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Victor Machado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Comer de forma intuitiva pode ajudá-lo a emagrecer; veja como

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Victor Machado

Victor Machado é nutricionista, pós-Graduado em nutrição esportiva e em nutrição Comportamental. Atua com foco em comportamento alimentar e é o idealizador da marca Nutrição Sincera, que tem como objetivo passar informações sobre saúde, alimentação e bem-estar por meio do humor.

Colunista do UOL

30/05/2022 04h00

Ao longo do tempo, a nutrição vem cada vez mais ganhando espaço, sempre com novas estratégias, ainda mais quando o assunto é emagrecimento.

Do ano 2000 até os dias de hoje, é possível que você já tenha ouvido falar em low carb, dieta cetogênica, paleolítica, dieta do HCG, Atkins, jejum intermitente e de comer de três em três horas. Mas é curioso o fato de que mesmo com todas essas estratégias, o sobrepeso e a obesidade só aumentam no Brasil. Hoje o país tem mais de 60% da população com excesso de peso e mais de 20% com obesidade. Então parece que seguir essas estratégias não funciona tão bem assim como mostram nas propagandas.

Diante desse contexto, o comer intuitivo, que deveria ser algo natural de se exercer, tem sido divulgado por blogueiras e profissionais de "lifestyle" como uma estratégia para o emagrecimento. Ao mesmo tempo, esse tema divide os profissionais de nutrição, tendo aqueles que enxergam o comer intuitivo como uma chacota, pois se for para comer de acordo com o que a intuição fala, todo mundo só vai comer fast-food e doce de maneira desenfreada.

Na verdade, comer de forma intuitiva não é uma estratégia para emagrecer, nem é necessário uma bola de cristal para seguir a intuição. Também não é motivo para ter medo de comer de acordo com o que o corpo sinaliza, mas antes disso é importante passar pelo processo de aprendizado.

Pensar em comer intuitivo como estratégia é um erro, e não se desenvolve a intuição alimentar da noite para o dia. Para muitos, comer de acordo com a intuição dá medo, pois a probabilidade de comer algo que "engorda" é muito alta.

Mas será que a sua intuição é tão ruim assim?

Pense em uma situação hipotética em que você passou o dia inteiro sem comer, e às 18h alguém o convida para fazer uma atividade esportiva. Porém, existem duas opções de refeições para você fazer antes do treino:

1. Uma pratada de feijoada com torresmo e um copo de cachaça.

2. Pão com ovo

Qual dos dois seria mais interessante comer antes do treino?

Provavelmente sua intuição diria que comer algo que aparente "pesar mais" junto de uma bebida alcoólica não seria interessante para o seu desempenho. Sendo assim, sua intuição não é ruim, alguma coisa sobre alimentação você entende e isso é ótimo.

Falando sobre saber fazer as próprias escolhas, isso exige não ter medo de comer e aprender a escolher por conta própria o que vai comer, exige saber que vegetais são importantes para a saúde e não um recurso emagrecedor.

Caso você siga uma dieta, é importante aprender a fazer as substituições de acordo com o que seu nutricionista propôs.

Se faltar o pão integral da dieta, isso não significa que você saiu dela e está fazendo algo errado. Significa que você pode substituir por tapioca, cuscuz, batata, arroz, macarrão, pão artesanal, grão-de-bico ou até mesmo fruta com aveia. Isso é saber usar a intuição e ter autonomia.

Mas como você vai aprender a ter autonomia, se sua alimentação precisa sempre ser terceirizada a um nutricionista ou médico? Profissionais de saúde estão aqui para orientar e compartilhar conhecimento, e não para ditar uma ordem!

Por isso comer intuitivo é um aprendizado de longa jornada e não uma estratégia para emagrecer. Se você aprende a comer sem sentir culpa, não demonizar a comida, fazer substituições sem medo de errar, é natural que você desenvolva um padrão e intuição alimentar.

Querer comer fast-food e doce o tempo todo só é verdade se você se privou muito com dietas restritivas ou se esses foram os únicos alimentos que você conheceu na sua vida.

Separe os alimentos naqueles que devem ser mais frequentes: frutas, legumes, verduras, arroz, feijão, batatas, ovos, carne, peixe?

E alimentos que PODEM aparecer com menor frequência: doces, industrializados e fast-food?

Assim fica fácil entender que os alimentos que aparecem com menor frequência são exceção e não regra. Dessa forma é possível desenvolver uma boa intuição alimentar, com a qual você pode comer em paz mantendo a saúde do seu corpo.

Errata: o texto foi atualizado
O texto inicial dizia que o país tem mais de 60% da população com sobrepeso, mas, na verdade, temos 60% com excesso de peso. A informação foi corrigida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL