando para que todo tipo de propaganda seja retirada do ar.

O que é o autismo?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento que acomete cerca de 70 milhões de pessoas no mundo. Ele é mais prevalente na infância e mais comum em meninos. Os sintomas prevalentes são dificuldades de compreensão, associada a falta de interação e movimentos repetitivos.

Geralmente, o transtorno é descoberto entre os 18 e 24 meses de vida, período no qual a criança é submetida a exames neurológicos e de fala. Felipe Kalil Neto, neurologista do Hospital São Lucas da PUCRS, ressalta que ainda não existe cura para o autismo. Por isso, segundo o especialista, muitas pessoas e falsos médicos se aproveitam para usar do charlatanismo e divulgar que compostos, como o MMS, curam o transtorno. "Você não vai achar nenhuma comunidade médica séria defendendo isso".

De acordo com o especialista, o TEA deve ser acompanhado por diversos especialistas como neurologistas, pediatras, psicólogos e terapeutas ocupacionais que avaliam o grau do transtorno e indicam o melhor tratamento e acompanhamento do paciente.

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