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Dr. Kalil

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Os malefícios do cigarro eletrônico: não podemos retroceder

Roberto Kalil

Roberto Kalil Filho é médico cardiologista, professor titular da disciplina de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), presidente do Instituto do Coração (inCor/HCFMUSP) e diretor do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês. É responsável pelo portal de saúde Dr Kalil Coração & Vida, consultor do quadro Bem Estar, do programa ?Encontro?, da Rede Globo, e estreou o programa Minuto do Coração, na Jovem Pan.

Colunista do UOL

09/05/2022 04h00

Um a cada cinco jovens entre 18 a 24 anos usa cigarro eletrônico no Brasil, de acordo com o relatório Covitel (Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis em tempos de pandemia), divulgado recentemente.

O dado é alarmante, já que o dispositivo é bastante prejudicial à saúde, como sempre falo. O que se sabe hoje é que, além da dependência, o cigarro eletrônico pode causar complicações no pulmão e no sistema cardiovascular bastante sérias —fora os demais riscos que ainda mal conhecemos.

Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Johns Hopkins University encontrou milhares de produtos químicos desconhecidos em cigarros eletrônicos. A pesquisa, que avaliou líquidos (na avaliação, apenas no sabor tabaco) e aerossóis, também encontrou seis aditivos e contaminantes potencialmente perigosos nas amostras.

Atualmente, o cigarro eletrônico é proibido no país. Liberá-lo poderia significar um grande retrocesso na luta contra o tabagismo, que avançou nas últimas décadas e resultou na redução do número de fumantes do cigarro tradicional.

Desde abril, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) passou a receber evidências técnicas e científicas sobre os DEF (Dispositivos Eletrônicos para Fumar) —como são chamados os cigarros eletrônicos. A agência apresentou um documento sobre os dispositivos e disponibilizou um formulário para envio de contribuições.

Na última semana, o CFM (Conselho Federal de Medicina) se posicionou sobre o produto, reforçando que sua proibição se mantenha no Brasil.

A liberação do cigarro eletrônico poderia trazer diversos riscos. Fumantes do cigarro tradicional, por exemplo, poderiam optar por migrar para o novo produto, em vez de buscar o tratamento e parar de fumar —atitude que, de fato, terá impacto positivo para a saúde. Além disso, poderia gerar aumento do consumo entre jovens, público entre o qual o dispositivo tem muito apelo.

Por isso, enfatizo: o cigarro eletrônico não representa alternativa segura, como alguns podem pensar. Esteja atento. Cuide da sua saúde.