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Empreendedoras brasileiras conquistam espaço com comidas típicas na Suíça

Marluci Novais faz salgados em oito pontos de venda na Suíça - Reprodução/Instagram
Marluci Novais faz salgados em oito pontos de venda na Suíça Imagem: Reprodução/Instagram

Da RFI

30/01/2022 11h25

De olho nos brasileiros que vivem na Suíça -- mas não só neles, empreendedoras brasileiras que moram no país ganham espaço, produzindo produtos típicos que agradam o paladar daqueles que sentem saudade das comidinhas do Brasil.

Caprichando na produção dos produtos e também nos conteúdos que postam nas redes sociais, esses negócios estão crescendo com ideias inovadoras, como é o caso da "Petit Salgados", da paulista Marluci Novais, que inovou na distribuição ao enviar salgadinhos congelados Suíça afora pelos correios .

"Esse salgado chega para o cliente, no máximo, em 12 horas, completamente congelado, na temperatura ideal", diz a empreendedora, que sempre vendeu doces e salgados, mas antes de trabalhar como técnica de enfermagem no Brasil, teve uma van - o marido era motorista; e ela, cobradora.

Da cozinha de casa para o espaço próprio de produção

Coxinha de frango, quibe, bolinha de queijo, croquete... Marluci faz salgados tradicionais para festas e seu produto também já pode ser encontrado em oito pontos de venda na Suíça.

"Comecei fazendo só para cliente privado, festas, mas foi tomando uma proporção grande. Antes, eu morava em um apartamento. Viemos para uma casa e existe um espaço reservado para o ateliê, em Borex. Como a produção começou a crescer, muitos clientes novos chegando, investimos em máquinas. Hoje, temos uma fábrica de salgado completa com seus maquinários", explica ela, que vai começar a dar cursos online para "salgadeiros" e "ajudar pessoas que querem empreender".

Pandemia "ajudou" empreendedora a vender feijoada

A "Bre?siliAna", da paulista Ana Paula Pepe Leuenberger, produz especialidades brasileiras em Genebra, onde ela mora desde 2005. No cardápio, pratos típicos como a feijoada, nas versões tradicional e vegetariana, mas também bolos de brigadeiro, pão de mel e docinhos. A marca é uma mistura de brésilienne (brasileira, em francês), com Ana, o nome da empreendedora. À RFI, ela conta como tudo começou:

"Em julho de 2020, foi quando eu resolvi fazer a minha primeira feijoada e coloquei no Instagram para vender. Vendeu tudo. No começo, era bem esporádico, eu trabalhava bem pouquinho ainda até que no final de 2020 eu vendi 110 porções de feijoada, o que eu achei ok", diz.

Em 2021, Ana chegou à conclusão de que era aquilo mesmo que queria fazer. Resolveu, então, desenvolver melhor a conta dela no Instagram, fazendo mais fotos, vídeos e investindo em anúncios pagos. Tudo isso, segundo ela, foi importante para a divulgação de seus produtos.

"Com isso, fui sendo conhecida e tive um ótimo ano. Também acho que a pandemia me ajudou bastante pelo fato de as pessoas terem ficado em casa. Os restaurantes estavam fechados e elas tinham vontade de comer coisas diferentes e uma comidinha brasileira também, já que ninguém podia ir para o Brasil", conta.

Foi na pandemia, portanto, que ela passou a vender mais.

"Em 2021, eu vendi 950 porções, cresci praticamente 1.000% nas minhas vendas", explica.

Docinhos do mesmo tamanho em embalagem para presente

Já a brigaderia "Plus Choco", da Karla Aquino, que é de Fortaleza e mora na Suíça desde o fim de 2004, produz docinhos que são pesados um a um, o que faz com que todos tenham o mesmo tamanho e saiam praticamente idênticos. Ela diz que o resultado final é um docinho à brasileira com requinte e exigência do mercado europeu.

Em Lausanne, Karla faz, por exemplo, brigadeiros tradicionais, de churros, beijinhos e docinhos de caipirinha, que ela explica como é:

"Temos uma massa branca, que eu coloco cachaça, e o limão verde. Fica um espetáculo. E também o de crème brûlée, que já faz o perfil mais europeu, e o romeu e julieta, que eu uso o queijo gruyère e coloco um coraçãozinho de goiabada", explica.

Tudo começou em 2015, quando ela fez algumas degustações no trabalho dela e no do marido. Depois disso, surgiram as primeiras encomendas e ela ficou "super feliz".

Com a demanda em alta, a cozinha do apartamento da Karla ficou pequena e, durante a pandemia, a empreendedora alugou um espaço separado, mesmo estando um pouco apreensiva por não saber como ficariam as coisas. Acabou dando tudo certo.

"Meu ateliê nasceu lá. Nesse espaço, produzimos e estocamos a nossa produção", diz a brasileira, que produz mais nas festas comemorativas, como dia das mães e dos namorados, Páscoa e Natal.

Mas o carro-chefe da Karla é mesmo o brigadeiro, "aquele que não pode faltar nas nossas festas, que tem um gostinho especial de saudade".

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