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Fernanda Victor

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Disfunções tireoideanas podem impactar sua libido? Entenda a relação

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Fernanda Victor

Fernanda Victor é médica endocrinologista e metabologista. É titulada pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e mestre em ciências da saúde pela UPE (Universidade de Pernambuco)

Colunista do UOL

09/12/2021 04h00

Dada a complexidade da libido, talvez nem a teoria freudiana tenha conseguido decifrá-la e compreendê-la na sua integridade. Isso porque é difícil apontar e correlacionar todos os elementos responsáveis pelo desejo sexual, ou pela falta dele.

Alterações na libido —desejo ou apetite sexual— podem, sim, estar associadas a disfunções hormonais, entre elas os distúrbios relacionados à tireoide.

A tireoide é uma glândula em formato de borboleta localizada no pescoço que produz hormônios (T3 e T4) essenciais ao funcionamento de vários órgãos. Quando a tireoide não está desempenhando corretamente a sua função, pode liberar esses hormônios em quantidade insuficiente (hipotireoidismo) ou em excesso (hipertireoidismo), promovendo desequilíbrio no organismo.

Independente da idade, disfunções tireoideanas podem, sim, comprometer a saúde sexual de homens e mulheres.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera a saúde sexual como um aspecto fundamental na qualidade de vida de qualquer ser humano. A grande questão é que ela apresenta um caráter multifatorial e envolve não apenas aspectos físicos, mas também emocionais, mentais e sociais.

Uma recente revisão publicada no Sexual Medicine Reviews revelou que disfunções sexuais, além de serem bastante comuns, podem afetar negativamente a libido de pessoas com desregulação da tireoide.

Em pacientes com hipotireoidismo, a disfunção sexual pode atingir até 63% e 46% dos homens e mulheres, respectivamente; igualmente impressionante ao que é visto em pacientes com hipertireoidismo, com taxas de até 77% e 60%.

Por outro lado, antes de atribuir toda a culpa aos hormônios, é importante estar atento e questionar outros fatores que podem estar interferindo no desejo sexual, tais como: conflitos no relacionamento, autoconhecimento, autoestima, bem-estar físico e mental, fase da vida, tabus em relação à atividade sexual, rotina estressante e sobrecarga de demandas. Afinal, se alguma esfera estiver desequilibrada, facilmente a libido será afetada!

O mecanismo pelo qual as doenças tireoideanas podem causar disfunção sexual ainda é desconhecido. No entanto, estudos demonstraram que tanto o hipo quanto o hipertireoidismo exercem efeitos sobre os níveis circulantes de hormônios sexuais, além de provocarem indiretamente desregulação neuropsiquiátrica que podem prejudicar a função sexual.

Hipotireoidismo também está associado classicamente a sintomas como fadiga, humor deprimido e ganho de peso, o que pode contribuir para redução do interesse sexual. Embora haja carência de estudos robustos na área, as atuais evidências apontam que as duas condições (hipo e hipertireoidismo) estão fortemente associadas à disfunção erétil e ejaculatória em homens, bem como a impactos negativos no desejo, excitação/lubrificação, orgasmo e satisfação sexual em mulheres.

A boa notícia é que o tratamento adequado dos distúrbios tireoideanos pode conferir uma dramática resolução da disfunção sexual e reverter os sintomas desagradáveis.

Referências

1. Gabrielson AT, Sartor RA, Hellstrom WJG. The Impact of Thyroid Disease on Sexual Dysfunction in Men and Women. Sexual Medicine Reviews. 2018, 7(1): 57-70.

2. Sexual health, human rights and the law. Organização Mundial da Saúde. 2015.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL