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Victor Machado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Como ter uma alimentação saudável sem fazer restrições

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Imagem: demaerre/Istock
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Victor Machado

Victor Machado é nutricionista, pós-Graduado em nutrição esportiva e em nutrição Comportamental. Atua com foco em comportamento alimentar e é o idealizador da marca Nutrição Sincera, que tem como objetivo passar informações sobre saúde, alimentação e bem-estar por meio do humor.

Colunista do UOL

19/07/2021 04h00

Atualmente os casos de obesidade e outras doenças crônicas vêm crescendo muito no Brasil. De acordo com a Abeso , estima-se que mais de 20% da população esteja em obesidade e mais de 60% em sobrepeso.

Esse é um fato curioso, pois nunca se teve tanta informação como nos dias de hoje. É muito fácil encontrar pelas redes sociais dicas de emagrecimento e bons hábitos alimentares, dietas da moda, sucos detox, chás milagrosos.

O tempo todo estão vendendo estratégias de emagrecimento e, vários profissionais de saúde utilizam como marketing fotos de antes e depois dos seus pacientes como amostra da sua capacidade profissional para emagrecer e promover mais saúde para as pessoas.

A verdade é que vários dos conceitos de saúde acabaram ficando um pouco deturpados a partir do momento que uma profissão de saúde só é reconhecida como algo que serve apenas ao emagrecimento ou a estética.

É muito comum que a população enxergue a nutrição como uma profissão que serve ao emagrecimento ou ao ganho de músculos, quando na verdade o conceito de nutrição tem a ver com nutrir através do alimento, além de pensar em estratégias para que as pessoas tenham uma melhor relação com a comida.

Dessa forma, com a busca pelo emagrecimento e pela necessidade de atender aos padrões de estética, o ato de se alimentar bem acaba sendo visto como algo que exige muita força e dedicação por parte das pessoas. Já é cientificamente comprovado que existe uma cobrança muito grande contra quem está fora do peso e dos padrões.

Esse estigma da obesidade que pode ser observado por estudos publicados no periódico científico Nature Medicine em que os autores mostram que o preconceito contra esse grupo prejudica a saúde física e mental, dificultando o acesso ao mercado de trabalho.

O estigma é relacionado com a desvalorização de uma pessoa pelo excesso de peso devido estereótipos, sendo vistas como pessoas preguiçosas, sem "vergonha na cara" e sem força de vontade.

A ideia de uma vida saudável se alimentando para manter-se magro e sempre seguindo uma rotina com muito esforço acaba sendo algo contraditório, já que comer é uma das únicas necessidades que você terá até o fim da sua vida.

Se comer é um ato que sempre vai existir, então porque deveria exigir tanto esforço por parte das pessoas? A verdade é que comer deve ser um ato simples, natural que faz parte da sua vida sem necessariamente precisar ter "força, foco e fé" (Expressão muito utilizada no meio fitness).

Enxergar o ato de comer como algo que não exige tanto esforço de você te ajuda a ter melhores escolhas alimentares e a manter um padrão alimentar constantemente saudável independente de você fazer dieta ou não.

Alimentação saudável, salada, vegetais, comida - demaerre/Istock - demaerre/Istock
Imagem: demaerre/Istock

Pense que fazer o básico é o mais importante. Sim, comer vegetais, frutas e beber água, não se esquecer das proteínas, que podem ser obtidas através da carne bovina, suína, aves, peixes, ovos e laticínios e por vegetais (feijões, grão de bico, lentilha, amendoim, entre outros).

Outro macronutriente importante, a gordura não precisa ser vista apenas como algo ruim, mas como uma fonte necessária para proteção térmica, produção de hormônios e formação da bainha de mielina que está envolvida com a condução de impulsos nervosos. Lembre-se de consumir boas fontes como azeites, castanhas, abacate, açaí, coco e cacau.

Entenda também que carboidrato não engorda ninguém de forma isolada. O que pode facilitar o ganho de gordura corporal são os exageros e o excedente de calorias. Portanto, não deixe de consumir tubérculos como batatas, mandioca e não precisa ter medo de arroz.

Consumir alimentos industrializados, doces, frituras pode não ser o ideal, mas não significa que você deva ter medo deles. Apenas entenda que eles podem fazer parte de uma rotina saudável quando consumidos em pouca quantidade.

O que devemos, em resumo, é parar de tratar os alimentos de forma dicotômica como se existisse um vilão e um mocinho.

Comida é apenas comida e existem aqueles alimentos que devem aparecer com mais frequência e aqueles que podem aparecer com menor frequência.

Quando comer esses alimentos que deve-se ter cuidado, tenha compaixão com você e pense se esse alimento fez algum sentido na sua vida.

Refletir sobre o que você come é melhor do que ficar se condenando e se martirizando por ter comido algo que "não deveria".

Quando você aceita o que está comendo, logo é cessada a guerra com a comida e a consequência é o equilíbrio como aprendizado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL