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O que pode ser?

A partir do sintoma, as possíveis doenças


Calafrio decorre de movimentos musculares e febre é causa comum

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

21/09/2021 04h00

O seu organismo possui um mecanismo interno que mantém a temperatura corporal estável, isso porque dela depende o bom funcionamento de células e de todos os tecidos do organismo, incluindo órgãos como coração e cérebro.

Quando ocorrem alterações nesse estado, aumentando ou reduzindo a temperatura normal, imediatamente é desencadeado um mecanismo protetor da produção de calor por meio da contração e relaxamento de músculos. A esse movimento muscular involuntário se dá o nome de calafrio (na origem latina da palavra, calafrio, literalmente, é esquentar o frio).

Esse sintoma é caracterizado por arrepios, tremores, bater de dentes, e ainda pode ser notada a ereção de pelos. Geralmente aparece junto a outras manifestações, mas é mais comum em quadros de febre, exposição a baixas temperaturas, viroses, infecções e outras enfermidades.

Por que isso acontece?

Expor-se ao frio (ambientes com baixa temperatura) é uma das possíveis causas do sintoma. Mas ele também está associado a infecções e, principalmente, a vários tipos de febre: infecciosas —virais ou bacterianas (30%); neoplásica (tumores); do tromboembolismo pulmonar (TEP) e do fechamento dos brônquios pulmonares (atelectasia). A explicação é de Manuella Toledo, médica geriatra do Hospital Universitário Lauro Wanderlei da UFPB.

Veja alguns exemplos dessas enfermidades:

Quem precisa ficar atento?

Essa manifestação pode acometer homens e mulheres igualmente. No entanto, as crianças pequenas tendem a apresentar mais quadros febris, o que aumenta a chance de ter mais calafrio. Já entre os bebês de até 1 ano, o sintoma não é comum.

Na população idosa, mesmo nos quadros infecciosos, o calafrio é mais raro.

Quando é a hora de procurar ajuda médica?

O pediatra Ivan Savioli Ferraz, docente do Departamento de Puericultura e Pediatria da FMRP-USP, diz que os sinais de alerta entre as crianças são febre de 39°C que se repete (a cada 6 horas, por exemplo), principalmente quando acompanhada por manchas por mais de dois dias.

"Outra 'luz vermelha' é observar que o pequeno, mesmo após ser medicado com um antitérmico, não volta a seu estado normal. Todas essas situações são indicadoras de infecções mais graves que precisam ser avaliadas por um médico", completa.

Entre os adultos, é bom procurar ajuda médica quando se percebe que o calafrio não tem justificativa, isto é, não está frio, e só você tem essa manifestação. A medida permitirá entender se, por trás desse sintoma, há algo mais grave —como infecções, hipoglicemia, ou outras causas que precisam ser investigadas, como é o caso do hipotireoidismo.

Além disso, é bom ficar de olho em extremos de idade, principalmente entre pessoas idosas e muito debilitadas.

O especialista treinado para avaliá-lo é o clínico geral, ou o pediatra —quando o paciente é uma criança.

Como é feito o diagnóstico?

Na hora da consulta, o médico vai ouvir sua queixa, fazer um levantamento do seu histórico de saúde e ainda realizar o exame físico, incluindo a medição da sua temperatura. Geralmente, o diagnóstico é feito com base nessas informações —por isso é chamado de diagnóstico clínico.

A depender do tempo da manifestação do calafrio e outros sintomas associados, o médico poderá solicitar exames complementares, como os de sangue ou de urina, e de imagem —como a radiografia do tórax.

Como é feito o tratamento?

O calafrio é um sintoma que sempre está associado a alguma doença, que pode ser mais ou menos grave. Assim, a estratégia terapêutica dependerá do tipo de enfermidade diagnosticada. Um vez tratada a origem do calafrio, ele tende a desaparecer.

Quando a febre está presente, até que se descubra a origem do sintoma, pode ser indicado o uso de antitérmicos.

Por que as pessoas têm calafrios após uma cirurgia?

Kenny Regina Lehmann, médica especializada em clínica médica e geriatria, professora da Faculdade de Medicina da UFPR, explica que o sintoma, nessas circunstâncias, normalmente está relacionado ao processo de anestesia, e é até esperado, porque algumas medicações (especialmente as utilizadas para a anestesia geral) diminuem o metabolismo, o que reduz a temperatura corporal. Além disso, parte do corpo do paciente fica exposta ao ar-condicionado nas salas de cirurgia.

Ela acrescenta que, em uma cirurgia de apendicite, por exemplo, que é uma condição infecciosa, o calafrio pode decorrer de uma infecção. "Nesse caso, ele pode ser um alarme de que será necessário tratamento com antibióticos", diz.

Lehmann informa ainda que "quando houver dúvidas para além das questões relacionadas à regulação da temperatura corporal, uma avaliação criteriosa é essencial e deve ser acompanhada de exames de sangue ou imagem, que ajudam a determinar se o quadro é benigno ou não."

Dá para prevenir?

Sim, quando o sintoma se relaciona às baixas temperaturas, usar roupas adequadas pode controlar a manifestação do calafrio.

Por outro lado, quando ele está associado à febre, cuja origem pode ter inúmeras causas, a prevenção é mais difícil.

Em ambiente hospitalar e durante as cirurgias, cabe aos anestesistas monitorar todo o procedimento para prevenir o calafrio por meio do controle dos medicamentos utilizados, e também da temperatura corporal.

Saiba o que fazer em casa para aliviar desconforto

Além de adequar-se à temperatura ambiente, na presença de febre é indicado aumentar o consumo de líquidos e repousar. O uso de antitérmicos deve ser considerado quando a temperatura corporal for maior que 37,8°C.

Algumas pessoas sentem conforto em tomar banho, porém devem ser evitados banhos frios ou muito quentes.
Sugere-se também não exagerar no agasalho, nem nos cobertores.

Fontes: Kenny Regina Lehmann, médica especialista em clínica médica e geriatria, professora da Faculdade de Medicina da UFPR (Universidade Federal do Paraná); Manuella Toledo, médica geriatra do HULW-UFPB (Hospital Universitário Lauro Wanderlei da Universidade Federal da Paraíba), unidade vinculada à Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares); Ivan Savioli Ferraz, médico pediatra e docente do Departamento de Puericultura e Pediatria da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo). Revisão técnica: Ivan Savioli Ferraz.

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