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Victor Machado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Entenda sua relação com a comida e 'alimentos proibidos'

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Victor Machado

Victor Machado é nutricionista, pós-Graduado em nutrição esportiva e em nutrição Comportamental. Atua com foco em comportamento alimentar e é o idealizador da marca Nutrição Sincera, que tem como objetivo passar informações sobre saúde, alimentação e bem-estar por meio do humor.

Colunista do UOL

26/07/2021 04h00

As dietas restritivas normalmente são utilizadas como estratégia para obter emagrecimento e saúde. Porém, uma de suas consequências é a eliminação desnecessária de alguns grupos alimentares. No passado apenas eram restritos alimentos ultraprocessados ou aqueles de alta densidade calóricas. Hoje, as restrições incluem até frutas, tubérculos, cereais e laticínios.

Curioso é o fato de existir uma vastidão de informações sobre alimentação, bem-estar, dietas da moda e, ao mesmo tempo, os índices de sobrepeso e obesidade continuarem aumentando. Nas redes sociais, sempre tem um suco novo que vai ajudar a queimar todas as gorduras do seu corpo ou uma estratégia de restringir carboidratos que vai acelerar muito o seu metabolismo.

As restrições severas no âmbito alimentar acabou se tornando mais um motivo de desconforto na vida de muitas pessoas, pois existem aquelas que vivem em função da rigidez e estão sempre se privando, com medo de não serem saudáveis ou de não atingirem seus resultados estéticos.

Existe também o grupo de pessoas que estão sempre se culpando por não conseguirem se adequar a esse padrão rígido de alimentação e, como consequência, acabam descontando essa frustração em cima da comida, vivendo assim em um ciclo vicioso de tentativa de restrição, fracasso, exageros alimentares.

Só porque te falaram que restringir é o melhor caminho, não quer dizer que seja o melhor para você

É preciso saber o que realmente é necessário - iStock - iStock
É preciso saber o que realmente é necessário
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Tudo começa com a relação que você tem com a comida. Comer não se trata apenas de restrição severa ou uma contagem eterna de calorias em que tudo é numérico, ignorando os sentimentos que você tem em relação aos alimentos.

Imagine uma vida em que sempre antes de comer seja necessário pesar toda a refeição em uma balança de precisão. Será que faz sentido para todo mundo comer algum alimento considerado "proibido" apenas nos finais de semana? Mas e se a vontade aparecer antes?

Desde sempre, o aprendizado para ter uma alimentação saudável envolve dizer não para doces, frituras, ultraprocessados ou outros alimentos calóricos. Repare que, aos poucos, é possível aprender a dizer um sim de forma consciente.

Isso não se trata de um incentivo para prejudicar a saúde, mas um convite a se conhecer para entender as razões que possivelmente te levam a comer em excesso esses "alimentos proibidos".

Comer e estar em paz envolve simplificar a nutrição e aprender a fazer o básico que funciona: sentir prazer ao se alimentar, não se culpar quando come e entender quando é o momento de se permitir comer alimentos que podem aparecer com uma menor frequência.

Assim você não tem que, necessariamente, escolher um "dia do lixo" nem definir apenas o final de semana para se permitir. Isso envolve entender como funcionam as vontades do seu corpo.

Pode ser que no passado, você não tenha aprendido a lidar com suas limitações na infância e hoje esses alimentos "proibidos" estão disponíveis em abundância e, por isso, você não sabe quando parar de comer. Por isso ter "força, foco e fé" não basta, mas sim entender sua história com a comida.

Comer de forma mecanizada tentando sempre se encaixar em algum padrão alimentar traz uma eterna guerra com a comida, pois muitos não conseguem se adaptar, deixando assim uma sensação de fracasso na tentativa de ser mais saudável.

Se permitir comer, e aprender a dizer sim para todos os alimentos te ajuda a dizer não de forma natural e sem guerra com a comida. Estabelecer que não existe comida do bem ou do mal ajuda a enxergar que existem aqueles alimentos que devem aparecer com mais frequência, e aqueles que podem aparecer com menor frequência.

Aos poucos é possível estabelecer um equilíbrio em que todo e qualquer alimento vai fazer parte da sua vida sem restrições, e sim com permissões, não apenas nos finais de semana, mas nos momentos em que faz sentido para o seu corpo sem nenhum malefício na sua saúde.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL