Taise Spolti

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Opinião

Olhe seu cocô: a cor, consistência e flutuação dizem muito sobre sua saúde

Você já deve ter lido que a saúde do seu intestino tem forte relação com a saúde geral do corpo.

Isso é verdade. Tanto que até o aspecto das suas fezes tem poder de indicar como está seu organismo. Inclusive, é um dos sinais de alerta quando há riscos de câncer de intestino, caso seu cocô saia em formato de fita.

A seguir, mostro aspectos das suas fezes que vale ficar de olho, pois podem indicar distúrbios ou servir de alerta para procurar um médico.

Vamos começar pela Escala de Bristol. Dividida em 7 pontos, baseados na avaliação visual da consistência das fezes, a escala ajuda a identificar três condições: constipação, evacuação normal e diarreia.

Tipo 1 Cocô em caroços "soltos" - Essa evacuação é típica de quem possui constipação severa.

Tipo 2 Ainda com formação de caroços, porém, empacotadas, em formato de salsicha e cheia de grânulos. Esse perfil ainda é visto em pacientes com constipação, de crônica a episódica.

Tipos 3 e 4 Evacuações normais. As fezes têm formato de salsicha e são lisas.

Tipo 5 Fezes amolecidas, que ao entrar em contato com a água se dissipam, mas possuem bordas nítidas. Esse tipo é especifico de pacientes que possuem baixa ingestão de fibras. Porém, é presente em pacientes que, ainda que com consumo de fibras adequado, podem possuir um perfil de microbiota intestinal com prevalência de um filo, o Firmicutes. Essas bactérias são boas consumidoras de carboidratos, fibras e inclusive polióis. O que muda a composição visual das fezes é que as fibras estarão digeridas e excretadas em partículas menores e dissipadas.

Tipo 6 Fezes amolecidas, diarreicas, mas ainda com pedaços. Esse paciente pode estar com diarreia devido à doenças, infecções ou estado de saúde. É um indicador de alerta, principalmente quando é crônico.

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Tipo 7 Sinal de alerta geral do estado de saúde do paciente, que provavelmente está enfrentando uma infecção. É uma diarreia literalmente liquida, evacuação de água, eletrólitos e muitos nutrientes que não estão sendo absorvidos pelo organismo.

No caso das fezes tipo 1 e 2, o paciente absorve o liquido presente nas fezes de forma intensa, afinal, o bolo fecal está parado no cólon. Esse processo, quando crônico, altera as estruturas das paredes internas do intestino, causando inflamação e mudança no perfil de bactérias que colonizam o local.

Por ficarem no mesmo local durante mais tempo do que deveriam, e sabendo que é no intestino que absorvemos em torno de 90% de água, é nesse ponto que mora o risco: a parede intestinal se torna inflamada e, com o tempo prolongado de evacuação, se torna alvo para absorver, junto a água presente nas fezes, moléculas e bactérias que não deveriam translocar de um espaço para outro.

Não é incomum que mulheres com constipação crônica possuam muitas infecções urinárias de repetição ao longo da vida. Essas bactérias são transportadas através desse sistema e, ao chegarem em outro local no nosso corpo propício ao seu crescimento, colonizam a área, gerando infecção.

Em contrapartida, as fezes diarreicas oferecem um risco muito grande à vida, principalmente quando agudas. A diarreia crônica está presente em diversas condições, como as doenças inflamatórias intestinais, comprometendo a absorção de quase todos os nutrientes que a pessoa precisa. Nesse estado, o paciente pode sofrer desnutrição e agravar as doenças infeciosas que está enfrentando.

A diarreia crônica, também presente na síndrome do intestino irritável, como o próprio nome indica, é uma resposta a uma irritação intestinal, por causa emocional ou física, como comer alimentos que não tolera bem ou ao enfrentar crises de ansiedade, por exemplo.

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A cor importa

Sobre as cores, há muitos alertas.

As fezes de cor marrom são as consideradas normais, já as fezes de coloração esbranquiçada indicam problemas graves de fígado, vesícula biliar ou pâncreas.

Fezes avermelhadas, independentemente de ocorrer no quadro diarreico ou constipado, indicam presença de sangue que ainda não foi metabolizado pelo organismo, ou seja, se dá a partir de alguma fissura, infecção intestinal nas ultimas porções ou DII. Importante saber que o consumo excessivo de beterraba também pode deixar seu cocô vermelho —nesse caso, tudo bem.

As fezes de coloração amarelada indicam possível doença celíaca, absorção de nutrientes a nível intestinal (principalmente proteínas).

Já as fezes de cor esverdeada indicam distúrbios do estresse, síndrome do intestino irritável e também alto consumo de vegetais de cor verde-escuro.

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Por fim, fezes de cor preta indicam sangramento de porções iniciais do trato gastrintestinal, como ulcera gástrica, varizes esofágicas, cânceres esmocais ou esofágico. Além disso, suplementação com ferro e carvão ativado podem causar essa mudança na coloração.

Está boiando ou não?

O odor das fezes também é um indicador de distúrbios, como no caso do câncer de pâncreas.

O início do câncer altera primeiramente as funções digestivas e prejudica principalmente a digestão de gorduras, causando o que chamamos de esteatorreia, ou seja, gordura nas fezes.

Esse é o ponto de ficar de olho se suas fezes flutuam ou não. A presença de gordura nas fezes, quando não há consumo de medicamentos para esse fim, indica má absorção de gorduras da dieta, que por si só já é um grande problema metabólico.

Se na hora de dar descarga as fezes que flutuam ao ponto de terem resistência a ir embora, saiba que esse é justamente um sinal de alerta para investigação de câncer pancreático, além do cheiro, que se torna algo além do normal e esperado.

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Não apenas câncer de pâncreas, fezes que boiam, mesmo com aspecto do tipo normal, podem indicar: pancreatite, intolerância alimentar, colite, cálculos biliares e distúrbios gerais de má digestão.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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