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Perda de libido pode estar relacionada a problemas de saúde; entenda

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Carol Firmino

Colaboração para VivaBem

08/04/2021 04h00

Desde que a pandemia mudou as rotinas dentro de casa, muitos foram os efeitos sentidos na saúde mental e física. Convivência intensa, medo do futuro, preocupação com o desemprego, estresse, dores de cabeça e dificuldade para dormir são alguns dos resultados das novas dinâmicas impostas pelo coronavírus.

Em pesquisa online realizada em fevereiro de 2021 pelo UOL AD LAB em parceria com o VivaBem, 44% dos respondentes afirmaram possuir algum distúrbio psíquico, sendo que, entre esses indivíduos, 55% identificaram que os sintomas do transtorno aumentaram após o início da pandemia.

Nesse contexto, a libido também se tornou assunto. O termo se associa à produção e liberação de hormônios como testosterona, estrogênio, ocitocina e dopamina, com influência de fatores psicológicos, emocionais e sociais.

Na pesquisa do UOL AD LAB que avaliou como anda a saúde mental dos brasileiros e o que mudou na rotina, nos hábitos e na forma de pensar durante a pandemia, 28% responderam que o apetite sexual diminuiu nos últimos 12 meses e para 38% ela se manteve igual, sendo que a ansiedade, o desânimo, o estresse, o cansaço e o nervosismo cresceram mais de 40%.

Saúde mental faz diferença

falta de libido - iStock - iStock
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No início da pandemia, L.L.T.S, 35, foi demitida. Depois de alguns anos no mesmo trabalho, a publicitária precisou enfrentar um cenário de dúvidas sobre sua carreira enquanto se adaptava ao dia a dia dentro de casa.

"O clima de incerteza e medo não era favorável, mesmo com mais tempo disponível e a proximidade da convivência diária", lembra. Ela conta que, depois de um tempo vivendo assim e precisando se acostumar, a libido está voltando aos poucos.

Segundo o psiquiatra Alisson Marques, essa tem sido uma situação comum, já que a saúde mental está entre os campos mais afetados pelas restrições por conta do coronavírus. "Episódios de ansiedade, falta de motivação ou perspectiva, entristecimento, medo e angústia estão ocorrendo, o que pode ser algo pontual ou representar adoecimento", afirma.

O especialista explica que vivemos da interação de corpo, mente e ambiente, na qual também se manifesta a libido. "Então, quando um desses campos se encontra em desequilíbrio, pode ocorrer a redução dela. Uma mente organizada nas suas emoções influencia muito na expressão desse desejo".

L.L.T.S recorda que perder o emprego mexeu com sua confiança e autoestima, fazendo com que ela não se sentisse alguém desejável. Além disso, alerta para um ponto importante da vida em casal: as diferenças. "Eu acho que a forma de encarar a pandemia pode não ser igual para os dois. A minha libido ficar bem não quer dizer que a do meu parceiro vai ficar também", reflete.

Situação pode ser mais complexa para mulheres

Homem e mulher pulando juntos - iStock - iStock
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De acordo com Mariana Rosário, ginecologista, obstetra e mastologista do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), a libido feminina não é tão simples quanto a masculina. "Se tudo não estiver muito ajustado, ela não consegue ter o melhor orgasmo da vida ou querer fazer sexo".

Como a dificuldade pode aparecer em qualquer fase da vida, Rosário argumenta que o ideal é dialogar para entender o contexto —desde uma primeira vez traumática a problemas no relacionamento— e seguir com a realização de exames clínicos que vão mostrar o estado físico da paciente.

"É feita a avaliação de hormônios, de metabolismo. Observamos se há tireoide alterada ou qualquer alteração metabólica que culmine em inflamação crônica, como diabetes, colesterol, hipertensão, enfim, é necessário descartar esses problemas, além de doenças psíquicas, como depressão ou transtorno de ansiedade", explica.

A ginecologista também cita a interferência causada pelo uso de anticoncepcionais, a falta de reposição hormonal adequada para mulheres na menopausa e o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo Feminino (TDSHF).

Esse é um transtorno que estimula a diminuição progressiva da libido. Não é algo que, de um dia para o outro, tira a vontade de fazer qualquer coisa na vida, é algo que vai se desenvolvendo com o decorrer do tempo.

Rosário define que o TDSHF pode significar também uma alteração na quantidade de orgasmos, ou seja, a mulher consegue iniciar uma relação, mas não chega a um desfecho positivo para ela. As causas são diversas e podem reunir todos os fatores previamente citados —hormonais, metabólicos, psíquicos, emocionais, sociais etc. O tratamento, por sua vez, vai depender desses motivos.

Os homens também sofrem?

Segundo Willy Baccaglini, uro-oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein e mestre em medicina sexual pela FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), o estresse físico, mental e emocional podem contribuir para a queda da libido masculina.

"Existem trabalhos mostrando que as atividades profissionais ao longo da madrugada estão relacionadas a várias questões sexuais por detrimento da qualidade do sono do homem, tais como a disfunção erétil e queda da libido", detalha o especialista.

Por outro lado, ele explica que a exposição a níveis mais elevados de testosterona no homem faz com que a libido funcione de maneira diferente.

H.H.M, 32, sente que o fato de ter o mínimo de interação social durante a pandemia possa ter feito sua libido aumentar. No entanto, o profissional da tecnologia da informação, que divide um apartamento com a namorada, afirma que essa sensação não fez diferença na relação.

"Isso não quer dizer que a atividade sexual do meu relacionamento tenha aumentado. Talvez a pandemia também esteja contribuindo para uma certa monotonia", revela. Ele também acredita que esse aumento esteja ligado à ausência de atividades físicas e de gasto de energia com elas, já que era um hábito diário.

Baccaglini orienta que a prática regular de exercícios realmente faz diferença, mas que é preciso observar aspectos diversos e, se necessário, investir em perda de peso, organização do sono, abordagem da saúde mental e troca de medicamentos que estejam interferindo de maneira negativa.

No caso de homens que apresentam níveis de testosterona baixa —o que é diagnosticado por meio de exames —a reposição hormonal pode ser indicada.

Para potencializar a libido

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Será que cuidar da alimentação pode ser um caminho? De acordo Thúlio Coelho, nutrólogo e endocrinologista, "não só a deficiência de nutrientes, como a ingestão de doces ou farinhas brancas é capaz de alterar a energia sexual pela diminuição dos hormônios androgênicos ou sexuais".

Coelho lembra que o consumo de álcool em excesso também é um fator de risco. Durante o uso da substância, ocorre uma inibição do sistema nervoso central que pode até aumentar a disposição para o sexo, mas, a longo prazo, altas doses reduzem a produção natural de testosterona e estrogênio.

Na direção contrária, pimenta, nozes, romã, café, figo e alimentos com altos níveis de vitamina D —como cereais, cogumelos, peixes e ovos— podem ajudar a melhorar a libido em homens e mulheres, mas vale lembrar que o alimento sozinho não vai fazer nenhum milagre pela sua libido.

Fontes: Alisson Marques, psiquiatra pelo Hospital São Vicente de Paulo e médico do Núcleo de Saúde Mental do SAMU/Secretaria de Saúde do Distrito Federal; Mariana Rosário, ginecologista, obstetra e mastologista do Hospital Israelita Albert Einstein (SP); Thúlio Coelho, nutrólogo pelo Hospital Israelita Albert Einstein, endocrinologista pelo Instituto de Pesquisa e Ensino Médico e integrante da equipe da clínica Vive La Vie; e Willy Baccaglini, mestre em medicina sexual pela FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e uro-oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

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