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'Eu ia morrer', diz jornalista agredida e mantida em cárcere privado no RJ

Um soco inglês e um cassetete foram usados para agredir a vítima, de 37 anos - Reprodução/Whatsapp
Um soco inglês e um cassetete foram usados para agredir a vítima, de 37 anos Imagem: Reprodução/Whatsapp

De Universa, em São Paulo

05/05/2022 13h07Atualizada em 05/05/2022 18h25

A jornalista Ana Luiza Dias, 37, torturada e mantida em cárcere por três dias pelo namorado no Rio de Janeiro, ainda se recupera das lesões causadas por Fred Henrique Lima Moreira. "Estou com uma mandíbula de titânio, toda torta, dá para ver", disse em entrevista à TV Globo.

A mulher contou que Fred Henrique Lima, que era namorado dela quando fez as agressões, teria misturado "ciúme com loucura" e criado histórias antes das agressões.

"Ele inventou um motivo. Partiu para cima de mim e está aqui o que ele fez", afirmou ela, à emissora. O homem teria inventado até mesmo que clonou o celular dela.

Fred Henrique Lima foi preso por suspeita de torturar e manter namorada em cárcere privado por três dias - Polícia Civil do RJ/Reprodução de vídeo - Polícia Civil do RJ/Reprodução de vídeo
Fred Henrique Lima foi preso por suspeita de torturar e manter namorada em cárcere privado por três dias
Imagem: Polícia Civil do RJ/Reprodução de vídeo

Ana Luíza conseguiu fugir na sexta-feira (29) após Fred sair de casa e não trancar a porta. Ela afirmou que temeu pela própria vida no período em que ficou presa. "Eu reagi. A gente às vezes dá um 'start' [início] na nossa vida que a gente não pode perder tempo. Me deu aquele: 'É agora ou eu vou morrer'. E eu ia morrer", disse.

De acordo com a polícia, as agressões começaram no dia 26. Após ouvir acusações de infidelidade, a mulher, que estava na casa do namorado, foi agredida com um cassetete nas pernas, nas costas e na cabeça. A vítima chegou a perder a consciência.

Segundo depoimento da vítima, ela passou a primeira noite desacordada. Ao acordar, tentou gritar por ajuda, mas percebeu que havia fraturado o maxilar — o que a impedia de falar e mastigar. Então, teria sofrido uma nova agressão: um mata-leão, que se repetiu nas outras duas vezes em que tentou pedir socorro.

Ainda de acordo com depoimento da vítima à polícia, no terceiro dia, a jornalista tentou fugir, correndo em direção à porta do apartamento, mas foi impedida pelo homem, que a teria puxado pelos cabelos e arremessado no chão, além de aplicar mais golpes na cabeça da mulher até que ela desmaiasse.

A jornalista teria aproveitado um momento de distração em que a porta foi esquecida aberta, no último dia 29, para conseguir fugir. Ela seguiu direto para a delegacia de Copacabana para registrar um boletim de ocorrência.

Fred foi preso ontem na Rua Barata Ribeiro e não ofereceu resistência à prisão. Na casa dele foram apreendidos o cassetete, o soco inglês e também um simulacro de pistola. As armas foram reconhecidas pela vítima.

Outras agressões

De acordo com a Polícia Civil do Rio, o casal estava junto há 8 meses — período no qual Fred já demonstrava um perfil violento. Ele já havia agredido a namorada no dia 31 de dezembro. No entanto, a jornalista não fez registro criminal.

Segundo depoimento da vítima, ele a manipulava alegando que havia sofrido muito na infância para justificar o descontrole e a agressão.

A polícia descreveu Fred como "um homem altamente perigoso tendo uma extensa relação de anotações criminais". Entre os crimes cometidos por ele estão três anotações de violência doméstica, tráfico de drogas, associação ao tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, ameaça, resistência, dentre outras.

Universa fez contato com o advogado de defesa de Fred. Dejair Rodrigues dos Santos negou que a mulher estava em cárcere privado e disse que aguarda os exames do hospital para comprovar o traumatismo craniano e a fratura de maxilar mencionada pela vítima. Ele ainda não teve acesso a todo o processo e mencionou um "desentendimento entre eles".

Em caso de violência, denuncie

Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.

Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.

Também é possível realizar denúncias pelo número 180 — Central de Atendimento à Mulher — e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.

Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e através da página da Ouvidoria Nacional de Diretos Humanos (ONDH) do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). Vítimas de violência doméstica podem fazer a denúncia em até seis meses.