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'E o hijab?': influencer muçulmana faz vídeo sobre como corta seu cabelo

A tiktoker canadense Sana Saleh faz vídeos na rede social falando sobre a religião muçulmana - reprodução Instagram
A tiktoker canadense Sana Saleh faz vídeos na rede social falando sobre a religião muçulmana Imagem: reprodução Instagram

Rafaela Polo

de Universa, de São Paulo

20/03/2022 04h00Atualizada em 20/03/2022 17h36

"Quem pode ver meu cabelo?" Essa é a pergunta que a canandense Sana Saleh, do perfil Saleh Family, responde no vídeo que atingiu mais de 2,6 milhões de visualizações no TikTok. Sana é muçulmana e usa a página para esclarecer dúvidas sobre a religião.

No vídeo, ela cita uma série de médicos que, segundo a religião, não podem nem precisam que ela tire o hijab durante consultas. Mas uma das grandes curiosidades de seu público era como ela fazia para cortar o cabelo. A influenciadora contou que sim, ela tira o hijab nessa situação, mas há todo um esquema especial. "Minha cabeleireira é mulher e ela fecha completamente o salão aos domingos para cuidar do meu cabelo, quando não há mais ninguém lá". Com o sucesso da publicação, Universa resolveu investigar o esquema das muçulmanas brasileiras.

Mariam Chami tem mais de 750 mil seguidores no Instagram - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Mariam Chami tem mais de 750 mil seguidores no Instagram
Imagem: Arquivo pessoal

"É um esquema mesmo. Não dá pra cortar em qualquer lugar. Se o salão tiver profissionais homens é difícil", explica, em entrevista a Universa, a influenciadora brasileira Mariam Chami, que faz sucesso na internet falando sobre sua cultura e religião, e contou sobre a sua rotina ao cortar o cabelo.

Segundo Mariam, somente outras mulheres podem ver o cabelo de uma mulher que usa hijab. Homens, não. "Tem um salão que vou há uns cinco anos que, inicialmente, não tinha estrutura para me atender. Então, a cabeleireira fazia meu cabelo quando o local estava vazio ou só com mulheres. Ela precisava fechar um espaço com cortina", conta. Já os tratamentos estéticos são mais simples de serem realizados. "Eles são feitos em salas reservadas, então é tranquilo", diz.

Salão cria Hijab Day

Como Mariam falou, não são todos os salões que possuem estrutura para atender mulheres muçulmanas. O que ela frequenta, por exemplo, se adaptou e pensou em novos espaços e formatos para atender o crescente público de hijab.

O Fábrica Hair Salon, localizado no Shopping Metrópole, em São Bernardo do Campo, foi fundado em 2017 por Letícia Lins. No boca a boca, o público muçulmano foi crescendo e, com isso, a empresária precisou se adaptar e criar novas estratégias de atendimento. "Comecei a contratar mais mulheres, já que eram as únicas que poderiam atender o público. Hoje, por exemplo, minha equipe conta com apenas dois homens. Além disso, adaptei horários. Geralmente essas clientes têm preferência para às 10 da manhã e costumam terminar tudo até às 14h. Em dias de atendimento, minha equipe masculina chega apenas após esse horário. Meus lavatórios também ficam escondidos", conta Letícia.

A empresária criou até um Hijab Day, dia especial para atender apenas mulheres de hijab. "Dou folga para meus cabeleireiros homens. Assim, as clientes podem passar o dia todo no salão sem preocupação", conta. Letícia conta que, a princípio, sua ideia não era focar nesse público, mas com o crescimento da demanda, ela foi aprendendo mais sobre a cultura e hoje se tornou uma referência. "Era leiga no assunto quando abri o salão, mas fui aprendendo com elas, que me ensinam muito e me adaptei. Recebo mulheres até de outros países", diz Letícia.

Falar sobre sua cultura e explicar as necessidades, para Mariam, não é um problema. "Muitas pessoas não fazem ideia do que é uma muçulmana e se não falarmos, elas não vão saber. Eu não me canso de repetir. Se não me perguntam, buscam na internet e podem até encontrar informações falsas", explica.

Para a religião muçulmana, hijab é uma forma de proteger a mulher

Há muita curiosidade e pouco conhecimento quando o assunto é uma mulher de hijab - isso, claro, sem citar o preconceito. O hijab não é apenas um lenço que cobre o cabelo, é a maneira como a mulher se veste. "É, acima de tudo, cobrir o corpo. De nada adianta o cabelo estar preservado e o corpo à mostra. Tem mulheres que não cobrem o cabelo, mas se vestem de forma conservadora. E outras que cobrem o cabelo, mas o corpo está sempre à mostra, o que não condiz com o mandamento de Deus", diz Soha Mohamad Chabrawi, analista sênior de qualidade da FAMBRAS HALAL, Federação das Associações Muçulmanas do Brasil.

A escolha de se portar dessa maneira é feita pela mulher - ela escolhe usar hijab ou não - e tem como objetivo preservá-la dos olhares de homens que não são da família. "O corpo da mulher é sagrado. Ele é desejado na cultura oriental. O hijab é uma forma de proteger a mulher dos olhares de homens não lícitos", explica Soha. Como o cabelo é um dos pontos mais fortes da nossa vaidade, ele precisa ficar escondido.

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