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O que os cabelos grisalhos da Gloria Pires nos dizem sobre age shaming

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram
Silvia Ruiz

Silvia Ruiz é jornalista e trabalha com comunicação digital e PR. Durante mais de 15 anos atuou na cobertura de saúde, bem-estar e estilo de vida. É apaixonada por alimentação natural, meditação e práticas holísticas. Mãe do Tom, do Gabriel e da Myra, tem bem mais de 40 anos e está tentando aprender a viver bem na própria pele em qualquer idade.

Colunista do UOL

27/11/2020 08h59

"Nunca se deve perguntar a idade a uma mulher". Em algum momento essa regra de etiqueta foi estabelecida e tornou-se uma grande deselegância fazer uma mulher "se expor" dessa maneira. Como se revelar a idade fosse uma vergonha.

Então, para começar, tenho 50 anos, muito prazer.

A vergonha de envelhecer ganhou até um nome nos últimos tempos, "age shaming" (assim como o "body shaming", que é a vergonha do corpo). Ela é especialmente cruel com as mulheres.

Esta semana, em entrevista ao jornal O Globo, a atriz Gloria Pires contou que assumiu os cabelos brancos durante a pandemia mesmo contra a vontade dos filhos e do marido (ele próprio um homem grisalho). Fiquei me perguntando por que uma mulher de 57 anos, linda, famosa e bem resolvida enfrenta tanta resistência ao decidir simplesmente mostrar os cabelos naturais. Seria medo de que ela fosse parecer "velha"? Ficar menos bonita? Receio do preconceito que poderia enfrentar na carreira?

No meu perfil no Instagram (@silviaruizmanga) recebi dezenas de mensagens de mulheres dizendo que, ao assumir os cabelos brancos, também passaram a receber comentários como: "Não faça isso, seu marido vai te achar velha", "Por que você está se largando assim?"; "Esse cabelo vai te atrapalhar profissionalmente". O medo da pressão social ao se escancarar o envelhecimento é real. Seja para uma anônima, seja para uma das maiores atrizes do Brasil.

Afinal, de onde vem o age shaming? De acordo com Brené Brown, pesquisadora americana da Universidade de Houston, que ficou famosa por falar sobre o tema, vergonha é um sentimento intenso ou crença de que somos imperfeitos e, portanto, podemos ser excluídos ou deixar de ser amados.

E envelhecer traz à tona um sentimento muito desconfortável para a maioria de nós: a ansiedade sobre a proximidade da morte. Portanto, muitos preferem fingir que o tempo não está passando e esconder os sinais que mostram isso (para nós mesmos e para não provocar sentimentos desconfortáveis nos outros).

Passamos a vida ouvindo que ficar velho é feio, vendo as atrizes mais maduras da TV sendo demitidas ou ficando com os papéis de mãezonas, sem vida sexual, sem carreira, sem amor, sem diversão.

Tememos terminar nossos dias num asilo, sozinhas, pensando que isso é envelhecer. É um medo real e legítimo, mas é nosso papel lutar contra essa cultura do medo e da negação. Para o nosso próprio bem. Age shaming nos afeta mentalmente e até fisicamente.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) começou a financiar estudos com o objetivo de criar maneiras de lutar contra o preconceito de idade. E outros estudos mostram que quem encara o processo de maneira positiva tem mais cuidados preventivos com a saúde, como se alimentar bem e fazer exercícios, além de ter menos depressão e ansiedade e no final acaba vivendo mais.

Este espaço foi criado para defender que a gente seja livre para ser o que quiser. Para reafirmar sempre que não existe regra para como devemos nos comportar ou parecer na maturidade. Para combater o age shaming.

Por isso convido a todos para o Ageless Talks, um evento especial aqui em VivaBem, em que vamos falar abertamente sobre temas como esse e muito mais: saúde, beleza, bem-estar, sexualidade e menopausa para quem passou dos 45 anos. Teremos especialistas e convidados em diversos painéis que vão ser transmitidos ao vivo aqui no UOL e no YouTube no dia 3 de dezembro a partir das 10h30. Esperamos vocês!