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Pioneira e boa de superar crises: quem é a mulher forte do governo Putin?

Rebecca Vettore

Colaboração para UOL

14/05/2022 04h00

A economista Elvira Nabiullina, de 58 anos, é conhecida como a mulher forte de Vladimir Putin. Com uma vasta experiência em crises, a ex-ministra da Economia assumiu em 2013 o cargo de presidente do Banco Central da Rússia e tornou-se a primeira mulher à frente dessa autarquia num país desenvolvido.

Nabiullina nasceu em 29 de outubro de 1963, em Ufa, capital do Bascortostão (Rússia). Filha de um motorista e uma gerente de fábrica, se formou em economia na Universidade de Moscou e sempre gostou de poesia e ópera francesas.

Carreira e política

Em 1985, entrou para o Partido Comunista da União Soviética, mas sua participação durou pouco. Em 1991, quando o colapso da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) bateu à porta, ela devolveu o crachá de membro do partido.

Nos anos seguintes, trabalhou em conjunto com importantes economistas, como Anatoly Chubais, responsável pela privatização da Rússia no pós-URSS.

Nabiullina - Shamil Zhumatov - Shamil Zhumatov
Imagem: Shamil Zhumatov

Putin é só elogios

Em 2007, foi nomeada ministra da Economia de Putin. Nesta fase, ganhou destaque por sua atuação durante a crise financeira de 2008-2009, quando Putin veio a público agradece-la por ser "a salvadora" do país.

Depois de deixar o cargo de ministra, Nabiullina virou conselheira do líder russo, antes de virar presidente do Banco Central, em 2013.

Nos primeiros anos no novo cargo, mais uma vez ganhou o respeito de Putin, ao fechar 276 instituições financeiras suspeitas de lavagem de dinheiro. A ação garantiu uma maior estabilidade ao sistema bancário do país.

Ainda em 2014, com a anexação da Crimeia, teve de lidar com novas sanções econômicas dos países do Ocidente em retaliação.

Para equilibrar as contas, o país se comprometeu a reduzir a dependência do dólar e fortalecer as reservas internacionais, para proteger o rublo russo. A moeda nacional despencou em relação ao dólar.

Para resolver a situação, Nabiullina elevou as taxas de juros para 17,5% e adotou o regime de câmbio flutuante para o rublo. Com isso, garantiu um baixo endividamento, a redução na exposição da Rússia e US$ 640 bilhões de reservas.

Sua política monetária conservadora lhe rendeu elogios em todo o mundo.

Em 2020, a chegada da pandemia balançou a economia russa. No final de 2021, a inflação disparou e atingiu um novo recorde: 8,1%. A economista chamou a inflação de "verdadeiro desastre", incentivou o governo a agir e criticou as medidas tomadas para limitar os preços de alguns produtos, atendendo a pedidos de Putin.

Invasão da Ucrânia

Uma característica marcante de Nabiullina é manifestar por meio de roupas e broches o que pensa sobre a economia e a política. Recentemente, ela levantou uma onda de especulações ao se vestir totalmente de preto na sua primeira aparição pública após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

A cor do traje foi amplamente interpretada como um gesto de luto, mas opiniões estavam divididas sobre o motivo exato da manifestação: era por causa da morte da economia russa devido às duras sanções ocidentais? Ou em razão das mortes dos ucranianos?

Semanas depois dessa aparição, a presidente do Banco Central teria renunciado ao cargo, mas Putin não aceitou e ainda a nomeou para um novo mandato de cinco anos.

O presidente russo afirmou que precisava mais do que nunca das habilidades dela em "apagar incêndios" para lidar com as consequências econômicas da guerra.

No mês passado, Nabiullina dobrou a taxa de juros para 20% e impôs alguns controles de capital.

Economistas consultados pelo Banco Central em março projetaram que a economia do país vai encolher 8% este ano, à medida que a Rússia sofre com a reação econômica à sua invasão. (Com agências internacionais)

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