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Fernanda Victor

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Será que existe cura para o diabetes? Entenda

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Fernanda Victor

Fernanda Victor é médica endocrinologista e metabologista. É titulada pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e mestre em ciências da saúde pela UPE (Universidade de Pernambuco)

Colunista do UOL

02/12/2021 04h00

Uma vez diagnosticado o diabetes, não é adequado utilizarmos o termo "cura" definitiva, tendo em vista estarmos lidando com uma doença crônica que requer vigilância contínua, mesmo após um tratamento bem-sucedido.

Assim sendo, utilizar o termo "remissão" nos parece mais apropriado e é exatamente esse conceito que vem sendo proposto pelos especialistas da ADA (sigla em inglês para Associação Americana de Diabetes).

Considerar que determinado paciente entrou em remissão do diabetes tipo 2 significa ausência da doença no momento, mas sem previsibilidade de como ela se comportará no futuro.

Essa definição é relativamente nova e nos mantém alertas para o retorno do diabetes caso sejam abandonadas as estratégias que promoveram sua remissão, em especial, quando não há adesão sustentada de um estilo de vida saudável.

Normalizar os níveis de glicose (açúcar do sangue) em pacientes com diagnóstico prévio de diabetes tipo 2 é possível e conta com a perda de peso como a principal aliada. O controle do peso corporal geralmente associa-se a mudanças comportamentais, intervenções clínicas (uso de medicações para reduzir a glicemia e/ou o peso), cirúrgicas (cirurgia bariátrica e metabólica) ou, até mesmo, uma combinação dessas abordagens.

O novo consenso publicado na revista Diabetes Care atualizou e simplificou a definição de remissão do diabetes tipo 2, sendo determinada atualmente como um valor de hemoglobina glicada (exame de sangue que reflete a média de glicemia dos últimos 3 meses) < 6,5% por mais de 3 meses sem a utilização de qualquer medicação para redução da glicose. A melhora sustentada da glicemia envolve uma recuperação parcial da secreção ou da ação da insulina (hormônio que atua diminuindo a quantidade de glicose no sangue).

Outro dado interessante: quanto mais recente o diagnóstico de diabetes tipo 2 (< 5-6 anos), maior a chance de remissão da doença. Logo, importante que o paciente seja informado sobre essa possibilidade e sobre a necessidade de intervir o quanto antes.

A depender dos hábitos, esse estado de "não-diabetes" pode, sim, ser atingido e mantido! Boas escolhas alimentares, prática regular de atividade física, sono de qualidade, gerenciamento do estresse e de fatores ambientais podem trazer efeitos positivos na saúde que vão muito além daqueles relacionados ao diabetes.

No entanto, como não existem garantias, a supervisão periódica não pode ser dispensada. Então, mesmo que as taxas de glicemia persistam normais, o acompanhamento médico e a monitorização laboratorial precisam continuar para evitar a recorrência do diabetes tipo 2, bem como manter a saúde a longo prazo.

Referências:

1. Riddle MC, Cefalu WT, Evans PH, et. al. Consensus Report: Definition and Interpretation of Remission in Type 2 Diabetes. Diabetes Care. 2021, 44 (10) 2438-2444;

2. Taylor R et al. Substantial weight loss can reverse the processes underlying type 2 diabetes. Cell Metabolism. 2018.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL