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O que pode ser?

A partir do sintoma, as possíveis doenças


O que pode ser?

Febre, dor de cabeça e rigidez na nuca são sinais de meningite

Embora a meningite possa ocorrer em qualquer idade, as crianças são as mais vulneráveis à doença - Di Vasca/ Arte UOL VivaBem
Embora a meningite possa ocorrer em qualquer idade, as crianças são as mais vulneráveis à doença Imagem: Di Vasca/ Arte UOL VivaBem

Tatiana Pronin

Colaboração para o UOL VivaBem

05/03/2019 04h00

Resumo da notícia

  • A meningite meningocócica é uma doença grave, bastante contagiosa e que pode provocar até morte
  • O problema pode ser causado por diversos agentes, mas os provocados por vírus e bactérias são os mais comuns
  • Em geral, a meningite é transmitida de pessoa para pessoa, por meio de gotículas e secreções liberadas pelo nariz e pela garganta
  • Crianças, idosos, grávidas, pessoas que não se vacinaram ou estão com o sistema imunológico comprometido têm maior risco de contágio
  • Apesar da maioria dos casos ter cura, o risco de morte é alto: de 10% a 20% --podendo chegar as 70% se houver infecção generalizada

Meningite é uma doença que sempre gera preocupação. É que a infecção causada por bactérias, como a meningite meningocócica, é um problema grave, bastante contagioso e que pode provocar sequelas e até morte. Segundo a Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações), entre 1.500 e 3 mil pessoas são acometidas todos os anos. Embora possa ocorrer em qualquer idade, as crianças são as mais vulneráveis. Em 2017, houve 266 mortes por meningite meningocócica no país, segundo o Ministério da Saúde. 

Apesar do temor provocado pelas meningites bacterianas, as virais são bem mais comuns no país e respondem por mais da metade dos casos. Também existem tipos menos frequentes de meningite, como as causadas por fungos e parasitas, além das não infecciosas. 

O que é meninge?

As meninges são membranas de tecido conjuntivo que envolvem o cérebro e a medula espinhal, com o objetivo de proteção. São elas, de fora para dentro:

  • Dura-máter;
  • Aracnóide; 
  • Pia-máter. 

Quando uma bactéria ou vírus, por alguma razão, consegue vencer as defesas e chegar às meninges, elas se inflamam e causam as meningites.

Tipos e causas 

As meningites bacterianas e virais são as mais importantes em termos de saúde pública, por sua capacidade de causar surtos. A meningite meningocócica (causada pela bactéria Neisseria meningitidis) é a mais grave, mas outros organismos também podem estar envolvidos. Em geral, a incidência das bacterianas é mais comum no outono e no inverno e das virais na primavera e no verão. Veja os principais causadores:

  • Bactérias

Neisseria meningitidis (meningococo), Streptococcus pneumoniae (pneumococo) e Haemophilus influenzae são as principais causadoras de meningites bacterianas. Streptococcus do grupo B, Listeria monocytogenes, Escherichia coli e Treponema pallidum também podem causar a doença, porém com menor frequência. O bacilo de Koch, um tipo de micro-organismo um pouco diferente que causa a tuberculose também pode, em certos casos, provocar meningite. 

- Sorogrupos Existem tipos (sorogrupos) diferentes de meningococo, sendo que os principais responsáveis pela doença são: A, B, C, W e Y. 

  • Vírus

Os principais responsáveis são os enterovírus (como Coxsackie e Echovírus). Outros possíveis envolvidos: vírus do grupo herpes (como Herpes simplex, o vírus da varicela zóster, de Epstein-Barr e citomegalovírus), o vírus do sarampo, o da caxumba e arbovírus (como os vírus da dengue, zika, chykungunya ou febre amarela), entre outros.

  • Fungos

Meningites causadas por Cryptococcus neoformans, Cryptococcus gatti, Candida albicans, Candida tropicalis e Histoplasma capsulatum, entre outros, são raras, mas podem acometer indivíduos com a imunidade comprometida.

  • Parasitas 

Protozoários como Toxoplasma gondii, Trypanosoma cruzi e Plasmodium sp e helmintos (vermes), como a larva da Taenia solium, Cysticercus cellulosae (causador da cisticercose) e Angyostrongylus cantonensis também podem causar meningite, mas em proporção menor que vírus e bactérias.

  • Processos não infecciosos

Também existem meningites causadas por processos não infecciosos. Nesses casos, a inflamação é deflagrada não por vírus ou bactérias, e sim por doenças autoimunes, câncer ou uso crônico de alguns medicamentos. 

Transmissão

Em geral, a transmissão da meningite bacteriana é de pessoa para pessoa, por meio de gotículas e secreções liberadas pelo nariz e garganta. De acordo com o CDC (Centro de Prevenção e Controle de Doenças, nos Estados Unidos), aproximadamente uma em cada dez pessoas é portadora do meningococo no nariz ou na garganta, sem apresentar qualquer sintoma. 

Na meningite viral, tudo depende do agente causador da doença: enterovírus têm transmissão fecal-oral (sem lavar as mãos direito, a pessoa transmite o vírus ao tocar outra pessoa ou alguma superfície que vai ser tocada em seguida). Já no caso dos arbovírus, o transmissor é um mosquito

Na meningite por fungos, mais rara, a transmissão ocorre por aspiração de esporos, contato com ambientes contaminados por fezes de certos animais ou no ambiente hospitalar. Os parasitas envolvidos na meningite são adquiridos por alimentos contaminados, mas esses casos também são menos comuns que aqueles provocados por vírus ou bactérias. 

Fatores de risco 

Qualquer pessoa pode ter meningite, mas alguns fatores aumentam o risco, como:

  • Extremos de idade (ter menos de 5 anos ou mais 60 anos);
  • Pessoas que não tenham completado o esquema vacinal recomendado;
  • Sistema imunológico comprometido (pessoas com diabetes, câncer, Aids, alcoolismo, uso crônico de corticoides);
  • Gravidez (gestantes têm maior risco de meningite pela bactéria Listeria monocytogenes);
  • Viver em grandes centros urbanos e frequentar ambientes fechados e cheios de pessoas;
  • Exposição recente a pessoas com a doença.

Sintomas de meningite

  • Febre (de início súbito)
  • Dor de cabeça
  • Rigidez do pescoço
  • Mal-estar
  • Náusea 
  • Vômito
  • Sensibilidade à luz
  • Confusão mental
  • Manchas vermelhas na pele (em alguns casos)

Na suspeita da doença, deve-se procurar atendimento médico o mais rápido possível.

Atenção aos bebês

Em recém-nascidos e bebês, alguns dos sintomas descritos acima podem estar ausentes ou são difíceis de ser percebidos. O bebê pode ficar irritado, vomitar, alimentar-se mal ou parecer letárgico ou irresponsivo a estímulos. Também pode apresentar a moleira afundada.

Viral ou bacteriana?

Nas meningites virais, o quadro é mais leve, inclui sintomas semelhantes ao de gripes e resfriados, e a evolução costuma ser benigna, ou seja, sem complicações. Já as meningites bacterianas geralmente apresentam sintomas mais graves e requerem o início de tratamento com antibiótico imediatamente.

Complicações

Em muitos casos, a meningite pode causar convulsões. Na bacteriana, se o quadro não for tratado a tempo, há risco de lesões cerebrais, morte ou sequelas. 

Os sintomas de septicemia meningocócica (meningococemia), uma complicação grave que ocorre quando a bactéria Neisseria meningitidis entra na corrente sanguínea, são:

  • Fadiga;
  • Mãos e pés frios;
  • Calafrios;
  • Dores severas ou dores nos músculos, articulações (juntas), peito ou abdômen (barriga);
  • Respiração rápida;
  • Diarreia;
  • Manchas vermelhas pelo corpo.

Tem cura? 

Sim, a maioria dos casos evolui para a cura, mas é fundamental que os cuidados sejam iniciados o quanto antes, principalmente no caso da meningite bacteriana. O risco de morte por meningite meningocócica é alto --de 10% a 20%, segundo a Sbim, podendo chegar a 70% se houver infecção generalizada (meningococemia).

