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Avós poderosos: pesquisa mostra que eles movimentam R$ 1,8 trilhão ao ano

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Imagem: iStock
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Silvia Ruiz

Silvia Ruiz é jornalista e trabalha com comunicação digital e PR. Durante mais de 15 anos atuou na cobertura de saúde, bem-estar e estilo de vida. É apaixonada por alimentação natural, meditação e práticas holísticas. Mãe do Tom, do Gabriel e da Myra, tem bem mais de 40 anos e está tentando aprender a viver bem na própria pele em qualquer idade.

Colunista do UOL

23/07/2021 09h07

"Me respeita que eu poderia ser avó". Eu costumo escrever essa frase nos meus posts no Instagram (me siga lá também: @silviaruizmanga) em tom de brincadeira. Mas no fundo é uma maneira bem-humorada de tratar de uma coisa muito séria: o etarismo.

A verdade é que, sim, eu tenho 51 anos e poderia ser avó (se meus filhos de 28 e 27 me dessem essa alegria). Mas toda vez que eu falo isso recebo de volta: "Imagine, você não tem cara de avó". E é aí que mora o etarismo, que é toda forma de estereótipo, preconceito e discriminação baseado em idade.

As pessoas estão presas à imagem dos avós dos anos 70, 80. Ou daquela avó dos filmes sentada numa cadeira de balanço fazendo tricô (aliás, nada de errado nisso, eu também adoro). Mas já passou da hora de parar de colocar as pessoas em certos padrões por conta dos anos que ela viveu.

Além disso, o perfil das pessoas com mais de 50 anos mudou bastante nas últimas décadas. A nova geração de avós está muito mais ativa socialmente e economicamente. É o que mostra a pesquisa "Envelhecer com novidade: A influência dos avós na geração Alpha", realizada em 2020 pelo C. Lab, laboratório interno de pesquisa da Nestlé Brasil em parceria com a Play Pesquisa e Conteúdo Inteligente, que entrevistou homens e mulheres na faixa etária de 50 a 80 anos, de todas as regiões do Brasil e das classes sociais A, B e C.

Segundo a pesquisa, 63% dos entrevistados são provedores de família, continuam trabalhando após a aposentadoria e estão cada vez mais movimentando a economia. As cifras são monumentais: R$ 1,8 trilhão ao ano é o que o consumidor brasileiro maduro movimenta, segundo estudo do Instituto Locomotiva e "Tsunami 60+" do Hype60+, e R$ 15 bilhões é o que eles movimentam no mercado online no Brasil.

Com tanta energia e disposição, a relação da atual geração de avós com os netos também se mostra mais próxima do que nunca. Eles estão mais participativos na criação e ajudam a cuidar dos netos. Quando entrevistadas, as mães de 30 a 45 anos disseram que 51% das avós de seus filhos e 31% dos avôs, às vezes, ajudam na criação de seus filhos, seja cuidando quando alguém fica doente (81% das avós) ou dando apoio emocional (82% dos avôs).

"O Brasil vive um dos processos de envelhecimento mais intensos e rápidos do mundo. A projeção é que em 25 anos a população de 60+ passará de 10% para 20%. A França, por exemplo, levou 145 anos para atingir esse percentual", diz Vivian Beppu, gerente da marca Nutren Senior, responsável pela pesquisa da Nestlé. Ou seja, em breve, teremos o dobro de avós.

Na próxima segunda, dia 26 de julho, é Dia dos Avós. Chegou a hora da chamada "geração prateada" ter sua força e potência reconhecidas.

Avós movimentam milhões, sustentam famílias, compram carros, roupas, viagens, se ligam em tecnologia. Muitas vezes cuidam dos netos. Mas seguem sendo representados pela mídia, pela publicidade, etc de forma estereotipada e distante da realidade. E o etarismo faz mal, inclusive para a saúde, como já falei aqui.

Em meio a tantos obstáculos que enfrentamos neste último ano de pandemia, desejo a todos um feliz Dia dos Superavós.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL