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Edmo Atique Gabriel

Valorizando o papel da coenzima Q10 na saúde cardiovascular

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Edmo Atique Gabriel

Professor livre-docente na Unilago (União das Faculdades dos Grandes Lagos), palestrante, especialista em cirurgia cardiovascular com aprimoramento em centros como Harvard Medical School e Cleveland Clinic e pós-graduado em nutrologia médica pela Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

Colunista do UOL

26/12/2020 04h00

O funcionamento do corpo humano é algo tão especial e indescritível que dentro de cada célula do corpo existem verdadeiras
"centrais" de energia. Denominadas mitocôndrias, elas são responsáveis pela produção de energia e pela respiração da célula.

Quando fazemos atividades físicas ou precisamos de maior queima calórica, nosso corpo precisa de maior produção energética e aumento de metabolismo, e isso está relacionado ao trabalho das mitocôndrias. Em virtude disso, alguns ensinamentos bioquímicos são essenciais, entre eles o conhecimento sobre a coenzima Q10.

Essa substância está presente na maior parte de nossas células e participa diretamente dessa "central" energética. A coenzima Q10 também pode ser suplementada em algumas situações, visando a uma maior proteção anti-inflamatória. Este é o ponto-chave de sua ação: seus benefícios anti-inflamatórios ou antioxidantes.

Existe correlação entre nossa capacidade orgânica de combater agentes infeciosos ou toxinas e uma atividade estável das mitocôndrias. Podemos dizer que nossa imunidade tem relação com o bom funcionamento das mitocôndrias e estas, por sua vez, dependem de níveis adequados da coenzima Q10. Para facilitar a compreensão, entenda que nosso organismo precisa de energia para produzir nossa defesa contra bactérias, vírus e células cancerígenas. Essa energia está concentrada exatamente na atividade das mitocôndrias.

Algumas doenças como diabetes, câncer, insuficiência cardíaca e doenças degenerativas estão associadas à disfunção das mitocôndrias. Também há estudos especulando que o déficit de coenzima Q10, um dos principais fatores que contribui para disfunção das mitocôndrias, pode estar relacionado a falhas genéticas.

No caso das doenças ou agravos cardiovasculares, a suplementação com coenzima Q10 ainda é assunto controverso e os principais estudos apontam para uma tendência favorável em algumas condições, como hipertensão arterial, isquemia miocárdica e insuficiência cardíaca.

A hipertensão arterial é um problema que deriva do acúmulo de substâncias oxidantes na parede dos vasos sanguíneos. São
microrresíduos que se acumulam na parede de artérias e veias e acabam gerando enrijecimento desta parede, culminando com maior resistência ao fluxo sanguíneo e elevação da pressão arterial. Desta forma, suplementar com a coenzima Q10 pode ser interessante para atenuar este acúmulo de resíduos oxidantes e alívio na tensão da parede dos vasos sanguíneos.

Considerando que a isquemia do músculo cardíaco representa a falta de irrigação sanguínea e oxigenação, como produto da obstrução de artérias por placas de gordura, a suplementação da coenzima Q10 favorece a metabolização do excesso de colesterol e pode aliviar o processo inflamatório existente nas artérias do coração, especialmente nas pessoas que fumam e nos diabéticos.

Além disso, a combinação da coenzima Q10 com as estatinas —medicamentos frequentemente empregados para controle dos níveis sanguíneos de colesterol — pode otimizar estes efeitos benéficos e auxiliar na prevenção do infarto do coração.

A insuficiência cardíaca é responsável por índices significativamente elevados de mortalidade a cada ano. Os fatores que desencadeiam a insuficiência cardíaca são múltiplos, notadamente arritmias, inflamação viral, doença calcificante de valvas e a isquemia do músculo cardíaco. Em todas estas situações, existem evidências de que os níveis de coenzima Q10 estariam reduzidos, o que motivaria a suplementação desta substância.

Além disso, na insuficiência cardíaca ocorre uma perda gradual da capacidade ejetiva das fibras do músculo cardíaco e, neste contexto, o papel das mitocôndrias é fundamental para prover energia e aumentar o metabolismo destas fibras musculares. Como a coenzima Q10 é indispensável para uma adequada atividade das mitocôndrias, torna-se viável usar o suplemento desta coenzima como forma de auxiliar na prevenção da insuficiência cardíaca.

A suplementação da coenzima Q10 deverá ser orientada por um cardiologista e muitos fatores deverão ser ponderados, como aspectos genéticos e hábitos de vida. A substância não deve ser encarada como tratamento de escolha para doenças e agravos cardiovasculares, mas como um aditivo que pode ser extremamente útil para atenuar o processo inflamatório na parede dos vasos sanguíneos e para melhorar o desempenho contrátil das fibras musculares do coração.

A coenzima Q10 é essencial para o bom funcionamento das mitocôndrias e isto não deve ser negligenciado nos protocolos de prevenção de uma série de doenças cardiovasculares.

Caso queira ler mais sobre saúde do coração, acesse meu site: https://coracaomoderno.com.br/.