Topo

'Ele vai acabar me matando': mulheres acusam rapper Moha La Squale de abuso

Várias garotas, entre elas três ex-namoradas, acusam Moha La Squale de abuso sexual, violência e até sequestro - David Wolff - Patrick/Redferns via Getty Images
Várias garotas, entre elas três ex-namoradas, acusam Moha La Squale de abuso sexual, violência e até sequestro Imagem: David Wolff - Patrick/Redferns via Getty Images

18/09/2020 11h36Atualizada em 18/09/2020 11h38

Ele é um dos rappers franceses mais célebres da nova geração. Com músicas e o primeiro álbum premiados, chegou a integrar os line-ups dos maiores festivais do país nos últimos anos. Mas, neste mês, Moha La Squale, que se preparava para lançar o segundo disco, está vendo sua carreira ir por água abaixo. Várias garotas, entre elas três ex-namoradas, o acusam de agressões sexuais, violências e até de sequestro.

Tudo começou no início de setembro, quando a jovem atriz Romy, de 20 anos, resolveu compartilhar no Instagram um depoimento em que contava sua experiência como figurante em um videoclipe de Moha La Squale, de 25 anos.

Romy conta que, para realizar o trabalho, nenhum documento ou contrato sobre direito à imagem foi assinado. Durante a gravação, a atriz relembra o comportamento "estranho" do rapper. "Ele puxou meus cabelos, me tocou sem permissão. Eu me irritei, em alguns momentos reagi dando cotoveladas nele. E ele me dizia: 'não fica assim, moça, está tudo bem", diz a jovem em um vídeo publicado pelo site francês Au Féminin.

Ela não imaginava que ao contar sua trágica experiência com um dos principais rappers franceses do momento, seria contatada por cerca de 30 garotas que passaram por situações similares com Moha La Squale. Entre elas, a atriz se deparou com o chocante relato de Luna, uma ex-namorada do músico. Ela afirma ter sido vítima de agressões sexuais e violências durante os meses em que durou a relação.

Ao jornal Le Monde, Luna contou que encontrou Moha La Squale em 2016, quando ele ainda não era famoso. Na época, Mohamed Bellahmed — seu verdadeiro nome — tinha apenas 21 anos. "No começo, ele era muito gentil e carinhoso. Me contou que teve pequenos problemas com a justiça porque havia vendido um pouco droga, mas nada muito grave", relembra.

Quando a relação entre os dois começou a evoluir, o calvário teve início para a jovem, na época com 23 anos. Extremamente ciumento, as agressões verbais se tornaram normais. Logo depois, veio a violência física.

"Ele puxava meus cabelos com tanta força que a pele do crânio se descolou. Eu tinha hematomas por toda a cabeça". Luna conta que o rapaz também a sufocou várias vezes com o travesseiro. "Eu me debatia e pensava: 'Ele vai acabar me matando um dia'."

Com a ajuda da família e amigos, Luna conseguiu se afastar do rapper, de quem sentia pena devido à dura história pessoal. Moha La Squale foi abandonado pelo pai quando pequeno e foi criado em uma família pobre em um bairro desfavorecido do 20° distrito de Paris. Aos 12 anos, começou a vender drogas para ajudar a mãe, deficiente visual, a alimentar os irmãos e irmãs.

"Ele me fazia culpabilizar e eu queria ajudá-lo. A cada vez, eu pensava: 'coitado dele'", diz Luna.

Alguns momentos da abusiva relação são relatados na canção "Luna", uma das faixas do premiado primeiro álbum de Moha La Squale. Na canção, ele canta: "Oh, minha Luna, eu sei que Moha te fez sofrer/ Eu me lembro, eu lembro, sim, Luna, eu me lembro/ As brigas, os problemas, Bendero te tratou com ódio/ Você nem sabe mais porque o ama, você colhe o que ele planta".

Depoimento à polícia

Luna aceitou contar os detalhes sobre o abuso sexual apenas à polícia. Na denúncia registrada há pouco mais de 10 dias em uma delegacia de Paris, ela foi acompanhada de Ana e Andrea, com quem o rapper também teve relações amorosas.

No depoimento das outras duas garotas, o comportamento que descrevem do rapper é similar: ao começo gentil, antes de passar às agressões verbais e às violências físicas. As três jovens se conheceram depois de se encontrarem nas redes sociais recentemente.

"Ele me dizia que eu era sua escrava, seu objeto sexual", conta Ana, que começou a sair com Moha La Squale em 2018. Ao Le Monde, ela lembra que o rapper "a pressionava permanentemente", espionando seu telefone, contatando seus ex-namorados, querendo saber a cada hora com quem ela estava e por quê.

Assustada com as ameaças que começou a ouvir a cada crise do rapaz, Ana decide se afastar dele pouco a pouco. Dois anos após o fim da relação, a jovem diz sofrer episódios de ansiedade e angústia.

Já Andreia tem crises de choro ao lembrar do recente relacionamento. A jovem, que trabalha na área da comunicação, conheceu Moha La Squale no final de agosto do ano passado, com quem primeiramente passou "algumas semanas normais", que depois se tornaram um verdadeiro inferno. Ela descreve "crises de demência", "ciúmes" e "ameaças de morte" da parte do músico.

Durante o início do lockdown na França devido ao coronavírus, o rapper resolveu prendê-la em casa. Andrea afirma que tentou sair do apartamento diversas vezes, mas, a cada vez, Moha La Squale a ameaçava de morte.

"Ele colocou um travesseiro sobre o meu rosto e apertava tão forte que eu não podia mais respirar. Ele me dizia: 'Eu vou te matar, você e toda a sua família'."

As três jovens também descreveram na polícia momentos violentos em que o rapper agride a si mesmo. Durante uma das crises, Moha La Squale afirmou à Andrea que pensa sofrer de esquizofrenia e tem medo que um dia possa matar alguém.

Problemas com a Justiça

Essa não é a primeira vez que o rapper enfrenta problemas com a justiça. Aos 18 anos, foi preso por tráfico de drogas. Além disso, no último 19 de junho, Moha La Squale foi detido no 18° distrito de Paris, depois de um rodeio de motocicleta em que quase atropelou uma criança. Ele foi libertado no dia seguinte.

Nesta semana, uma quarta mulher registrou um boletim de ocorrência contra o músico, mas não teve a identidade revelada. Após as acusações de agressões sexuais, violências e sequestro, a polícia francesa abriu uma investigação. Nem Moha La Squale, nem sua advogada, Elise Arfi, reagiram publicamente até o momento.