Sequelas

Quando o diagnóstico da meningite é atrasado ou a condição não é tratada de forma adequada, há risco de a doença deixar sequelas, ou seja, problemas permanentes como surdez, dificuldade de aprendizagem, crises de epilepsia e comprometimento cerebral. 

Diagnóstico

A meningite é diagnosticada com a avaliação do paciente e a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), também conhecido como líquor, um fluido corporal estéril, límpido e incolor, que ocupa o espaço entre as meninges (espaço subaracnoide). Em processos infecciosos, o líquor fica turvo. Outros exames, como a cultura de líquor, sangue ou fezes, podem ser solicitados pelo médico. 

O exame dói muito?

Se feita de forma adequada, por um profissional habilitado, a coleta do líquido cefalorraquidiano é rápida e causa pouca dor, semelhante à de uma coleta de sangue.

Como tratar a meningite

No caso das meningites bacterianas, é feito com antibióticos aplicados na veia. Nesse caso, é necessária a internação hospitalar. Quanto mais rápido o tratamento começar, menor a possibilidade do quadro evoluir mal.

Para as meningites virais, o tratamento é apenas de suporte, embora em certos casos provocados por herpes ou influenza o uso de antivirais possa ser indicado. Os medicamentos antitérmicos e analgésicos são úteis para aliviar os sintomas. O paciente pode voltar para casa, pois geralmente em poucos dias o problema estará resolvido.

As meningites por fungos são tratadas com antifúngicos por longo período. Já os quadros causados por parasitas também possuem tratamento específico, em geral com o paciente internado. 

Como ajudar um paciente com meningite em casa?

Um paciente que possa ficar em casa deve permanecer em repouso, ingerir líquidos com frequência e se alimentar bem. Siga sempre as orientações médicas e, caso os sintomas não melhorem em alguns dias, ou o quadro se agrave, volte ao hospital ou consulte seu médico de confiança. 

Como evitar uma meningite? 

Atualmente, existem vacinas disponíveis contra o meningococo e o pneumococo, agentes comuns em meningites bacterianas, que são as mais graves. O Haemophilus influenzae também pode causar essa doença em crianças, e a vacina contra esse agente faz parte do calendário básico de vacinação. 

Para pessoas que tiveram contato próximo com outras pessoas com meningite por meningococo ou Haemophilus, também é possível administrar antibióticos que evitam a infecção, desde que isso seja feito de forma rápida.

Vacinas disponíveis contra meningite

As vacinas contra meningite disponíveis no calendário de vacinação do Ministério da Saúde são:

  • Vacina meningocócica conjugada sorogrupo C Protege contra a doença meningocócica causada pelo sorogrupo C;
  • Vacina pneumocócica 10-valente (conjugada) Protege contra as doenças invasivas causadas pelo Streptococcus pneumoniae, incluindo meningite;
  • Pentavalente Protege contra as doenças invasivas causadas pelo Haemophilus influenzae sorotipo B, como meningite, e também contra a difteria, tétano, coqueluche e hepatite B;
  • BCG Protege contra as formas graves da tuberculose.

Na rede particular existe uma vacina contra a meningite B, indicada dos dois meses aos 50 anos de idade. 

Dicas gerais de prevenção

  • Lavar as mãos com frequência, especialmente após trocar fraldas, usar o banheiro, antes de comer e ao assoar o nariz
  • Cubra a boca ao espirrar ou tossir
  • Mantenha os ambientes sempre ventilados
  • Tenha uma dieta equilibrada e faça exercícios
  • Siga as orientações médicas para manter doenças crônicas sob controle.

Fontes: Leonardo Weissmann, médico e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia); Nelson Douglas Ejzenbaum, médico pediatra e neonatalogista, membro da Academia Americana de Pediatria; Priscila Rosalba D. Oliveira, médica e consultora da SBI; CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA); Ministério da Saúde; Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações).

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